JANEIRO / 2005

CONJECTURAS

Por Veronika Schneider

SERÁ que existem crossdressers autênticas?

Eu, particularmente, acredito que sim, principalmente pelo fato de ser uma e por conhecer outras (como eu) PESSOALMENTE.

Eu acho que é muito mais divertido ser confundida com mulher estando DESMONTADA do que ser confundida com homem, estando MONTADA... Mas TALVEZ esse não seja um CRITÉRIO que sirva para estabelecer uma definição (de inserção ou exclusão) precisa quanto ao CROSSDRESSING.

Se eu nascesse de novo e pudesse escolher, com CERTEZA eu escolheria nascer como mulher genética. Porém, é preciso refletir melhor sobre o assunto para ter convicção sobre se o que DESEJAMOS ser em fantasia coincide com aquilo que nós queremos ser dentro da realidade.

Observando o nosso PANORAMA por cima, parece que existe essa transição lógica que nos faz ter a sensação de uma escala evolutiva: crossdressers, travestis e transexuais aparentemente estão dentro da mesma PAISAGEM que tem como plano de fundo o UNIVERSO FEMININO. Mas no entanto, apesar desta impressão, existem algumas fronteiras invisíveis e INTRANSPONÍVEIS: uma crossdresser JAMAIS poderá ser uma transexual, por exemplo, sem passar por algum tipo grave de transtorno interno. Por isso, o fator mais importante dentro desse panorama é o nosso posicionamento correto, que constitui a forma mais adequada para evitar o SOFRIMENTO.

Uma crossdresser AUTÊNTICA, tem a consciência de que a sua duplicidade é fictícia, ou seja, é apenas uma conveniência social e moral, mas que não lhe fere em momento algum. Uma crossdresser autêntica tem a consciência de que é no seu HERMAFRODITISMO cerebral que reside a força para a sua realização como SER e a fonte da sua FELICIDADE.

O Hermafroditismo Cerebral

Do meu ponto de vista, entre os TRANSGÊNEROS as subdivisões em níveis diferentes, com possibilidades de transição, ocorrem apenas internamente dentro de cada grupo. Desse modo, podemos ter diversos tipos de transexuais: as não-operadas e as operadas; entre as travestis, encontramos as que apenas se hormonizam e as siliconizadas; e quanto às crossdressers, as de armário, as fetichistas e as assumidas, que se expõem publicamente, isso tudo sem levarmos em conta os aspectos sexuais e as inúmeras outras possibilidades de variações dentro de cada grupo. Todas essas variações são determinadas por FATORES biológicos, sociais, psicológicos e espirituais. Quando nascemos, por exemplo, o nosso sexo biológico é determinado pela fusão dos gametas e dos genes que definirão os nossos órgãos genitais. Um indivíduo XX é uma mulher provida de vagina, ovários, útero e, mais tarde, seios, enquanto um indivíduo XY é um homem provido de pênis e testículos. Uma vez ou outra, raramente, pode ocorrer o surgimento de um indivíduo XXY que desenvolverá características mistas, sendo um hermafrodita: homem e mulher formando um mesmo ser.

Mas a sexualidade, como um TODO, de um indivíduo só pode ser definida não apenas pelos seus fatores biológicos, mas pelo seu CONJUNTO. Fazendo uma ANALOGIA com o que acontece biologicamente, podemos considerar a existência de indivíduos com cérebro MASCULINO (cérebro xy) ou FEMININO (cérebro xx) independente de terem nascido como homens ou como mulheres. O Hermafroditismo Cerebral, portanto, é a fusão de componentes masculinos e femininos dentro da mesma mente: Um Cérebro XXY é a característica PRINCIPAL DE UMA CROSSDRESSER e por isso ela é capaz de transitar com NATURALIDADE entre os dois mundos. Já para uma TRANSEXUAL, isso é impossível, pois uma transexual não é uma hermafrodita cerebral, ela possui um corpo biológico XY (homem) e um cérebro XX (mulher) o que faz com que a transexual se sinta completamente inadequada até conseguir a anulação completa de suas características biológicas masculinas através de cirurgia de readequação sexual.

Atualizada em 02/06/2005