
DEZEMBRO / 2005
FOFOCAS E NOTÍCIAS INTERNAS
PESQUISA: SER OU NÃO SER MULHER
Por Ana Luiza Muller
Abaixo segue o resultado comentado da pergunta que Paula e eu fizemos semana passada.
Mantive as respostas originais para apreciação conjunta. Os comentários estão no final.
Algumas respostas, ficaram um pouco dúbias e, por isso, usei um pouco de interpretação pessoal. Em caso de erro, ficam minhas desculpas. O texto original porém está ao lado.
Pergunta:
Estávamos, eu e Paula Andrews, noutro dia tomando um uisquinho amigo e conversando aqui no Rio de Janeiro, quando o assunto foi parar no tema:
Caso pudesse nascer de novo, gostaria de nascer mulher?
Falamos um tempão sobre identidade, fatores biológicos, culturais e outros tantos. Como no “site” do BCC tem uma pesquisa feita sobre este tema, em que a imensa maioria, das que responderam, disse que sem sombra de dúvida se nascessem novamente e pusessem escolher seriam mulheres genéticas, combinamos uma pergunta a ser feita neste fórum a quem quiser responder.
Esta variante da pergunta pressupõe que um “sujeito” da espécie humana se constitui por contínuos “movimentos” de aproximação e distanciamento, identificação e diferença através da linguagem, que não é muito estável uma vez que em si, outros níveis atuam, como o inconsciente, etc. Neste tipo de pensamento, estudos culturais se direcionam mais para “quebras”, “buracos” e “fendas”, o ausente, o não-dito e tendem a conjugar estes pensamentos “vistos por vislumbre” com textos e figuras referidas ao “sujeito e gênero” na linguagem.
Este “movimento” permite a nós, CD’s e a qualquer um que se situe em uma posição qualquer entre o masculino e o feminino se compreender como resultado cultural, e (aqui penso eu) também biológico. "Movimento" pressupõe vários lados e vários tempos onde se pode estar e no que diz respeito à “gênero” este movimento se passa em um campo. A pergunta se refere a limites deste campo.
Eu entendo a resposta da maioria na pergunta do “site”, e eu mesma me incluo afirmando que também preferiria nascer de novo como mulher.
Porém, eu me diferencio bastante das mulheres na questão da autoginecofilia que já foi por demais discutida aqui. Só recapitulando, a autoginecofilia se refere ao prazer de “se sentir mulher” incluindo a excitação sexual quando se “sente mulher” seja estando vestida, seja se imaginando.
Não há referências de mulheres que se excitam ou sintam um prazer especial pelo simples fato de se sentirem mulheres, já que o objeto de sua sexualidade está “fora” dela, ou seja pretensamente no homem, ou no outro. Enquanto isso acontece com elas, com as autoginecófilas acontece de o objeto estar na mulher que aparece, e esta mulher aparece em si mesmo! Daí o nome auto (em si) gineco (mulher) filia (ligação).
Brincamos bastante aqui com a charge da Letícia Lanz dizendo: “Eu me amo”
Agora a grande pergunta. Àquelas que responderam que desejariam nascer de novo como mulher, nós gostaríamos de saber:
(1) Se este desejo é em qualquer condição?
(2) Ou somente como a mulher que consideramos “passável” ao nosso desejo?
Em outras palavras, seria de bom tamanho o fato de ser mulher mesmo que fosse uma mulher com características que desgostamos (por exemplo: gorda, vesga, de óculos, nariguda, magra, sem peito, com peito grande, etc)?
Ou só gostaríamos de nascer de novo como mulher, se esta mulher correspondesse ao nosso imaginário de mulher (pode ser, por exemplo, bonita, sexy, inteligente, alta, baixa, etc)?
É claro que a alternativa um inclui uma frustração, mas mesmo assim seriam mulheres! Com vagina e tudo! E dois cromossomos X!
Aqui a minha resposta: eu fico com a alternativa dois. E justifico minha resposta com a percepção de que a mulher que existe em mim é objeto do meu amor. E não outra.
Respostas:
1. Paula Andrews: (1)
Na verdade, na verdade, em toda essa história eu só entrei com a crise de identidade, eh, eh !!!
E com o entusiasmo!!! E com o whisky!!!
Todo o mérito da conversa e da formulação foi da Ana Luiza. Ainda que quisesse eu não conseguiria formular tão bem a questão.
Mas aqui vai minha resposta:
A nova formulação não altera a resposta que dei quando da pergunta feita pela Bárbara Stone.
Se eu fosse nascer de novo, tanto me faria nascer homem ou mulher. Eu só desejaria não nascer dividida. Queria nascer uma coisa só: bonita, bonito, feia, feio, alta, alto, brilhante, estúpido, estúpida. Não importa. Queria nascer ou homem ou mulher, sem qualquer problema de identificação de gênero e também de sexualidade. Eu só não suportaria nascer de novo nesta condição de transgenêra. Por que digo isso? Porque quase todo mundo vê as pingas que eu bebo, mas não os tombos que caio...(já disse isso numa outra oportunidade, mas repito porque é absoluta verdade).
2. Letícia Lanz: (2)
Transgênera convicta que me tornei, por força de uma cultura cruel e mesquinha que abafou em mim o melhor de mim e me obrigou por muito tempo a ser uma "cópia de segunda mão" de mim mesma, em função do que essa cultura maledeta chama de "homem" a minha resposta é 2.
3. Diana Maria: (2)
QUERO RENASCER MULHER, DIVA, DEUSA, ETERNAMENTE JOVEM E NA ILHA DE LESBOS.
Renascer mulher, mas dentro de uma forma que imaginamos coerente conosco.
Se esta forma é ser DIVA, DEUSA, ETERNAMENTE JOVEM E IMORTAL E "LESBIAN CHIC", QUERO SIM COM UMA EXIGÊNCIA GEOGRÁFICA: TEM QUE SER NA ILHA DE LESBOS.
4. Ginna Anderson: ( 2 )
Sempre a alternativa 2 pois nós nos amamos.
5. Vivian Valentine: ( 2 )
Sempre a opção 2. Mas seria melhor se o mundo pudesse mudar, dando a opção de podermos expressar os nossos desejos. Como eu seria feliz se eu pudesse ir pro meu trabalho num belo taileur sem deixar de lado tudo que eu conquistei como homem. Porque não sejamos convencidas a ponto de achar que se tivéssemos nascidos todas mulheres estaríamos hoje fazendo tudo igualzinho, mesma profissão, mesmos ganhos.
Mas enfim, o que gosto mesmo é dar valor a tudo que é feminino, algo que, as vezes, vejo é negligenciado pelas GG´s. Eu gosto de saber que sou um homem apaixonada por ser uma mulher!
6. Vera Lúcia Jardim: ( 2 )
Faltou, na pergunta, a seguinte opção:
Ser mulher feia ou homem bonito OU Ser mulher feia ou homem feio
Acho que esta questão é crucial...
7. Jorgete del Rio: (2)
Na minha próxima encarnação, gostaria de retornar como "MULHER GENÉTICA" para poder vivenciar tudo aquilo, que nesta consegui fazer pela metade e mal feita.
8. Miriam Rose de Lima: (2)
Se for para nascer feia, prefiro nascer homem de novo, que dá na mesma coisa.
9. Julia Bell: (2)
Partindo do princípio que eu adoro a arte de mudar visualmente de sexo e a adrenalina de sair na rua com outra imagem totalmente oposta da minha natural me faz vibrar intensamente, entre nascer homem ou mulher, eu gostaria, sem dúvida, de nascer homem novamente, mesmo feio do jeito que sou, pois acho que é muito mais divertido, excitante, muito mais artístico e muito mais gostoso travestir-se de mulher do que ao contrário. Imagine-se mulher transformando-se (enfeiando-se) em homem? Que horrorrrrrr ? (risos)
Como mulher me acho muito mais bonita do que como homem, e não abro mão de meu crosdressing, mas na sociedade, ser homem também é muito bom.
PORQUE NÃO FICAR COM OS DOIS ?
Opto em ficar com 1 e 2 em momentos diferentes.
10. Bruna Romanelly: (1)
E se minhas preces forem ouvidas renascerei das cinzas, não como o Fênix, mas sim "MULHER, FÊMEA, LINDA LEVE SOLTA E BELA"
É tudo que peço a DEUS!!
E na minha passagem partirei contente, pois tenho a certeza de que minh'alma finalmente será envolta na suavidade do SONHADO CORPO!!
Na certeza de ser um dia...
"CORPO E ALMA"
Eu não diria ser um erro do nosso criador!!!
Sinto até mesmo, olhando a minha volta, que de certa forma fui agraciada com uma penalidade até branda por algum erro que eu mesma tenha cometido em vidas passadas e que agora, para meu amadurecimento eu tenha que pagar.
Chego a sentir até mesmo que, ainda que árdua a caminhada, eu tenha que ser grata a ele pela chance que me dera de poder um dia alcançar minha plenitude.
Diria até mesmo que a felicidade não está em nascermos homens ou mulheres, mas sim nascermos em harmonia entre nosso corpo e nossa essência.
Sei o quanto é difícil caminhar ao lado de pessoas felizes, harmônicas, sem sequer saber o que sou.
Sei o quanto doi caminhar uma vida inteira em busca de uma identidade perdida e que jamais irei alcançar.
Sei o quanto é duro caminhar envergonhada usando o corpo que não me pertence e que por vezes tento disfarçar como que não mais suportando a dor.
Sei o quanto é difícil encarar o espelho, se quando olho ao lado que me vejo. Vestes suaves, tons coloridos, cabelos esvoaçantes, pele macia, corpo torneado, seios exuberantes, gestos delicados voz suave ... e, como se não bastasse, os saltos que me maltratam e humilham sem piedade.
Tento disfarçar a pele, esconder as marcas, pintar a cara, e me vestir de seda para me sentir princesa, mas no fundo não passo de uma palhaça...
Tentarei ser forte e esperar com certeza um dia alcançar minha plenitude! Meu desejo é SER MULHER!
E se Deus não coloca um fardo pesado nos ombros de um fraco, espero que ele me dê forças.
11. Vânia Ribeiro: (1)
Nasceria mulher, sob quaisquer condições. Mesmo no quesito beleza e a falta dela, pois tal como sou hoje, bastante masculina, tenho por projeto me transformar e sei do meu potencial interior de mulher para me sentir linda, sexy e interessante. Claro que se a natureza me fizer lindíssima, serei grata, mas isso não é uma condição necessária para mim. Sou mulher e gostaria de ter nascido com um corpo condizente com o que sou. No futuro, se viesse a nascer de novo, gostaria que isso acontecesse, pois facilita muito...
12. Fernanda Ana Campseros: (1)
Primeiro:
Sim, sem dúvida, queria nascer mulher.
Mas como a gente sempre escolhe os desafios que iremos passar nesta vida, é bem possível que para meu desgosto eu repita a dose. Nosso ser consiente tem desejos muito diferentes do que nosso espírito.
Mas como estamos falando do que gostaríamos, eu sem dúvida alguma gostaria muito de experimentar nascer e viver entre as meninas. Passar a infância apaixonada por homens lindos, chegar na adolescência e ser uma lésbica...
Mas, na nossa sociedade é quase que impossível não ser discriminada. O diferente discrimina o diferente.
Nascida mulher, eu iria sofrer a discriminação do mesmo jeito. Só que o ponto positivo é que fisicamente eu seria o que eu gostaria de ser... Poderia usar todas as saias, todos os tipos de roupa, fazer 3 furos na orelha, um no nariz, uma tatuagem de borboleta, umas estrelinhas, uma rosa vermelha discreta no bum bum...
Ah! E não me importaria de ser feia ou bonita. Só pediria por favor, que meus valores fossem mantidos...
Sim! Uma mulher feia e lésbica. Não tem problema, pois masculino e feminino são relativos, assim como o feio e o bonito.
Bom! Quem sabe? Até lá, talvez não seja tão anormal uma mulher engravidar outra mulher.
13. Juliana Carpen Die: (2)
Muito bom! Tenho pensado muito sobre "qual mulher" queremos ser e, sinceramente, já pensei em organizar algo do tipo exibir fotos de diversas aparências físicas femininas, sob diversas circunstâncias (gorda, baixa, pobre, rica, camponesa, favelada, etc) e obter respostas para a questão acima. Em particular, adoro me sentir uma mulher gostosa, bonita, sensual, poderosa, mas me desespero em pensar que, numa segunda oportunidade, que pudesse me conceber mulher, resultasse num daqueles tipos que me apavoram. Assim, tenho me limitado a curtir a ilusão do melhor dos mundos na melhor forma possível e isto realmente é muito prazeroso! Vou procurar cuidar melhor do meu sapo, para que ele possa aperfeiçoar a mulher que penso ser, para que possa continuar pensando livremente, do alto de toda a liberdade que disponho! Sem dúvida, minha opção é, foi e será a 2!
14. VeroniKa Schneider: (2)
Se eu Nascesse de Novo...
Se eu nascesse de novo e pudesse escolher, é claro que eu escolheria nascer mulher... Só que eu queria ser parecida comigo mesma, quando estou montada. Com o rosto feminino e voz feminina. Eu teria mãos bem menores, quadril mais largo, cintura mais fina e seios um pouco maiores do que tenho hoje... Só que dos meus cabelos eu não abriria mão: se eu nascesse mulher eu queria ter os meus cabelos iguais aos que tenho hoje. Portanto, a minha opção seria a Número 2, mas eu acredito que ninguém em sã consciência escolheria nascer mulher de qualquer jeito, ou seja, nascer de novo como mulher para ser uma "BARANGA". Depende muito do que é uma mulher passável, todas nós temos os nossos defeitos e, a mim, já me bastam as minhas estrias!!! Mas se fosse para eu nascer de novo como mulher e continuar com elas, para mim tudo bem, e isto me aproxima um pouco da opção Número 1.
O engraçado é que recentemente eu andei observando e me comparando com algumas mulheres que encontrei pelas ruas, em estado de petição de miséria, e cheguei à conclusão de que é melhor ser CDzinha como eu do que ser uma GG muito feia, sem nenhuma vaidade e, em muitos casos, eu não trocaria de lugar com elas de jeito nenhum!!!
Se eu nascesse de novo e pudesse escolher, eu gostaria de ser uma mulher do jeito que eu sou, eu teria um monte de amigas, talvez um pouco menos do que tenho hoje, e obviamente eu continuaria sendo LÉSBICA, muito embora eu pudesse continuar sendo paquerada por algumas meninas - de vez em quando - e por alguns meninos - uma vez ou outra...
Eu tenho muitas amigas genéticas que sentem sim prazer em serem mulheres, mas este prazer não pode ser confundido com a autoginecofilia, mas com a VAIDADE FEMININA: o prazer de se arrumar e colocar um belo vestido para ir a uma festa ou a um casamento, o prazer de se cuidar, de se sentir bonita, de se pintar, de usar uma sandália nova, essas coisas todas que se aprende desde pequenininha. Do mesmo modo, existem homens que sentem um prazer não-sexual em serem homens, sentem prazer em se sentirem fortes ou musculosos, por exemplo. Em nenhum dos dois casos, pode-se atribuir a este tipo de prazer uma origem meramente sexual, mas que não deixa de ser um tipo de prazer que existe.
TUDO ISSO SE EU PUDESSE nascer de novo e escolher ser mulher... Mas já que EU NÃO POSSO ESCOLHER, então o jeito é continuar sendo CROSSDRESSER mesmo... e seja lá o que Deus quiser!!!
15. Adele Fatima R. Maia: (1)
Quanto à opção, penso o seguinte: faço regressão de vida há tempos. Mudei muito minha maneira de pensar em relação a mim mesma e aos outros. A escala de valores mudou muito também. Afinal vi meu corpo na maca de um hospital, as pessoas que lá estavam e vi o túnel, ou algo parecido, uma luz mortiça, quente, amarela, e pessoas que haviam morrido, as quais amava muito. Quando voltei 16 dias depois, mudei a minha vida. Comecei a fazer regressão e me descobri em outras vidas. E sendo mulher, nenhuma rainha, ninguém importante, mas simplesmente mulher, a partir daí comecei a entender melhor meus desejos femininos, os cuidados que tinha e passei a ter mais com meu corpo. Enfim, na próxima sem duvida quero ser MULHER SIM, se puder escolher claro. Sugiro, a quem quiser entender melhor, o livro de Brian Weiss: Muitas vidas e muitos mestres. Extremamente elucidativo.
16. Chris Camps: (2)
Meu problema foi erro de envasamento. Ao nascer, me colocaram numa embalagem errada. Fazer o que?
Sempre fui mulher. Na vida passada, na outra e na outra. Desta vez Papai do Céu quis mudar um pouco para me dar um descanso e economizar um pouco com maquiagens, absorventes, anticoncepcionais e outras coisas que nem existiam na época, mas, com todo o respeito que tenho por Ele, errou!
Hoje gasto com tudo isso. E o pior! Tenho que gastar com o sapo também.
Espero que na próxima vida esse erro seja reparado e que eu volte com a embalagem que sempre tive: DE MULHER.
Talvez eu não tenha sido clara na minha informação, então vai:
Na próxima vida quero vir mulher, preferivelmente LINDAAAAA e RICAAAA. Se não for assim, prefiro voltar homem e continuar crossdresser.
17. Marcely France: (2)
Muito boa a pesquisa e a resposta obviamente é a 2. Se pudesse nascer mulher, desejaria no mínimo ser normal, em um país agradável. Já pensaram nascer mulher na África e ser castrada ainda menina?
Porém, somente justificaria nascer mulher se eu conservasse a minha memória atual, do contrário seria apenas uma mulher sem lembranças como é ser homem, de como lhe é gostoso ter um vestido escorregadio sobre a pele, sentir a pressão de um sutiã que só usa em algumas ocasiões. E se porventura uma mulher que gostasse de outra mulher, sem as recordações da vida passada, seria o mesmo que sou, com o mesmo imbróglio de hoje.
Será que num futuro distante será possível trocar de mentes e corpos, como vemos em alguns filmes? Aí o nosso clube se chamaria BCC (Brazilian Changes Club). Congregaria homens que desejariam passar algum tempo num corpo de mulher e mulheres com vontade de sentir como é ter um corpo de macho. Iríamos para as CDSessions bem arrumados, perfumados, mas de sapo, e lá trocaríamos de corpo com a nossa parceira e ficaríamos conversando, bebendo... E se ela (ele) quisesse uma experiência, poderíamos sair sem problemas. Afinal, carnalmente falando, estávamos amando a nós mesmas.
18. Kelly Silva Neta: (1)
Não tenho dúvida no meu caso.
Alternativa 1 (UM).
19. Isabel Valls: (1)
Eu também tenho as vezes essa mesma idéia: Que aconteceria se eu nascesse de novo como uma mulher? Nesses momentos fico pensando no que aconteceria comigo, mas só poso achar a alternativa 1.
20. Karen Klauss: (1)
Sobre a pergunta se fosse possível eu nascer de novo como mulher simplesmente, ou como mulher bela, minha resposta é: 1 (simplesmente mulher)
21. Ana Claudia Bellini: (1)
Fico a com a opção 1. Às vezes me pego em pensamentos frustrantes de não ser mulher e também se sentir mulher. Ter cólicas, TPM, parir e tudo o que envolve o universo feminino, faz parte da natureza, como nós, como sapos também temos todas as situações desagradáveis inerentes à condição de homem.
22. Márcia Regina Moreira: (1)
Fico com a alternativa 1. De preferência uma versão feminina de mim mesma.
23. Denise Taynáh: (1)
Fico com a alternativa 1.
Nasci CD me preparando para renascer mulher. Por isso me cuido e vou aprimorando meu CDing.
Daí então se for gordinha, vou malhar 5 vezes por semana.
Não vou ser nariguda, porque já vim assim como CD.
Se tiver peito pequeno, silicone neles.
Se for grande demais, o tetra-neto do Pitanguy vai ter que dar um jeito.
Mas se for vesga, não vai ter jeito vou ser CD invertida, me associar ao BCC do BCC e ser sempre virtual, que é para ninguém saber que nasci com a "instalação trocada".
Enquanto isso, vou vivenciando e aprimorando a cada segundo o meu Crossdressing, porque como já disse alguém: O mundo é como um espelho que devolve a cada pessoa o reflexo de seus próprios pensamentos.
Seja lá qual for o planeta que eu voltar, vou ser linda, gostosa e de preferência, mulatinha de novo.
24. Ana Luiza Müller: (2)
Fico com a alternativa dois. E justifico minha resposta com a percepção de que a mulher que existe em mim é objeto do meu amor. E não outra.
Resultado da pesquisa:
11 respostas (1) e 13 respostas (2).
Estatisticamente este número de respostas em um universo de mais de 800 pessoas, é quase insignificante. Isto quer dizer que, baseadas somente nestes números, não podemos considerar como amostra. Com isso não temos valor da normal, nem as tendências.
Comentário de Suzy Kelly: Os analistas do IBOPE não concordam com o escrito pela Ana Luiza no parágrafo anterior. Eles dizem que, num universo de 180 milhões de brasileiros, ouvem apenas perto de 2 mil pessoas, espalhadas em 143 cidades, e que a margem de erro é de somente de 2%.
Porém, usando da sensibilidade que temos, vemos que mais ou menos um pouco mais da metade das CD’s se sentem impulsionadas ao Crossdressing, através do desejo, e pouco menos da metade através de crise de identidade.
Nos relatos internacionais, esta relação é muito maior para o lado da autoginecofilia, ou transexualidade heterossexual (pessoas do sexo masculino, transgêneras cujo objeto sexual é do sexo oposto [heterossexual] e está dentro [auto] de si), do que para o que chamam de transexualidade homossexual (pessoas do sexo masculino, transgêneras, cujo objeto sexual esta fora de si e é do mesmo [homossexual] sexo), (que se refere à crise de identidade de gênero).
Comentários importantes:
1. Qualquer que seja a posição, se 1 ou 2, as pessoas que fazem parte deste universo, tem no fato de desejarem pertencer ao outro sexo (seja por autoginecofilia ou identidade) um motivo de sofrimento.
2. Hoje em dia, a medicina tende cada vez mais fortemente a considerar a transexualidade um problema médico que pode ser melhorado em faixas etárias cada vez mais precoces com o realinhamento. Há defensores para este procedimento apenas na transexualidade homossexual (identidade), mas aparece na literatura cada vez defensores do realinhamento para as autoginecófilas, uma vez que o sofrimento é o mesmo e a questão do objeto sexual, mesmo que em si, não seria impedimento. Uma das grandes defensoras do realinhamento para as autoginecófilas é a Dra. Anne Lawrence de Seattle, ela própria, anestesista, realinhada após os quarenta anos, com filhos.
3. Vemos em nosso clube, uma participação importante de jovens, que potencialmente guardam chances de ver seus destinos melhorados pelos posicionamentos mais liberais da sociedade. O clube aqui pode ajudar com aporte de informações e ajuda de conselheiras, o que vem fazendo de forma admirável por trabalho e vontade de ajudar de muitas de nossas associadas.
4. Há entre nós, porém, um número considerável de associadas com idade acima do “meio da vida” com passado consolidado, seja do ponto de vista corporal, médico-psicológico, seja do ponto de vista social-profissional. Neste grupo, me incluo. O passado é rígido, enquanto o futuro extremamente flexível. Estes, porém são conceitos incertos. Mudar de forma radical estas pessoas, é muito difícil, já que a evolução amoroso-racional vivida quase não permite. As pessoas mais vividas aceitam mais, porque seria muito difícil aceitar menos.
5. É muito bom que nós nos conheçamos. É bom que possamos nos falar. Quantas de nós passaram anos absolutamente sozinhas? Agora existimos também umas para as outras!
6. E terminando como o psicanalista de Bagé: “Te segura guria, que o barco está andando”
7. Como o volume de respostas é pequeno, ficam as respostas na íntegra, aqui registradas, pois a leitura subjetiva também é fonte de conhecimento.