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Edição Novembro/Dezembro 2007 |
| EXPEDIENTE Direção Geral: Kelly Silva Neta Editora Chefe: Vera Lúcia Jardim de Brito Editora da Causa CD: Letícia Lanz Correspondente Estrangeira: Carla Mel Formatação e Publicação: Déborah Cristina (Debbi)
Algumas pessoas são imprescindíveis, já dizia Brecht. Na minha vida, conheci algumas, dentre elas nossa querida Diana Maria. Lembro-me do nosso primeiro contato, em 2003: eu enviara minha ficha de inscrição para o BCC em finais de março e aguardava a resposta. Diana era da Comissão de Ética e Avaliação (CEA). Como a resposta demorava mais de dois meses, eu já estava apavorada, achando que algo tinha saído errado. Escrevi para o clube e ela respondeu prontamente, me tranqüilizando: "Querida Vera Lúcia, sua inscrição no BCC foi aprovada e você já deve estar implantada em nosso Quadro. Passe a participar do nosso Forum para se tornar uma associada ativa." Logo em seguida, apoiou minha ida ao HEF, tomando as providências e me encaminhando para a Suzy Kelly e Paula Andrews. Era o começo do nosso relacionamento e de minha admiração por ela. Este carinho e cuidado que Diana teve com uma novata desconhecida não foram esporádicos. Sempre acolheu a todas que a procurassem, incentivando, elogiando e esbanjando carinho, não só em palavras, mas também na forma de seu maravilhoso trabalho de fotomontagem, onde lindas mulheres cedem seus corpos perfeitos para se acoplarem aos nossos rostos não tão perfeitos de CDs e alimentar nossa alma de sonhos... Foram inúmeros os trabalhos (veja na seção A Arte de Diana Maria), desde quadros de divas em vestidos suntuosos até calendários apimentados no melhor estilo “oficina mecânica”, passando por capas de revistas imaginárias e posters de artistas em anúncios de espetáculos. No cotidiano das mensagens do nosso fórum, Diana sempre esteve presente. Ora levantando o astral de alguma deprimida ou tresloucada, ora incentivando a participação das novatas, ora fazendo piada com as manchetes do dia-a-dia, ora discutindo nossos rumos ou repassando sua sabedoria de vida em geral e crossdresser em particular. Não lhe escapavam nem as grandes questões nacionais como, por exemplo, a questão do desarmamento (que foi contra) ou a repressão aos fumantes (que também é contra). Mas sempre dentro do espírito de diálogo e imenso respeito pelas opiniões contrárias e por seus antagonistas. Tudo isso lhe rendeu o carinhoso apelido de tutora-mor dado pela Denise Taynah.
Nos assuntos internos do BCC, a ética e a democracia sempre nortearam suas ações. Estando na diretoria ou na CEA, nunca vi Diana se considerar superior a ninguém ou dona da verdade. Nunca tomou uma decisão autoritária. Nunca foi prepotente. Sempre permitiu uma segunda chance aos que erraram. Sempre acreditou no ser humano. Maior que sua ética, só sua compaixão e generosidade: desde o auxílio financeiro para CDs carentes irem a eventos até a solidariedade às que sofriam da alma ou do corpo. De personalidade extrovertida e alegre, comunicativa e ostentando uma história de vida nada convencional (como CD e como sapo!), Diana domina a cena: onde quer que chegue, logo se forma uma roda para ouvi-la. Tem também uma veia teatral de primeira grandeza. Quem não se lembra do delicioso DiFrog, no show de aniversário do Rio Ladies em 2004 no clube OK, comandando as “Les Croissants Girls” ou do mágico que transformava sapos em princesas no HEF 2005? Hoje, a saúde não sorri para Diana. Profundamente abalada desde a perda da inestimável companheira de 10 anos, nossa querida enfrenta há dois anos uma doença grave que lhe rouba as forças e a alegria de viver. Mas não se entrega. Amante do mar, mudou-se para Camboinhas. Lá, de frente para a imensidão e envolta em suas memórias, Diana busca energia para continuar lutando. Sob as bençãos e a proteção da Deusa Cibele... Neste mês de Natal, uma pequena homenagem à nossa querida Diana Maria. Para ela e todas nós, UM FELIZ NATAL, com muita PAZ e SERENIDADE. E um ANO NOVO de muitos sonhos e realizações para todas vocês! CLIQUE AQUI E CONHEÇA UM POUCO MAIS DE DIANA MARIA EM ARTE E FOTOS INTERNACIONAL Aqui no EUA, a coisa é mais ou menos assim: Para entender melhor os eventos nos Estados Unidos, cabe primeiro dizer que: -Americanos gostam de conviver em clubes. As associações de lá têm um monte de convenções e reuniões de todo tipo. - Crossdressers americanas já se reúnem em clubes há mais de 50 anos. O clube mais antigo, dizem, foi o Full Personality Expression, ou FPE, fundado em 1961 e que mais tarde se fundiu com o TRI-ESS. Para se ter uma idéia, 1961 é também a data da fundação da nossa querida turma OK no Rio. Começarei a minha visita turistíca dos HEFs de lá pela convenção da TRI-ESS, que é o grupo mais importante de crossdressers da América (do mundo?). Holiday em femme é o nome da convenção anual da TRI-ESS. Este ano será em Phoenix, Arizona, em novembro. Não precisa ser membro do TRI-ESS para participar. Para quem não conhece esse clube, pode-se dizer que ele é muito orientado no sentido da família. Gostam de afirmar que perto de metade das CDs associadas têm SO que realmente apóiam. Existe até um foro especifico para filhos de CDs membros: o CD-Kids. E tem também convenção especifica para SOs, a SPICE, que acontecerá de 9 a 13 de julho em Houston Texas (no Hotel Hilton). Dentro do TRI-ESS, existem umas 30 regionais e cada uma organiza eventos locais. Em função do local, as convenções são mais ou menos festivas, mas no geral se tratam de reuniões com vendedores especializados no mercado CD e apresentações de palestras. O programa festivo é importante, mas é claramente orientado ao público americano: Golf en femme, teatro, etc... Nada de suruba ou carnaval aqui. Os únicos eventos que eventualmente vão até a meia noite são as pajamas parties, que é o nome que se dá aqui às festinhas de aniversário das crianças quando estas ficam para dormir na casa do hóspede aniversariante e ficam fazendo a festa de pijama. Vamos agora visitar a mais importante convenção transgênera dedicada não especificamente a CDs, mas a qualquer transgênero: a Southern Comfort Conference em Atlanta, na Geórgia. É a maior convenção transgênera do mundo. Esse ano será no Crowne Plaza Ravinia do 30 de setembro ao 5 de outubro. Os seminários aqui são muito mais pesados e, claro, com palestras sobre hormônios, cirurgia, política, etc. Esse ano haverá nessa convenção o Transgender Career Expo, com o setor de Recursos Humanos de empresas para conversar especificamente sobre carreiras dedicadas a comunidade transgênera. E aqui não estou falando de careira em salão de beleza: as empresas que vão participar são entre outras, American Airlines, Deloitte, JP Morgan, Microsoft, Time Warner, Hewlett Packard. Vamos agora visitar uma convenção um pouco mais divertida, a Esprit. Esta vai ser em Port Angeles, Washington (na costa do Pacifico, perto do Canadá) de 11 a 18 de maio. Aqui se trata mais de férias en femme para valer: convivência, compras, turismo, baile social e alguma festa mais descolada sempre acontecem. Rola também palestra tipo feminização de voz e make-up e também alguma coisa do tipo TRI-ESS, como as relações com a esposa. É claro, tem um monte de vendedor especializado montando estande lá, mas o foco é mais na convivência e férias. O Eureka! será em Eureka Spring, Arkansas, de 29 de outubro a 2 de novembro no Bassin Park Hotel. É orientado para nostálgicas. Casas vitorianas, bondinhos na rua, galerias de arte, hotéis históricos... Essa é a tendência.... Essa é realmente para turista, com festa de Haloween incluída... O Diva Las Vegas: essa será na primavera daqui, de 21 a 26 de abril. Não há seminário, nem palestra, nem vendedor, É realmente férias e.... a única que não tem inscrição, você paga o que quiser. Os eventos não são num hotel específico, mas rolam pela cidade. Se vocês gostam de balada em limousine e cassino, essa é para vocês. É bem legal também para debutante, pois quando se registra pode-se pedir assistência de uma Big Sister, algo assim como uma madrinha que te guia no evento. Se você for ao Diva, não pode perder-se o California Dream, de 17 a 20 de abril em San Jose. Esse é mais do tipo TRI-ESS, com palestra e lojinha mais no espírito californiano. Tem pajama party de 10 a 12. Deve ser bem engraçado dançar de pijama ou camisola...
Agora vamos para o mais chique e o mais antigo
(debutou em 1975): o Fantasia Fair de Cape Cod. Terá lugar de 19 a 26 de
outubro em Provincetown, Massachusetts, cidade com vários resorts GLBT. O
Fantasia Fair é chique, provavelmente o mais caro/rico (dizem que vão
reduzir os preços este ano). O evento, por exemplo, se permite fazer
caridade (doação de 3.500 dólares para os velhinhos da cidade). NOTÍCIAS INTERNAS Olá moças e rapazes. É muito bom poder escrever em mais uma edição desse gostoso jornal editado com tanto carinho pela Vera que a cada edição vem se superando. Demais essa homenagem que ela preparou para a Diana. Acredito que ela reflete o sentimento de cada uma de nós associadas em relação ao que a Diana representa para o BCC e o crossdressing brasileiro. Nos últimos tempos não temos tido grandes novidades no site do BCC porque um novo modelo está sendo desenhado e formatado por mim desde o fim do ano passado. Eu estaria mentindo se dissesse que os trabalhos seguem a todo vapor e estão adiantados mas também não posso dizer que as coisas estão paradas. O primeiro site do BCC foi montado pela Monique Michele em 1997 mas logo depois foi necessário criar outro e aí desenvolvi o modelo que na época ficaria no ar por mais dois anos. Em 1999 a Liane Ferraz assumiu a presidência e fez um novo site. Com sua saída em 2000 eu voltei a criar um novo cibercanto para o BCC e depois disso nunca mais houve uma atualização significativa em nosso principal e mais importante modo de apresentação ficando ele apenas com atualizações. Resolvi aceitar o desafio de criar um site totalmente novo porque acho que o BCC merece, as associadas merecem, a nova diretoria merece, o crossdressing brasileiro merece. Com tantas webmasters assumindo o site nos últimos 8 anos a formatação dele ficou bem mais complexa do que eu imaginava e por conta disso a filtragem de informações está muito mais complicada mas eu não vou desistir e quero entregar o site no próximo HEF em junho ou, na pior das hipóteses, numa festa de lançamento voltada apenas para ele, nosso novo e querido site. Por enquanto a novidade do site atual é a publicação de mais um jornal e a estréia da seção da Bruna Romanelli que se dispôs a dar uma força todas que tem dúvidas sobre transexualismo ou transgenerismo em geral. Muito legal da parte dela. Por enquanto é isso, beijocas a todas !!!!
Deborah Cristina (Debbi) MUNDO CD MINISTÉRIO DA SAÚDE QUER INCLUIR CIRURGIA DE MUDANÇA DE SEXO NO SUS O Ministério da Saúde continuará a tentar incluir as cirurgias de mudança de sexo na tabela do SUS (Sistema Único de Saúde). A afirmação é do diretor do Departamento de Atenção Especial do Ministério da Saúde, Alberto Beltrame.
Ontem (12), a presidente do STF (Supremo Tribunal
Federal), ministra Ellen Gracie, derrubou decisão da 3ª Turma do TRF
(Tribunal Regional Federal) da 4ª Região que obrigava o SUS a fazer esse
tipo de cirurgia. A União havia recorrido da decisão, alegando que as
operações gratuitas trariam prejuízo aos cofres públicos.
Ele afirmou que o ministério tem acolhido os
transexuais e busca um consenso em torno da melhor forma de lidar com esse
assunto. "Os transexuais são pessoas que sofrem, tem problemas
psicológicos e emocionais relacionados à própria situação", disse o
diretor. "Eles merecem ajuda e apoio do serviço público de saúde." "Ficamos tristes com a ministra, que antes tinha declarado entender a necessidade dos transexuais e agora toma essa decisão", disse Carla. Ela faz acompanhamento psicológico há sete anos para fazer a cirurgia. O diretor sociocultural do Grupo Arco-Íris, Júlio Moreira, considerou a decisão um grande retrocesso. Primeiro porque o Conselho Federal de Medicina coloca a questão da transexualidade como uma doença. Segundo ele, a cirurgia é apenas parte do processo de adequação sexual: "Também existe a reposição hormonal, a colocação de próteses dos seios e as plásticas no rosto. Tudo isso precisa ter acompanhamento médico." Na avaliação de Moreira, a assistência do SUS é importante para impedir que os transexuais recorram a alternativas como as bombadeiras (que são travestis sem qualificação médica que aplicam silicone injetável), que é um risco à saúde. "Sambemos que hoje em dia a operação de mudança de sexo custa em torno de R$ 12 mil", diz.
Fonte:
http://www1.folha.uol.com.br/folha/cotidiano/ult95u354812.shtml
MUITO ALVOROÇO MAS NENHUMA CRISE COM A MUDANÇA DE GÊNERO DO DIRETOR PORT EWEN, Nova York. Setembro. 2007 - Os alunos que retornaram para o novo período letivo, iniciado agora em setembro, da Hudson Career & Technical Center, na próspera comunidade de Port Ewen, no estado de Nova York, encontraram o diretor da escola com uma nova identidade de gênero. Gary suraci, que está na direção dessa prestigiada Escola Técnica durante os últimos doze anos, voltou das férias de verão como Genna Suraci, causando um certo alvoroço entre os estudantes, professores e membros da maior comunidade do vale do rio Hudson, que rodeia a escola. Cassandra Laycock, 17, aluna do curso de Design de Moda, recebeu a mudança sem maiores constrangimentos, embora usando o pronome errado: - “se ele quer fazer isso, deixe-o fazê-lo,” ela disse. “Isso é assunto somente dele”.
Mas Renée Mccormick disse que sua filha Nicole não
tinha voltado à escola neste ano, em parte por causa do diretor. “Ele é
uma influência horrível para as crianças,” ela disse. E Michael Locasio,
que possui um Studio de Tatuagem numa cidade vizinha, queixou-se: - “Deus
faz coisas perfeitas e a gente quer mexer na obra dele”. Em uma breve entrevista telefônica, a diretora Suraci disse: “ minha impressão foi de que as coisas correram normalmente, como em qualquer dia de abertura de período letivo”. Ela recusou a discutir a sua transformação, enviando todas as perguntas ao Superintendente Distrital, Martin Ruglis. “Meu único foco agora mesmo está nas crianças e na minha família,” disse a senhora Suraci. “Todo começo de período letivo necessita muita energia, e quero ter um grande dia de abertura das aulas”. O Superintendente Ruglis não informou se o diretor tinha passado por cirurgia de modificação genital, mas tinha disse que tal procedimento não seria coberto pela apólice de seguro do distrito. Mara keisling, diretora executiva do Centro Nacional da Igualdade Transgênera, disse que ela sabia de vários diretores e um superintendente de escolas que tinham recentemente trocado de gênero, normalmente fora dos refletores da mídia. Em anos anteriores, segundo as agências de notícias, pelo menos quatro professores em Nova York e dois em Nova Jersey fizeram a mesma transição de macho para fêmea. O Centro estima que 0.25 a 1 por cento da população americana, ou seja, de 750,000 a 3 milhões de pessoas, seja transsexual, vivendo total mente como membro do gênero oposto com ou sem intervenção cirúrgica. Entretanto, o número de pessoas transgêneras pode ser bem mais alto, segundo as estimativas de centro. A maior parte deles nunca recebeu nenhum tratamento médico como hormônios ou cirurgias. Os conselheiros do Centro geralmente estimulam candidatos a viver no seu novo gênero durante um ano antes de considerar uma operação. A Senhora Keisling disse que atualmente estão sendo realizadas aproximadamente 2.000 operações para modificação sexual por ano nos EUA, sendo metade delas dentro do país e metade no exterior.
Profissionalmente, a agora Senhora Suraci, 52, cujo
emprego é protegido pela lei de direitos humanos do serviço público
americano e tem estabilidade, saiu-se muito melhor do que Susan Stanton,
antes Steven B. Stanton e ex-gerente de cidade de Largo, na Flórida, que
foi despedido do cargo em março passado, depois de revelar seus planos de
mudar de sexo.
LEI DA NÃO-DESCRIMINIAÇÃO POR ORIENTAÇÃO SEXUAL NO EMPREGO NOS EUA Por 235 votos favoráveis (184 contra), nesta quarta-feira, dia 07- 11, a Câmara dos Deputados do Congresso Americano aprovou a chamada Lei de Não-Discriminação de Emprego (ENDA), que protege os trabalhadores americanos de discriminação de emprego em virtude de sua orientação sexual. Embora a Lei ainda tenha que ser aprovada no Senado e não sofrer veto presidencial antes de entrar em vigor, esta pode ser considerada uma importante vitória do lobby GLS no congresso americano, sobretudo se considerarmos a grande inflexão à direita da política americana nos últimos tempos. Por outro lado, a população transgênera, habitualmente a mais discriminada em questões de trabalho, ficou inteiramente fora do âmbito desta Lei. Somente um texto mais amplo e inclusivo teria protegido os trabalhadores americanos com base na sua identidade e/ou expressão de gênero. Grupos ativistas agora consideram a oportunidade de aguardar o final das próximas eleições presidenciais, que provavelmente elegerão um presidente mais sensível para as questões humanas, antes de pressionar o Senado para a votação da lei aprovada na Câmara. EVENTOS Experiência da Cidade: oficina avalia o ambiente social carioca para o público GLS A partir de encontro inicial em 18 de outubro e continuando nos meses de novembro e dezembro, está tendo lugar no Rio de Janeiro (19-21 horas, Ateliê Clara Baía, Rua do Resende 52, Lapa) uma oficina dirigida ao público GLS e coordenada por Simon Hutta, com o objetivo de avaliar as vivências pessoais no convívio social da cidade. Segue o texto da promoção (flyer) do evento: O objetivo desta oficina é explorar de forma coletiva as nossas experiências vivenciadas nos espaços urbanos. Numa cidade como o Rio de Janeiro há uma variedade de espaços—públicos e privados, centrais e periféricos, Zona Sul e favelas, ocupados ou transitados durante o dia ou a noite - locais do trabalho ou do lazer, da família, cultura, amizade, pegação, natureza ou do esporte... Para lésbicas, gays, travestis, transexuais e bissexuais muitos locais são associados a experiências de discriminação e violência, bem como a sentimentos de medo e desconforto. Por outro lado, há locais de solidariedade e acolhimento, locais onde gostamos de expressar os nossos afetos e paixões — territórios que usamos para as nossas atividades e aos quais damos significados. Sendo assim, para cada pessoa ou grupo de pessoas existem geografias afetivas no espaço urbano marcadas pela memória e por sentimentos. Vamos experimentar nesta oficina uma variedade de métodos para explorarmos as nossas geografias e os nossos territórios da cidade: fotografia, diários, teatro, discussões, vídeo...Um dos objetivos da oficina é criar um espaço de reflexão, experimentação e comunicação, sobre experiências e formas de ação para confrontarmos a discriminação e a violência que sofremos no nosso dia-a-dia. É importante também criarmos nesta oficina um espaço de acolhimento e trocas. São convidados a participar os gays, lésbicas, travestis, transexuais e bissexuais de todas as idades, raças e classes sociais. No entanto, a intenção não é classificar as pessoas em grupos de identidade—o interesse na temática é mais importante do que a orientação sexual assumida...Simon Hutta possui mestrado em Psicologia pela Universidade Livre de Berlim, Alemanha (2005), e em 2006 iniciou o doutorado em Geografia Humana na Universidade Aberta de Milton Keynes, Grã-Bretanha. Esta oficina constitui parte do seu projeto de doutorado sobre as experiências cotidianas de pessoas GLBT e as políticas de segurança no Brasil. Estará no Brasil para uma estadia de pesquisa até o dia 12 de janeiro 08. (colaboração de Denise Taynah) Dia da memória transNo dia 20 de novembro será celebrado, pelo nono ano consecutivo, o Dia da Memória Trans, em homenagem a toda as vítimas transgêneras (transexuais, crossdressers e travestis) que foram mortas em virtude de transfobia, preconceito, intolerância e violência contra a livre escolha e manifestação de gênero. Nesta data, a trans Rita Hester foi assassinada (seu assassino ainda está para ser julgado...). A data deverá reunir, em noite de vigilia, inumeros grupos trans pelo mundo afora. Para maiores informações e maneiras de participar do evento no link http://www.gender. org/remember/ day/. (colaboração de Letícia Lanz)
HUMOR
Por Letícia Lanz
NOSSAS LETRAS ***SOU *** I Sou como o campo virgem que suplicante aguarda... Do sol seus suaves raios, os que sua calidez tiver... Assim a minh'alma a luz, tua presença não tarda; Para cobrir de versos
meus desejos de
mulher...
E na tortura imensa de sempre esperar tuas delícias, retorno amargamente a meu passado esmorecer... Por que tardaste tanto em chegar com tuas carícias? Realmente começa, ao ver-te,
minha vida a
renascer...
E com a loucura imensa de amar-te cegamente... Volto a seguir pelo mundo, segura no caminhar... Não tenho mais desenganos, apenas e docemente; olho para os teus olhos, estou feliz por te amar...
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