
MAIO / 2005
ESPAÇO S/O
CONFISSÕES E REFLEXÕES DE UMA S/O
Por Miss Taylor - S/O de Juliana
Conhecer a Juliana foi um encontro a algo que eu sempre apreciei e que acabei ocultando atrás do preconceito, ou melhor, da ignorância de imaginar que isto estava fadado apenas aos homossexuais. Surpresa: Sou apaixonada por um travesti???
Eis a questão.
Eu amo a arte que a Juliana pratica, aliás, hoje a praticamos juntas, a arte de “estar” mulher. Mas amo também o homem que pratica esta arte e que transita entre os dois sem perder suas características masculinas. O genial e excitante da prática crossdresser é exatamente isso, andar por ai sabendo que ninguém imagina o que fazemos. Às vezes o sapo da Jú está com lingerie por baixo da calça social, o que eu acho o máximo, e ninguém sabe disso, porque sua aparência não é alterada por isso.
Outro dia perguntei a Jú se ela gostaria de ter nascido uma mulher ou se queria ser uma mulher em tempo integral. Ela definiu o Cding pra mim com uma resposta simples: “eu adoro ser homem, gosto da minha vida de sapo e não trocaria isso para ser uma mulher, eu curto estar mulher, sentir as roupas de uma mulher em mim, a maquiagem, mas isso não me faz querer ser uma mulher 24 horas”.
Sobre a discussão sobre hormônios e CDs homossexuais, quer saber?
No fundo alguns CDs são extremamente preconceituosos e não querem pertencer as classes já tão "afamadas” e “marginalizadas” dos travestis e das transexuais. Mas, querer ser uma mulher em tempo integral, usar hormônios para mudar suas formas físicas e tudo o mais que mude “definitivamente” suas características masculinas, os coloca numa dessas categorias: Travestis ou Transexuais.
Não tem nada a ver com opção sexual, mas apenas com o que se quer ser. É possível ser um homossexual CD, porém, sem que se queira transformar a aparência.
Definitivamente, para mim, ser CD é praticar a arte da transformação de gênero de forma não definitiva. É como no ilusionismo: o coelho apenas “parece” sair da cartola.
Atualizada em 30/04/2005