JANEIRO / 2005

SAIU NAS REVISTAS E NOS JORNAIS

LEI ANTIDISCRIMINAÇÃO SEXUAL CORRE RISCO

Por FABIO SCHIVARTCHE - Folha de São Paulo

Deputados paulistas aprovaram em comissão da Assembléia projeto que revoga uma lei estadual que pune autores ou promotores de discriminação sexual.

A proposta, do deputado estadual Afanasio Jazadji (PFL), foi aprovada na Comissão de Constituição e Justiça na última quarta-feira. Votaram pela legalidade do projeto três deputados: Ricardo Tripoli (PSDB), Baleia Rossi (PMDB) e José Bittencourt (PTB). Votaram contra os petistas Mauro Menuchi e Vanderlei Siraque. O texto ainda será analisado por outra comissão e pelo plenário da Assembléia.

A lei em questão é a 10.948, aprovada em 2001. Ela pune com advertência, multa ou até a cassação da licença de funcionamento (se for um estabelecimento comercial) qualquer manifestação atentatória ou discriminatória contra cidadãos homossexuais, bissexuais ou transgêneros.
Foi com base nessa lei que seis estabelecimentos foram punidos nos últimos três anos. O caso de maior repercussão ocorreu no ano passado no shopping Frei Caneca, no centro, quando um segurança repreendeu um casal de homossexuais que se beijava.

Afanasio Jazadji diz acreditar que a lei 10.948 é desnecessária. Para ele, a legislação atual abre uma brecha para que "as minorias possam se sobrepor à maciça maioria da população", afirmou o deputado. "Não sou contra homossexual. Sou contra aquele que quer agredir a maioria. Eles têm que se comportar como minoria."

O projeto do deputado vai agora para a Comissão de Direitos Humanos, que analisará o mérito da proposta. O deputado Renato Simões (PT), presidente da comissão e autor da lei que Jazadji quer revogar, designou como relator o também petista Ítalo Cardoso, da Frente Parlamentar pela Livre Expressão Sexual. Ele deve fazer um parecer contrário ao projeto.

Defensores dos direitos da comunidade GLBT (Gays, Lésbicas, Bissexuais e Transgêneros) já se movimentam para barrar o projeto. Estiveram ontem com o secretário da Justiça, Alexandre de Moraes, pedindo para regulamentar a lei 10.948 e facilitar sua aplicação. "A lei tem ajudado na análise prática dos casos de discriminação. Vou ampliar os locais para recebimento de denúncias, principalmente no interior do Estado", prometeu Moraes.

Dias atrás, a Assembléia do Rio de Janeiro rejeitou um projeto de lei que previa auxílio do governo a homossexuais que voluntariamente quisessem tornar-se heterossexuais.

"Proposta Homofóbica"

Reinaldo Pereira Damião, o organizador da Parada Gay, que reuniu 1,8 milhão de simpatizantes em São Paulo em junho último, criticou o projeto do deputado Afanasio Jazadji. "Para ele, nós somos uma aberração. Ele quer derrubar nossas conquistas. Mas acredito que a Assembléia paulista barrará sua proposta", afirma.

O deputado estadual Renato Simões (PT), autor da lei que estabelece as penalidades para quem discriminar homossexuais, não acredita que a Assembléia Legislativa aprove o projeto de Jazadji. "É uma proposta homofóbica", afirma.

HUMOR e DIVERSIDADE SEXUAL PARA O POVO!!

Estréia essa semana na *Estação República do Metrô de São Paulo a exposição "Humor Tamanho Família" que retrata com humor a relação gays/família através dos personagens de /mundinhos.com/, dos cartunistas Toy & Novais, com abertura de Laerte.

Projeto pioneiro, com apoio da Ação Cultural do Metrô-SP, mostra com humor a diversidade sexual para o grande público. E bota grande nisso! Gente de todas as idades, sexos, lugares, raças e classes. E o objetivo é esse mesmo: divertir cutucando o preconceito, passando uma mensagem de tolerância, amor e humor; fazer o povo rir com os gays (e não dos gays, como de costume), desmistificar, humanizar, trazer pra perto. Com sinceridade, sem caretice, e com momentos de sarcasmo rachado!

A escolha da Estação República não poderia ter sido melhor. Vizinha à badalação da Av. Vieira de Carvalho; local de encerramento da Parada; palco de crime contra gays no passado, e local de trabalho e trânsito de centenas de milhares de pessoas, só temos a agradecer ao Metrô-SP pela oportunidade, pela coragem e pelo apoio. Viva a Diferença!*

Quer ver? É só dar uma passadinha pela área interna da Estação República.

De 08 a 30 de janeiro.*

O RENASCIMENTO DE ANGELA RO RO

Ela eliminou 61 kg sem operação de redução de estômago, sem remédio, sem dietas

Por Christianne Valente

Buscou nos conhecimentos da alimentação naturalista e reeducação alimentar o caminho para a saúde.

Livrou-se das drogas, do álcool e do cigarro.

Parou de brincar com a vida e renasceu.

ENTREVISTA AO CYBER DIET

Sempre esteve fora do peso?

Sempre tive tendência a engordar, isso graças a alimentação exagerada desde a infância. É claro que coberta de boa intenção dos meus pais.

E foi assim na vida adulta também?

Na minha mocidade tive atitudes idiotas e burras. Além da alimentação errada, comecei a beber e me tornei uma alcoólatra. Brinquei de fumar e me tornei uma tabagista. Depois de velha comecei a me drogar.

Tudo isso provavelmente numa vida sedentária?

Completamente sedentária e otária (risos). Minha vida era toda errada. Não em matéria de criação, arte, bichos, gente. A década de 90 foi quando arrebentei a boca do balão e ainda perdi meu pai e minha mãe.

O que fez você dar uma guinada?

Minha vida estava impraticável. Tudo estava ruim. Escorregava sempre, caía no banheiro. Não conseguia cantar porque não tinha fôlego. Eu estava toda hora morrendo e pensei: não tenho outra coisa melhor para fazer a não ser morrer? Porque a vida é assim. Ou você vive ou falece mesmo. “Eu estava sobrevivendo, agora vivo!"

Como foi a virada?

Busquei dentro de mim todo o outro lado que não conhecia da minha personalidade. Acho que por isso fui de cabeça em tudo. Realmente passei a vida sem saber quem eu era. Foi preciso ir ao inferno.

E o que você pretendia? O que esperava?

Eu queria apenas me curar e ter uma sobrevida, porque achei mesmo que iria morrer.

E o que conseguiu?

Livrar-me dos vícios e encarar a vida de frente. Agora não tomo mais porre para encarar as minhas paranóias.

Como foi o processo de emagrecimento? Teve ajuda médica?

Simplesmente me lembrei da contra-cultura hippie já que fui da primeira geração de hippies. Busquei o naturalismo, o macrobiótico. E fui pedalar. Parecia uma tri-atleta (risos)! Dava volta na Lagoa (Rodrigo de Freitas, Rio de janeiro), subia e descia morro.

E quanto tempo durou?

Ainda dura! Comecei em 2000 e tenho consciência que vou ficar em manutenção a minha vida
toda. Agora estou no processo das operações. Estou com 59 kg, mas ainda tenho muita pele para tirar. A próxima operação será nos seios. Porque os seios têm lugar certo para ficar, não é? Não é no umbigo, no chão (risos)... Eles estão me dando muito problema na coluna. Minha busca é por saúde e não por estética. Hoje, sigo completamente as orientações de uma equipe médica que
está cuidando desse processo das minhas cirurgias plásticas.

A que peso chegou?

Quase 120 kg, não tenho muita certeza. Tinha vergonha de ir ao médico para me pesar.

O que pensa quando olha para trás e vê o que conseguiu?

Tive a chance de escolher. Eu estava sobrevivendo, agora vivo! Pela primeira vez na minha vida tenho orgulho do que sou. Antes estava sempre brincando com a vida. Hoje estou preocupada em viver. “Só nos resta viver...”