SETEMBRO / 2005

ALIMENTANDO O PRECONCEITO E A DISCRIMINAÇÃO II

Por Suzy Kelly

A visitante do site do BCC Padora Batista - S/O da associada Vivian Maia - escreveu-nos para manifestar seu protesto contra as pessoas preconceituosas e despeitadas. Ela gostaria que novamente comentássemos o porquê de tanto preconceito exatamente entre as pessoas que integram o meio GLBT (ex-GLS) - onde se incluem os gays e as lésbicas, travestis, transessuais e crossdressers.

A Pandora conta em sua mensagem que foi ao cabeleireiro, que costuma freqüentar normalmente, ao qual sempre considerou como pessoa muito inteligente. Conversando com ele, comentou sobre o site do BCC e ele, bem informado que realmente é, já conhecia o termo Crossdresser, por também pertencer ao grupo de diferentes, conhecido como GLBT. Entretanto, ela conta que ficou espantada com os comentários do moço quando disse que: - CD não existe, é apenas virtual!

E continuando, afirmou: - Todo homem que se veste de mulher sempre foi uma boa bicha!

- Pasmem! Eu fiquei sem palavras e me contive para não ser grosseira com ele! exclamou Pandora em sua mensagem.

E continuou: - O achei super preconceituoso e até mesmo senti um certo despeito no seu linguajar ao se referir aos CDs. Pode uma coisa destas? O cara é gay assumido e fala dessa forma!? E o pior, atacou em cheio as travestis que eu tanto adoro.

- Gostaria de saber se isso sempre acontece? E por que?

- Sabe de uma coisa? Apesar de eu ter nascido mulher, estou aprendendo a ser mais feminina com as CDs.

Querida Pandora Batista, vamos tentar responder a essas questões.

De fato essas manifestações inconseqüentes de preconceito e discriminação acontecem com insuportável freqüência  no mundo GLBT. Isto se vê até em programas de televisão com alto índice de audiência, ao vivo. Por isso, já não é mais novidade para ninguém que existem muitas pessoas tentando alimentar o preconceito que, há tempo, existe entre gays, travestis e crossdressers, o que só dificulta a aceitação desses segmentos pelo restante da população.  Da nossa parte posso dizer sem medo de errar que as crossdressers convivem normalmente com travestis, transexuais, lésbicas e gays que as aceitam.

De outro lado, você não é a primeira mulher que aprecia a aparente e verdadeira feminilidade das Crossdressers.

Sobre isso, uma repórter ou jornalista do Jornal O Globo, do Rio de Janeiro, esteve no mês de julho entrevistando duas de nossas diretoras, a Cristina Camps e a Denise Taynah, para publicar artigo ainda durante a exibição da novela A LUA ME DISSE da Rede Globo de Televisão. Diante da grande aceitação da Dona Roma, uma crossdresser que aparece na novela, o jornal está interessado em explicar tudo aquilo que já é encontrado neste site do BCC. É claro que, além de bem informar, eles também querem vender jornal. Por isso não há interesse em aconselhar apenas que os leitores do jornal entrem no site do BCC e leiam todas as explicações sobre o mundo das crossdressers.

Nosso site sempre recebe elogios, inclusive de catedráticos, pesquisadores e estudiosos da psicologia e da psicanálise, o que também deve estar acontecendo com o GGB - Grupo Gay da Bahia, que trata do seu segmento com a maior seriedade. Porém, muitas pessoas dos grupos de GLBT ainda não conseguiram entender que o preconceito só atrapalha todo e qualquer relacionamento e todo e qualquer trabalho de promover o reconhecimento e a aceitação dos diferentes pelo público. Por causa da seriedade que a Rede Globo está tratando o assunto crossdresser é que está acontecendo a grande aceitação da Dona Roma da novela.

Tendo como principal motivo o preconceito demonstrado pelo cabeleireiro, que acontece mais nos meios GLBT do que no público em geral, as crossdressers não aparecem nos meios de comunicação para falar de sua causa. Preferem apenas deixá-la bem clara e evidente em seu site.

No final mês de agosto próximo passado, no programa "Super Pop", da RedeTV, a apresentadora Luciana Gimenez anunciou que queria a presença de crossdressers em seu programa e nenhuma apareceu. Segundo minha S/O, que não aceita plenamente as crossdressers, as falas não foram essencialmente amistosas. Partes do citado programa de televisão foram retransmitidas no dia seguinte durante o programa "A Casa é Sua".

Creio que somente a Rede Globo está dando um sentido sério e amistoso para os homens que se vestem com roupas e adornos femininos. Isto está acontecendo na novela "A Lua Me Disse", que consta no nosso site em NÓS NA MÍDIA.

Aproveite e veja a entrevista do Ator Miguel Magno que interpreta a Dona Roma, quando responde à pergunta: - Sua percepção do mundo feminino mudou com a personagem?

E ele respondeu: - Eu estou mais sensível, me emociono mais.

Os preconceituosos devem meditar sobre o nosso recado a seguir:

AMAI-VOS UMAS ÀS OUTRAS


Charge de Diana Maria Casadana - Uma crossdresser veterana.