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Edição Setembro/Outubro 2007 |
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EDITORIAL
Durante anos o BCC tem cumprido – e muito bem – os objetivos básicos de sua existência, quais sejam, congregar e fortalecer a comunidade crossdresser brasileira, criando, entre seus membros, um sentimento de identidade, laços de amizade, troca de idéias e experiências, e ajuda mútua, desde o plano emocional até o logístico. Com certeza crescemos e aparecemos! Assistimos ao amadurecimento individual e do grupo: dos relatos inocentes de pequenas aventuras en femme no volante do carro e saídas furtivas à noite até mudanças completas de vida e cirurgias de redesignação sexual. Entretanto, aos poucos, a sensação de missão cumprida, não mais satisfaz. Vira e mexe alguma CD manifesta no nosso fórum (onde trocamos mensagens on line) o desejo de ir além, de avançar, de inovar, de propor novos rumos para nosso clube. Será que estamos preparadas? Com certeza, unanimidade não há. Mas... hay de todo. De um lado, existem resistências a mudanças. Algumas CDs querem o clube como tem sido de certa forma até hoje: uma espécie de confraria de amigas (ou de amigos, lembrando que CDs female-to-male são bem-vindos, mas não aparecem...), algo com “uma Sociedade dos Poetas Mortos”: voltada para si mesma, subterrânea e invisível, onde protegidas e aconchegadas, vivenciamos nosso afeto, rimos do dia-a-dia e lamentamos bem humoradas nossa não aceitação pelo mundo exterior... Nessa proposta, existem até matizes menos fechados, com associadas propondo um trabalho altruísta de ajuda aos menos favorecidos como forma de mostrar aos não-disfóricos (e quem sabe a nós mesmas) nossas belas e bem intencionadas almas. Várias CDs têm conquistado um bom espaço em lugares ditos friendly no Rio e São Paulo, onde se entrosam com os gerentes do lugar e seus freqüentadores, quase sempre gente da comunidade GLBT. Tem até gente ficando famosa, não é Denise? Outras querem o caminho da transparência. Ir às ruas, mostrar nossa cara em paradas gays ou seja lá o que for. Há o sentimento de que precisamos sair do gueto para evoluirmos e reivindicarmos nosso lugar ao sol. Direitos sim! Aqui e agora! Será que devemos nos juntar aos movimentos GLBT nesta busca? Mas a maioria ainda parece temer a exposição... Sair às ruas em manifestação e eventos políticos? E se o pessoal do trabalho ou a família me reconhecerem na televisão? E encontram também resistência em boa parte de nossas associadas, contrárias à participação institucional em eventos e exposição na mídia. E existe ainda a proposta da institucionalização do BCC, ou seja, passaríamos a existir como uma sociedade civil de pessoas com interesses afins. Bandeira levantada e agitada várias vezes pela nossa querida Diana Maria, a institucionalização foi aprovada em consulta formal no forum das CDs reais no ano passado. No HEF 2007, o assunto voltou à baila recebendo sinal verde, e uma comissão foi tirada para estudar os aspectos legais e práticos de passarmos a existir como entidade jurídica. Algumas pessoas chegaram ao ponto de oferecer os nomes “de sapo” para os eventuais registros oficiais da entidade. Entretanto, até onde esta editora sabe, a coisa anda meio morna, não havendo novidades desde então... Enfim, propostas não faltam. Restam agora os encaminhamentos e as deliberações. Está na hora de caminharmos... mas para onde? NOTÍCIAS INTERNAS
Foi a festa de Halloween, que vai ficar para a história do BCC como uma das mais divertidas e animadas. Sintam o clima a partir dos relatos abaixo. Clique na pessoa desejada.
- Candice Hiheels OPINIÃO (POR LETÍCIA LANS)
Queridas,
Ser crossdresser é apenas uma fantasia impossível e
completamente irrealizável para a maioria de nós, sobretudo para aquelas
que por muitas e diferentes razões enfrentam pesadas dificuldades para
deixar seus armários de vez em quando e dar umas voltinhas por aí,
montadas. LETRAS (POR MARIA ANTONIETTA)
I
MUNDO CD Decisão da Justiça tira guarda de bebê de transexual Uma decisão do Tribunal de Justiça de São Paulo determinou a busca, apreensão e recolhimento a um abrigo público de um bebê de dez meses que vivia com um casal homossexual em São José do Rio Preto (440 km a norte de São Paulo). Cabe recurso. A mãe biológica e a avó da criança, no começo do ano, autorizaram a transexual Roberta Luiz, 30, cabeleireira, a ter a guarda do menino. Segundo a cabeleireira, as duas disseram não ter condições financeiras de criar o bebê. Depois disso, Roberta, que vive com um homem, pediu a guarda do bebê à Justiça. O processo corre sob segredo judicial. Ao tomar conhecimento da situação, o promotor da Vara da Infância e da Juventude de São José do Rio Preto, Cláudio Santos de Moraes, entrou com pedido na Justiça da cidade para que o bebê fosse retirado da casa da cabeleireira e levado a um abrigo municipal. O pedido foi negado e a Promotoria recorreu ao Tribunal de Justiça, que deu a liminar. O bebê foi levado da casa de Roberta para o abrigo. Para a transexual, o promotor está sendo preconceituoso no caso. Ela disse que irá recorrer da decisão do TJ-SP. "Você percebe que ele está sendo preconceituoso. Ele fala que o bebê tem que ficar com um casal normal. Como ele fala que não é preconceito?" Família normal O promotor Cláudio Santos de Moraes negou que tenha sido preconceituoso ao pedir a retirada do bebê da casa da transexual. "Não vejo preconceito. Acho que a pessoa tem o direito de fazer o que quiser com a sua própria vida. Mas fazer com que um terceiro se submeta a uma situação que ela ache correta, não acho justo." Ele afirmou que aguarda um posicionamento da Justiça sobre a decisão da guarda do bebê. "Acho que [a permanência do bebê com o casal] é desvantajosa para a criança. A criança tem o direito a ser criada por uma família normal, ou seja: uma mãe mulher e um pai homem." No entendimento dele, a escolha da mãe biológica e da avó do bebê para entregar a guarda da criança foi "péssima". Disponível em http://www1.folha.uol.com.br/folha/cotidiano/ult95u334367.shtml -------------------------------------------------- Por 235 votos favoráveis (184 contra), na quarta-feira, dia 07/11/2007, a Câmara dos Deputados do Congresso Americano aprovou a chamada Lei de Não-discriminação de Emprego (ENDA), que protege os trabalhadores americanos de discriminação de emprego em virtude de sua orientação sexual. Embora a Lei ainda tenha que ser aprovada no Senado e não sofrer veto presidencial antes de entrar em vigor, esta pode ser considerada uma importante vitória do lobby GLS no congresso americano, sobretudo se considerarmos a grande inflexão à direita da política americana nos últimos tempos. Por outro lado, a população transgênera, habitualmente a mais discriminada em questões de trabalho, ficou inteiramente fora do âmbito desta Lei. Somente um texto mais amplo e inclusivo teria protegido os trabalhadores americanos com base na sua identidade e/ou expressão de gênero.
Grupos ativistas agora consideram a oportunidade de
aguardar o final das proximas eleições presidenciais, que provavelmente
elegerão um presidente mais sensível para as questões humanas, antes de
pressionar o Senado para a votação da lei aprovada na Câmara.
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O Jornal do BCC é editado pela nossa
Diretora Cultural Vera Lúcia
Jardim. |
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