Travestismo (Eonismo)


O texto a seguir foi traduzido por uma Crossdresser portuguesa de um original extraído de um site francês. Provavelmente foi utilizado um tradutor eletrônico, razão pela qual tivemos que fazer uma versão do texto traduzido para melhor compreensão. Cremos que todos sabem que na França não são usadas palavras em idiomas estrangeiros por imposição legal, o que não acontece no português brasileiro.

O certo é que ao se referir ao «travestismo» a Sociedade Beaumont Continental, que editou o texto, estava se referindo ao que no Brasil conhecemos como «CROSSDRESSER» ou «CROSSDRESSING». Esse tipo de travestismo, segundo os franceses, teve origem em Charles de Beaumont, CAVALEIRO DE ÉON (nascido em 1728 e falecido em 1810).

Beaumont era um nobre e oficial francês que fez uso de trajes femininos como disfarce, quando em desempenho de missão secreta na Rússia e também na Inglaterra, onde usava esses trajes como disfarce para copular com esposas de nobres ingleses. O Dicionário Aurélio, por sua vez definiu o EONISMO como "travestismo em homem".

Eis o texto:

O travestismo (eonismo) é uma forma de comportamento do qual encontramos vestígios em todos os níveis culturais da história das sociedades. A maior parte dos sociólogos no passado não ignorou este fenômeno e muitos citaram nos seus trabalhos diferentes casos de indivíduos masculinos procurando satisfação sexual através do uso de roupas femininas; este tipo de comportamento foi geralmente associado à homossexualidade ou ao fetichismo.

Foi preciso esperar o ano de 1910 e a famosa monografia de Hirschfeld, para ver o travestismo (eonismo) tratado como um assunto particular. Desde aquela época numerosos trabalhos sobre este assunto foram publicados em revistas médicas e cientificas. Todavia, apesar dos citados trabalhos, o travestismo é ainda olhado pelo grande público e também em certos meios médicos com múltiplas concepções erradas.

O autor do texto seguinte, que não se identificou, e onde se encontrou o estudo publicado por várias revistas de caráter sexológico, explica-nos: "Penso estar plenamente qualificado para abordar este assunto pelas seguintes razões : em primeiro lugar fiz estudos científicos e sou capaz de analisar corretamente e objetivamente os fatos. Em segundo lugar, fui eu próprio durante a minha vida, um travesti impenitente, e isto dá o direito de falar desta experiência com a necessária competência".

Antes de continuar, devemos precisar que a raiz do travestismo (eonismo) mergulha no erotismo e na sexualidade. O vestir roupa feminina não é necessariamente em si um ato de travestismo e isto em particular quando o objetivo visado é puramente teatral. Para um imitador profissional da mulher, do mesmo modo que para o ator que se especializou em papéis femininos, o uso de roupas de mulher é apenas um aspecto banal da sua profissão. Entretanto estamos inclinados a acreditar que o talento de alguns imitadores não é convincente na medida em que estes não sejam realmente travestis.

TRAVESTISMO (EONISMO) E TRANSEXUALIDADE

Em 1954, o psiquiatra americano H. Benjamin dedicou-se a estabelecer uma distinção entre o travestismo e a transexualidade. O travesti (eonista) fica mais em contato com a realidade: para ele, os seus órgãos genitais continuam a ser o centro do seu prazer sexual, como acontece com outros homens, e ele está perfeitamente consciente disso. Por outro lado o travesti (eonista) não ignora que as roupas femininas lhe parecem eroticamente excitantes na medida em que ele é precisamente um homem. Ele sabe que se fosse mulher, o uso destas mesmas roupas seria um ato convencional e perderia todo o interesse.

É preciso, entretanto, reconhecer que a maior parte dos travestis deseja de tempos em tempos, tornar-se mulher para poder livremente usar roupas femininas, mas estas são de crises passageiras.

A atitude do transexual é muito mais radical que a do travesti (eonista). O transexual considera que realmente pertence ao sexo feminino e os seus órgãos genitais masculinos são nada mais do que um detestável capricho da natureza. Ele deseja ardentemente tornar-se uma verdadeira mulher.

Alguns transexuais conseguem persuadir equipes médicas a praticar atos cirúrgicos que lhes permitirão retificar a sua anatomia para que possam viver completamente no feminino. Para eles o uso de roupas femininas torna-se então uma necessidade secundária.

TRAVESTISMO (EONISMO) E HOMOSEXUALIDADE

O erro mais comum que os médicos cometem é o de confundir travestismo (eonismo) e homossexualidade. O mesmo acontece com os não médicos, os cidadãos comuns.

Não há entre os travestis (eonistas) mais homossexuais do que entre os ditos ou tidos como heterossexuais. É verdade que a mesma pessoa pode ser simultaneamente travesti (eonista) e homossexual, pois de fato existem travestis (eonistas) que se interessam sexualmente pelos homens. Por outro lado, um pequeno número de homossexuais interessa-se sexualmente por homens que usam roupas femininas: eles são atraídos pelos homens e não por uma paródia feminina.

O mito popular, que apresenta o homossexual com um andar ondulante, aplica-se a uma pequena minoria de invertidos exibicionistas, preocupados em atrair as atenções, dos quais os jornais sensacionalistas fazem grande alarde.

Grande parte dos travestis (eonistas) é orientada para a heterossexualidade. Os fatos revelam que 70% dos travestis conhecidos são casados e frequentemente pais de familia. Tal não seria certamente o caso, se o travestismo fosse sinônimo de homossexualidade.

TRAVESTISMO (EONISMO) E FETICHISMO

Laços estreitos unem o travestismo (eonismo) e o fetichismo. Todavia é preciso sublinhar que o fetichista dedica-se a exigir da sua companheira o uso de certa peça de vestuário (lingerie, roupa, sapatos, etc.), enquanto que o travesti (eonista) deseja usar ele mesmo este vestuário. Por outro lado, na maior parte dos casos, o fetichista será mais ou menos ligado a uma certa peça de vestuário que acordará o seu desejo erótico, enquanto que o travesti (eonista) reagirá a todas as formas das roupas femininas. O travesti (eonista) não se contenta por usar um par de sapatos de salto alto: ele pretende adotar o vestuário feminino nos seus mínimos detalhes e tenta sempre ser visto neste "adorno" mesmo que ele não ouse traduzir esta tendência exibicionista por atos.

TRAVESTISMO (EONISMO) E PSIQUIATRIA

A abundante literatura sobre o travestismo (eonismo) publicada nas revistas médicas e psiquiátricas é naturalmente baseada sobre os casos estudados pelos autores destes artigos, os quais só representam uma pequena parte do fenômeno no seu conjunto. Entre estes artigos, alguns são excelentes tendo em conta as suas limitações. Outros, em contrapartida apresentam uma imagem completamente deformada do problema, os seus autores basearam as suas observações num número insuficiente de casos.

É preciso sublinhar que os médicos só observam os travestis (eonistas) na medida em que estes estejam perturbados ou também por pressão de terceiros, quando são encontrados no consultório médico contra sua vontade. Segundo a Sociedade Beaumont Continental, um psiquiatra tem pouca chance de encontrar um travesti «normal» (eonista) e estava convencida que o travestismo (eonismo) é, para muitos homens, um modo normal de estar na vida. Uma revista americana especialmente destinada aos travestis (eonistas) revelou dados de uma pesquisa em que somente um terço dos seus leitores procurou assistência clinica. Este número é confirmado por observações do autor do texto, recolhida junto de travestis (eonistas) que pessoalmente conheceu ou encontrou. E completa, "a verdade é que à maioria dos travestis repugna submeter-se a tratamento seja ele qual for, sendo este tratamento de qualquer forma completamente inútil". A sociedade pode achar que tais tratamentos sejam necessários, mas para o travesti (eonista) o prazer que adquire o vestuário feminino é tal que nenhum aceitaria renuncia-lo.

Alguns travestis (eonistas) por vezes recorreram a médicos quando a sua mania atingiu proporções tais que os tornou incapazes de ter atividades eficientes em outras esferas, mas este tipo de perturbações manifesta-se em todas as camadas da população. Outros são levados ao médico por ordem do juiz porque caíram sob a alçada da lei, ou ainda porque as suas esposas não podem mais suportar um marido que se cobre de lingeries vaporosas e meias de nylon (que o caso é freqüente entre os homens casados).

Tendo em conta o precedente, dois entre três travestis (eonistas) são totalmente desconhecidos do mundo médico e é mesmo corrente que a sua mania seja desconhecida pelos que o rodeiam. Sendo a sociedade como é, os travestis (eonistas) a maior parte das vezes guardam segredo absoluto sobre a fonte essencial do seu prazer, o que os condena a uma deplorável solidão, absolutamente injusta porque esta pequena mania não prejudica a ninguém. Sem apelar para os meus semelhantes o direito de lançar uma campanha de proselitismo, podemos pensar que um homem de saia não é mais condenável que uma mulher de calças.

FREQÜÊNCIA DO TRAVESTISMO (EONISMO)

É difícil fornecer o número real de homens que gostam de travestir-se. Tudo o que se pode dizer é que esta prática está muito mais espalhada do que se possa pensar. Certas sociedades comerciais de venda por correspondência anunciam nas suas brochuras publicitárias que se dirigem especialmente "aos homens que ousam vestir lingerie" e é claro que o número potencial de travestis (eonistas) deve ser importante para permitir a essas firmas manterem-se rentáveis.

O número fornecido pelo Relatório Kinsey, a respeito do travestismo (eonismo), é de 0,5% da população masculina, o que é geralmente considerado como índice de muito baixa freqüência.

Pergunta-se: Podemos dizer que a proporção de um em cada duzentos seja verdadeiramente um índice de raridade?

Georgina Turtle estima que o número de travestis (eonistas) na Inglaterra se situa entre 3 para cada 15.000. Darrel Raynor dá para os Estados Unidos números que oscilam entre 1 para cada 1000 e 1 para cada 160 do conjunto da população. Qualquer que seja a maneira como se olham estes dados, cada leitor deste texto pode concluir que se encontram provavelmente entre as suas relações vários homens que se travestem secretamente no prazer de se enfeitar com roupas femininas.

Os travestis são originários de todas as camadas sociais e podem ser tanto agricultores como comerciantes e funcionários públicos como profissionais liberais. Apesar disso, a maioria dos autores concordam em afirmar que os travestis (eonistas) estão presentes principalmente entre os intelectuais.

O TRAVESTI (EONISTA) "TIPO"

Existe um travesti "tipo", ou seja, que se possa reconhecer? Quais os sinais para o reconhecimento?

A resposta a estas duas perguntas é negativa. Os travestis (eonistas) só têm em comum o gosto por se travestir e, exceção feita a um muito pequeno número de casos, é impossível reconhece-los. Na vida quotidiana, nada distingue os travestis (eonistas) dos outros homens e a maior parte do tempo os seus amigos íntimos e a própria família jamais descobrirão a sua tendência para a roupa feminina.

Como vivem os travestis?

Uma minoria destes que o seu físico favorece, conseguem viver verdadeiramente como mulheres, sem que ninguém suspeite de nada. Mas trata-se de um pequeno número. Outros, um pouco mais numerosos, são dotados para o teatro e encenam números de imitador o que lhes permite produzirem-se em público no seu vestido preferido.

Contudo, 99% dos travestis (que são os adeptos do eonismo) comportam-se abertamente como homens normais e disfarçam cuidadosamente o aspecto feminino das suas vidas. Estes, quando vivem sós, ou quando as pessoas íntimas são cúmplices, apressam-se a mudar o vestuário assim que chegam ao lar, ao fim de um dia de trabalho. Mas o seu maior desejo é apresentarem-se em público no seu trajo de eleição: freqüentemente ousam fazer um curto passeio noturno, pois a escuridão assegura-lhes o anonimato.

Quando são casados com uma parceira tolerante, podem evidentemente travestir-se em casa, se não houver crianças ao redor. Portanto, de modo geral, os travestis (eonistas) evitam confidenciar à sua esposa, por receio de reações negativas. Mas a obrigação de esconder da mulher que amam uma parte essencial deles mesmos, representa um continuo tormento.

Um grande número de travestis (eonistas), casados ou celibatários, contentam-se de usar roupa interior feminina e meias sob as suas roupas masculinas. Deste modo, aquele indivíduo que chega todos os dias ao escritório ou à fábrica talves esteja vestindo um "collants", um espartilho ou uma lingerie fina. Segundo o cálculo de probabilidades, cada ramificação do metrô, transporta sem nenhuma dúvida, nas horas de ponta, vários travestis (eonistas).

AS CAUSAS DO TRAVESTISMO (EONISMO)

O impulso de se travestir manifesta-se geralmente cedo e persiste por toda a vida. Todos os homens que têm esta inclinação para a roupa feminina, foram desde a infância atraídos pelo vestuário feminino. Afirma-se por vezes que os pais descontentes pelo sexo do seu filho acabam desenvolvendo neles inconscientemente esta tendência, seja vestindo-o de menina, ou ainda fazendo um rapaz vestir roupa de menina para o punir. Esta última hipótese é freqüente nos textos dedicados ao travestismo (eonismo).

Parece mais honesto reconhecer que a origem do travesti (eonista) seja ainda imprecisa e que vai manter-se assim enquanto não se fizerem estudos mais profundos não somente nos travestis que seguem um tratamento psiquiátrico, mas, sobretudo sobre a maioria dos que se mantém afastada dos clínicos.

A maioria dos travestis declara ter sentido, desde a mais tenra idade, um desejo inexplicável e ao mesmo tempo irreprimível de experimentar uma peça ou outra do vestuário feminino, que seria o da irmã ou da mãe. Este ato, e o contacto do tecido sobre a pele desperta uma sensação de exaltação intensa de natureza incontestavelmente sexual e o uso do vestuário tido como excitante suscita na maior parte dos casos manobras de auto-satisfação. Em seguida, esta experiência agradável será repetida todas as vezes que a ocasião se apresente, e outras peças do vestuário serão "adicionadas".

Depois de um tempo mais ou menos longo, o jovem travesti (eonista) acaba por se vestir completamente de mulher. Ele utilizará igualmente maquiagem de maneira a parecer tão feminino quanto possível e todas estas experiências lhe parecerão excessivamente agradáveis. Cedo ou tarde ele acabará por constituir um guarda roupa completo, começando geralmente por adquirir lingerie, meias ou roupas colantes, depois pouco a pouco sapatos, vestidos, maquiagens, perucas, seios postiços para arredondar um peito plano.

Entretanto, o neófito, passado o primeiro período de exaltação, não demorará a sentir crises de remorsos durante as quais sentirá que usa roupas "interditas" pelos preceitos da educação que recebeu. O sentimento de culpa que acompanha esta descoberta conduzirá à depressão e finalmente ele queimará ou deitará no lixo as suas roupas femininas até ao momento da sua paixão ressurgir e ele começar uma nova coleção.

Numerosos travestis (eonistas) pensam por vezes que o casamento os poderá "curar". Não é verdade. Um travesti é um travesti e a sua necessidade de vestir roupa feminina persistirá por toda a sua vida. Podemos conhecer homens de 50, 60 e mesmo 79 anos que se travestem ainda com satisfação. Esta paixão pode atenuar-se durante períodos mais ou menos longos, mas ela não deixa nunca de existir.

Afirma-se que, de todos os "desvios" sexuais, o travestismo (eonismo) é o mais solitário e é verdade.

De outro lado, aos homossexuais não faltam parceiros. O fetichista acaba sempre por encontrar uma mulher que aceita vestir as roupas da sua eleição. Um sádico encontra freqüentemente um masoquista no seu caminho.

Inversamente, um travesti (eonista) que se sente atraído por mulheres, terá grande dificuldade em descobrir a parceira que o aceita como ele deseja ser aceito - como uma mulher invertida - e ainda assim, é preciso saber que a esposa poderá se cansar de estar constantemente na presença deste tipo de homem.

Na falta desta parceira ideal, o travesti (eonista) pode recorrer às prostitutas, mas tais relações excluem todo o afeto e toda a amizade duradoura. Alguns travestis (eonistas) raros têm a sorte de encontrar uma mulher compreensiva, mas objetivamente é preciso reconhecer que na maioria dos casos, somente outro travesti (eonista) pode compreender aquele que partilha os seus gostos. Também é por essa a razão que os travestis tendem a morar juntos, dando assim crédito ao mito popular que confunde travestismo e homossexualidade.


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