AGOSTO / 2005

ALIMENTANDO O PRECONCEITO E A DISCRIMINAÇÃO

Por Suzy Kelly

É incrível que depois de toda essa grande revolução nas telecomunicações, da informação através da internet e das campanhas contra o preconceito e a discriminação, que vivenciamos nos últimos anos, ainda exista tanta gente disposta a alimentar o preconceito e a discriminação.

Também é incrível que os transgêneros, que, confinados em seus guetos de qualificação, de um lado lutem pela não discriminação, enquanto outros façam questão de discriminar seus semelhantes de outras categorias.

Os grupos qualificados em categorias são os de gays, lésbicas, travestis, crossdressers e transexuais (estas subdivididas em operadas e não operadas).

O pior é que, mesmo existindo a perseguição legal aos preconceituosos e discriminadores, muitos destes se arvoram em aparecer nos meios de comunicação criticando os demais também transgêneros. O demonstrado preconceito talvez seja mais um problema de egoísmo do que propriamente de discriminação. É aquela velha história dos indivíduos querem ser mais do que o outro só porque têm mais escolaridade ou porque têm mais dinheiro ou porque tem melhor emprego.

Enquanto que os meios de comunicação, assim como as demais empresas, passam paulatinamente a contratar maior número de diferentes e até são desenvolvidos filmes, novelas e apresentações teatrais no sentido de diminuir o preconceito, existem muitos querendo fazer o contrário. E muitas dessas pessoas estão justamente entre os transgêneros.

Vejamos alguns exemplos.

ORKUT

Noutro dia uma das associadas do BCC descobriu no ORKUT um grupo de travestis, transexuais e simpatizantes que taxativamente não aceitavam entre eles a participação de crossdressers, denominando-as como praga. Até parece que estas estão querendo tomar o lugar daquelas, o que não é verdade, pois há espaço para todos e cada um dos grupos tem horizonte de vida completamente diferente do outro.

Diante desse fato, algumas associadas do BCC sugeriram que o nosso clube também tivesse um grupo no ORKUT. A diretoria, porém, deliberou contra esse intento. Afinal, para informar ao público já temos o site do BCC, que está no ar desde 1997.

Ao contrário do possam pensar, a opção pela não participação no ORKUT, nada tem a ver com preconceito ou discriminação. O BCC já tem seus grupos de correio eletrônico, dos quais participam as associadas admitidas no clube de conformidade com o Regimento Interno em vigor. A grande diferença é que o BCC também aceita outras categorias de transgêneros.

Existe no BCC uma Comissão de Ética e Avaliação que cuida para que o Regimento Interno seja observado. No ORKUT não há esse critério. Qualquer participante ao seu bel prazer pode convidar pessoas que podem colocar em risco os demais participantes.

Justamente para diminuir esse risco, o BCC possui dois grupos de correio eletrônico, que também não é discriminatório. Um para associadas virtuais e outro para associadas reais. As associadas reais são aquelas conhecidas pessoalmente por uma ou mais associadas do clube, que, à sua opção, também podem participar do grupo de associadas virtual. As virtuais são aqueles que se conhecem apenas através da internet, tal como no ORKUT. E o BCC constantemente estimula e apresenta facilidades para que as virtuais se tornem reais.

Uma das S/Os (esposas e companheiras de crossdressers), no grupo de correio eletrônico do BCC destinado especialmente a elas, chegou a declarar que esteve em diversos grupos no ORKUT na tentativa de discutir os problemas por ela enfrentados com o jeito de ser de seu marido. Entretanto, nos grupos que freqüentou encontrou apenas pessoas com outros propósitos que não eram o de discutir o “crossdressing” (o jeito de ser das crossdressers). Essa discussão ela encontrou apenas no BCC.

PROGRAMA SUPER POP

Neste passado mês de julho, num dos programas “Super Pop”, apresentado pela Luciana Gimenez na RedeTV, transexuais e travestis se digladiaram, umas se dizendo melhores do que as outras. Uma vergonha para os transgêneros, que assim demonstram uma inconseqüente desunião, quando todas deveriam estar unidas para que se possa conseguir a credibilidade e o respeito popular.

É justamente em razão dessa desunião, que principalmente alguns comediantes se apresentam na televisão, no cinema e no teatro de forma caricata, depreciando as atitudes dos diferentes.

CONCLUSÃO

Enquanto alguns tentam conquistar as multidões, outros fazem de tudo para estragar os relacionamentos amistosos.

Precisamos que todos entendam que o reconhecimento público só se consegue com união, respeito ao próximo e com comportamento apropriado nos lugares que freqüentamos.

Por isso, torna-se pertinente o painel idealizado por nossa associada Diana Maria Casadana, a seguir:

AMAI-VOS UMAS ÀS OUTRAS