
ABRIL / 2005
FOFOCAS E NOTÍCIAS INTERNAS
BRIGANDO COM O ESPELHO
Por Paula Andrews
Outro dia eu conversava com a Diana e o assunto chegou na idade; Diana dizia-me que com a idade e o espelho a mostrar-nos uma imagem que não é exatamente aquela que gostaríamos de ver, vamos ficando desestimuladas a montar-nos, a produzir-nos. Essa não é exatamente minha opinião; contra-argumentei concordando que realmente o espelho é um algoz terrível, contra o qual é difícil lutar. Mas continuei, dizendo que a idade é inevitável e acrescentando que na verdade devemos é nos ajustar a idade, caso contrário não seriamos realmente CDs, ou TGs ou MNGs ou TVs. Seriamos apenas homens fetichistas. A conversa foi e voltou, argumentos, desejos, fantasias, vivências, vontades, de parte a parte , etc, etc. Lembramo-nos que a maioria das "reais" já não são crianças, que tem de 45 para mais anos e que muitas das "virtuais" usam como argumento a idade e os danos que essa megera produz no corpo para de certa forma justificar sua "virtualidade"; seu "armário".
Aí então começamos a falar das divas que envelheceram. Separando as que simplesmente ficaram velhas e muitas vezes para fugir da idade só "emperuaram", das envelheceram como Divas; com as marcas do tempo (mais ou menos disfarçadas) e ainda assim femininas, glamurosas, plenas de "attractiveness".
E como todas nós mais cedo ou mais tarde estaremos por lá (vamos ver quem é que "segura-o-rojão" e continua "em-cima-dos-saltos" quando a idade cobrar seu inevitável tributo) achamos que seria muito legal construir O Panteão das Divas Seniors, afinal ser bonita e gostosa (e isso vale para crossdressers também) quando se é novinha, até os 30/35 anos, quando ainda não tem rugas, tá tudo durinho, o cabelo não caiu, etc, etc, não tem vantagem nenhuma "né" santa?
E começamos nosso Panteão com uma senhora de 62 anos que neste último Carnaval pôs-vários-pingos-nos-is...(em tempo; só entra no Panteão quem já tem pelo menos 60 anos)
BRIGANDO COM O ESPELHO II
Por Márcia Regina Moreira
A Paula levantou um tema que eu considero de muita importância para todas
nós, jovens ou velhas. Afinal, o tempo passa inevitavelmente e os nossos
conceitos estéticos precisam se adaptar a uma realidade que muda constantemente.
Não podemos ficar nos comparando com as mulheres genéticas jovens e que estão
com tudo em cima, mesmo que não sejam belas. Elas também ficam velhas. E nós,
quando a idade chegar, deixaremos de ser MNGs? Deixaremos no passado a nossa
vida de crossdressers, como uma terna lembrança de um tempo que passou e que não
volta mais? Será isto possível? Ficaremos enrugadas, nossos cabelos ficarão cada
vez mais ralos, talvez uma teimosa barriguinha saliente, isto tudo é certo, o
efeito da gravidade é desconcertante; mas não estaremos mortas, talvez
até muito saudáveis!! E a mulher que sempre existiu em nós continuará
viva e cobrando exposição. Caso contrário, que diabos nós éramos, fetichistas
ocasionais como disse a Paula?
Admito que não é fácil - tenho experiência - olhar-se no espelho e se achar
ridícula: um velho vestido de mulher!? Nada disto: sou MNG idosa e pronto.
No final do ano passado eu escrevi um comentário a respeito do mesmo assunto, que retransmito para vocês:
"Sou sessentona!!!
Confesso que a idade, e a autocrítica decorrente do meu perfeccionismo em relação à imagem refletida no espelho, retardou, em muito, a minha passagem para o mundo real. Mas, depois de muito pensar, tentando vencer meu próprio preconceito estético, concluí, como óbvio, que não se trata de um concurso de beleza; de uma competição entre jovens e "guapas" garotas, mas da realização de uma necessidade íntima e inalienável de libertação. Afinal, velhas ficaremos todas. E depois, quando o espelho, espelho meu (existe mulher mais bonita do que eu?), disser que existem, sim, CDs mais belas e jovens do que eu, que fazer? Vamos para as ruas olhar as mulheres, não as jovens e "gostosas", mas as senhoras em suas diversas idades, seu mau-gosto (freqüente) para se vestirem, muitas vezes desleixadas pela perda da auto-estima, mas, enfim, mulheres para as quais o tempo passou, inexorável. Mulheres apenas, sem mistificação.
Então, amigas, em conclusão: cruzei o Portal 2 como uma realização, uma vitória sobre os meus próprios preconceitos estéticos, e, porque não dizer, como um ato de humildade."
Atualizada em 29/03/2005