
AGOSTO / 2005
FOFOCAS E NOTÍCIAS INTERNAS
PASSANDO BATIDA
Por Vera Lúcia Jardim de Brito
Vou relatar pensamentos recentes que têm ocupado minha cabecinha, envolvendo a questão do "passar batida".
Como vocês sabem, sou muito observadora e a questão dos detalhes que nos faz chamar mais ou menos atenção são alvo de minha constante reflexão e constatação.
Por causa disto, hoje em dia, a chance de ser reconhecida como sapo diminuiu bastante em função ds roupas que escolho para determinado ambiente. Por exemplo, tenho minha "roupinha de shopping center": uma camisa feminina de manga comprida vermelha, um pouco transparente, que uso com sutiã vinho, uma calça preta (mulher a-do-ra calça preta) e um sapatinho preto fechado ou channel. É tiro e queda, funciona muito.
Outras são as "roupinhas casuais para sábado de manhã": camiseta de malha bali (que destaca bem os seios) ou blusinha discreta de alcinha, calça jeans (de cós alto - sempre!!!!!) cigarrete ou saia jeans 5 cm do joelho, um pouco rodada e sapatilha baixa de couro.
Com esta experiência, tenho vivido muito a situação de não-reconhecimento. Não vou ser "metida a besta" dizendo que não tem graça. Tem e muita!
É um sonho de todas nós. é uma sensação maravilhosa ser chamada pelo gerente da drogaria ARAUJO de "Dona Vera" (quando fui trocar meu colorante de cabelo.
Mas vamos ao tema desta. "Passar batida" também tem seus pontos negativos. Em primeiro lugar, restringe muito nosso guarda-roupa. Ficamos usando aquelas roupas caretas de "doninha bem-casada". Nada de sensualidade, nada de provocante. Em segundo lugar, a chance de encontrar um namorado ou uma namorada é mínima! Se os homens se interessam por você, o que não é comum (por causa da roupinha careta e da concorrência feminina), eles não querem uma CD, querem uma GG! Alguém se arrisca a fingir ser mulher ao lado de um garotão sarado que gosta de mulher? Já pensou o perigo?
No caso das mulheres então, nem se fala. Tirando a chance de se cruzar com uma lésbica, nenhuma, ne-nhu-ma vai olhar para você a não ser para criticar com os olhos alguma peça de roupa meio inadequada.
Estão vendo, nem sempre o paraiso é assim tão maravilhoso.
PASSANDO BATIDA
Por Magaly Sanches
Acho que todos, senão a maioria, procuram o "passar batida". Cada uma ao seu jeito, ao seu estilo, à sua situação emocional.
Como sabem, sou casada e agora estou cada vez mais sendo aceita pela esposa... que ainda não a considero como minha SO, mas que pode chegar a ser.
Eu procuro meu "passar batida" somente pela realização pessoal de estar em femme, em cima do salto e caminhar pela cidade.
Sou muito observadora e sempre procuro o estilo mais discreto, menos chamativo, pois como meu interesse não é mexer com ninguém. Só espero respeito por quem cruzo.
Estou convencida que nunca passarei totalmente batida, mas sempre procuro a perfeição.
Esta semana mesmo fiz um viagem a São Paulo. Tinha de ir alguns lugares a serviço e voltar a noite para o interior.
FOI ASSIM:
Precisava passar na USP e numa empresa na saída da Imigrantes. Planejei tudo nos mínimos detalhes, pois faria 2 (DUAS) montagens no mesmo dia.
Acreditem a que ponto chega a vontade de passar umas horas montada, pois já fazem 2 a 3 meses que não saio. Também aqui onde estou morando não é possível. Então tenho de aproveitar o máximo quando pinta uma viagem.
Eram 5 da manha, quando acordei, já fazia aquele friozinho pré-inverno. Tomei banho, fiz a barda com muito cuidado, tirando o máximo, pois até o final do dia teria de estar maquiada. Tudo já me esperava no carro (roupa e acessórios). Só peguei uma toalha de rosto e um espelho. Dei um beijo na esposa e sai de casa as 6, mas a uma quadra de casa parei o carro para me montar, onde parte das coisas já havia colocado em casa mesmo. Em 25 minutos fiz a maquiagem, coloquei os acessórios, salto e peruca.
Propositadamente, deixei para abastecer naquela manhã, assim aproveitava para parar num posto dentro da cidade mesmo. Peguei a Rodovia Bandeirantes rumo à São Paulo, fazendo um pit-stop em todos os postos para pegar uma água ou tomar um café. Só como desculpa para descer um lugares público.
XI!!!! Deu uma vontade louca de fazer xixi. E ai arrisquei um banheiro feminino na parada que fiz no shopping Serra Azul, que fica sobre a rodovia, ao lado Hoppy-Hari (nao sei se é assim que escreve). Como eram 7:40 da manhã e haviam poucas pessoas circulando, entrei como um tiro no banheiro, depois 2 senhoras entraram. E eu quietinha, sentadinha fazendo meu xixi. Dei um tempo mas como a conversa delas não acabava, sai da cabine, lavei as mãos rapidinho e passei como outro tiro por elas.
De volta a estrada, ainda parei no Frango Assado em um Grahal. Como era dia da minha placa de carro não circular em Sampa, entrei pelo anel viário, na rodovia Raposo Tavares e depois cheguei a USP. Na chegada a USP, já vinha me desmontando. Só deixei para tirar o lápis do olho num banheiro de um prédio da Geografia. Já eram 9h quando fui revolver duas coisas na cidade universitária, pois só podia sair de lá a outro destino depois das 10h. Fui para região sul resolver outro problema, mas tinha de voltar na USP antes de ir embora. As 14:20 estava pronta para voltar para o interior, mas queria fazer a volta montada novamente. Procurei um estacionamento mais tranqüilo na USP e fiz tudo ali mesmo. Em 40 minutos estava pronta. Ai pensei no que fazer. Decidi ir a shopping Ibirapuera. Peguei Av. Bandeirantes e fui. Desci e andei por todos os andares, parei num café, pedi e sente bela e formosa para tomá-lo. Claro que era observada por muitos, mas sempre bem tratada. Até por "senhora... deseja o que?".
Precisava sair de Sampa antes das 17h para não ser multada. Mas na saída do shopping, sabia que a 2 quadras tinha um loja de sapatos de nome ANABELA que já havia namorado outra vez. Decidi comprar um salto, montadinha. Entrei na loja, haviam 4 vendedoras e nenhum cliente. Que sorte!! Como os sapatos ficam todos na prateleira, cada um que pegava, vestia e ia até um espelho enorme na parede. Que delicia!!! Foram 5 pares que experimentei, até que resolvi ficar com um tamanco de madeira (assim que tiver fotos dele colocarei no meu site).
Às 16:45 estava entrando na estrada Bandeirantes novamente. Fiz o percurso fazendo a mesma coisa, parando em todos os postos. Na metade da viagem decidi pegar um trecho da Rodovia Anhangüera, depois de Campinas, assim poderia fazer a desmontagem num posto mais próximo de casa.
É isso meninas!!! Resolvi aproveitar o gancho da Vera para contar esta real aventura da Magally.
Como disse, jamais passarei totalmente batida, pois são muitos os traços masculino que não negam a minha origem. Mas, como sempre digo, o importante são os momentos vividos e realizados. A satisfação interna é que conta.
Atualizada em 05/08/2005