
SETEMBRO/2004
ANUIDADES, ADMISSÃO DE ASSOCIADAS E HIERARQUIA
Está fazendo um ano que foi criado o novo grupo de correio eletrônico do BCC denominado BBC_REAL. Veja o que escreveu naquela época a nossa diretora Paula Andrews, justificando a sua criação e a mudança de critérios para admissão de associadas:
No passado o critério para admissão de novas associadas já foi muito rígido e eu era uma adepta desse rigor.
A experiência e a crítica do processo levaram-nos a ver que estávamos erradas em agir daquela forma.
Por que? Por vários motivos. Vamos explorar alguns deles.
Começando, não há maneira possível de no mundo virtual termos certeza que do outro lado há alguém sincero. Assim, nosso rigor era um blefe, pois apesar de termos "barrado" algumas pretendentes que pareciam não corresponder a um perfil aceitável pelo clube e com certeza cometemos algumas injustiças.
Começamos, então, a perceber que qualquer pessoa com capacidade mental pouco mais que infantil, com mente razoavelmente articulada e um pouco mais que medíocre domínio da língua seria capaz de enganar-nos, fazendo-se passar por quem não era.
Então, tal rigor no mundo virtual era algo pouco consistente. Não nos servia.
Endurecemos mais. A partir daí apenas seriam aceitas como associadas as pretendentes indicadas por antigas associadas, que por sua vez, dar-lhe-iam o aval e lhes garantiriam a conduta.
Esse método também foi inconsistente: Como garantir alguém a quem apenas conhecemos por e-mails; numa troca frágil, ainda que intensa, de mensagens?
E mais: Quem nos garantia que a associada "indicadora" da pretendente - igualmente protegida pelo anonimato da Internet - também não era uma farsa?
Percebendo essa questão, eu pessoalmente fui além: apenas concordava em indicar meninas a quem eu tivesse conhecido pessoalmente (ainda que no formato "sapo"). O resultado foi que não consegui indicar ninguém.
E é claro o porque desse fracasso (e aqui estamos chegando a mais um dos motivos importantes que nos levaram a abandonar a tal inútil rigidez). Se existe uma característica a quase todas as CDs novatas, que mal acabam de descobrir o BCC, ou o site de algumas das associadas, é o medo; o receio.
E pensam:
Posso garantir que já ouvi muitas coisas desse tipo.
Ora, o tal medo associado a um rigidíssimo - porém inconsistente - sistema de admissão terminaram por afastar novos pedidos de associação.
Durante o tempo em que mantivemos tal critério o número de novas associadas caiu quase a zero.
Ora, isso não foi bom. Afinal, um dos objetivos do BCC (existem outros, todos muito nobres, tenha a certeza) era e ainda é o de congregar CDs, aproximá-las, mostrar-lhes que não estão sós, que ser CD não é doença (como algumas desinformadas pensam ou pensaram ser). Manter aquele critério não seria bom.
Praticamente todo o grupo gestor do BCC é composto de ASSOCIADAS REAIS - a única exceção é a Carmem Ley, de Goiás. Então, este grupo de CDs reais generosamente optou por "relaxar" nos critérios de admissão, aceitou deixar-se frágil em sua privacidade, pois pareceu-lhe injusto que em nome de sua proteção - na condição de REAIS que muito se expõem - acabássemos deixando fora de nossa irmandade meninas que se num primeiro momento estão tímidas, medrosas, acanhadas; são verdadeiras CDs, ainda que virtuais; "de armário" , escondidas de si próprias as vezes. Mas que tão logo associadas - principalmente com nossa ajuda, repito das REAIS - passam a ativamente participar; desabrocham; deixam de lado seus medos e passam a viver seu crossdressing com a mais absoluta tranqüilidade.
Evidentemente que essa liberalidade na aceitação de novas associadas (em que pese o trabalho cuidadoso atualmente desenvolvido pela criteriosa Comissão de Ética e Avaliação) enseja a entrada de intruso(a)s indesejáveis em nosso círculo. Mas, que se há de fazer? É o preço que pagamos para dar vida a tantas quantas medrosas sinceras que nos procuram e a nós, que cuidamos do clube, a recompensa pelo enorme trabalho que temos, como por exemplo este tempo, que vira-e-mexe temos que gastar para explicar a quem pouco ou quase nada conhece dos problemas do clube, mas é cheia de acho-isto-ou-aquilo sem ter sustentação empírica para tal.
Nesse quadro de necessária liberalidade nas admissões é que surge a necessidade do FÓRUM das REAIS.
Será que fui clara? Penso que sim!
Mas há ainda mais: A Assembléia de CDs reunida no último HEF (e note, não vou aceitar questionamento sobre sua legitimidade, pois o BCC sempre foi e continuará sendo dirigido por quem ativamente participa e dele cuida - sejam virtuais ou reais - e não por quem eventualmente - quando tem tempo - dá opiniões) resolveu que o processo de admissão de novas associadas será a partir dos próximos dias um pouco mais rígido (algo intermediário entre a rigidez do passado e a atual liberalidade), pois irá tocar num ponto sensível da espécie humana: o bolso.
E se a experiência mostrar que não estamos no caminho certo, não teremos dúvidas: mudaremos novamente.
Portanto, não é o que eu ou você ou qualquer uma acha ou pensa, é o que deve ser feito, sempre - por se tratar de assunto ligado a delicadíssima natureza da condição humana - como resultado de inevitável processo de tentativa e erro. Não há processo positivista possível aqui.
E voltando ao tema do FÓRUM DAS REAIS, é de fato "um-grupo-dentro-de-outro-grupo". É engano imaginar que isso não seja correto, pois não apenas é correto como absolutamente indispensável para que o BCC possa continuar a cumprir a missão que lhe cabe. Meu arrazoado teve a modesta intenção de mostrar isso. Espero ter sido bem sucedida.
E a prática mostrou-nos que a Paula Andrews tinha razão.
Na nova fase, a partir de outubro deste ano de 2004 começam a ser cobradas ANUIDADES, inicialmente somente das associadas inscritas na categoria de REAL.
Suzy Kelly.