Edição Julho/Agosto 2007

MATÉRIA ESPECIAL - POR VERÔNICA DIMITRI

3,5 MILHÕES DE PESSOAS BRINCAM E SE DIVERTEM COM
AS CORES DO ARCO-ÍRIS EM ROUPAS, FANTASIAS E ADEREÇOS

O uso generalizado da bandeira arco-íris em manifestações GLBT começou nos anos 80, sendo hoje reconhecida mundialmente, como o símbolo das minorias (?) sexuais. A sua versão mais atual tem seis barras horizontais, cada uma com uma cor diferente, de cima para baixo: vermelho, laranja, amarelo, verde, azul e violeta. No início dos anos 70, nos Estados Unidos, havia várias bandeiras arco-íris usadas como símbolos do Internacionalismo e da unidade entre os povos. Mas no final da década, a sua associação ao orgulho gay estava já bastante marcada. Foi na San Francisco Gay Freedom Day Parade, que foi usada pela primeira vez, com a intenção clara de simbolizar o orgulho gay, a 25 de Junho de 1978. Essa primeira versão foi criada por Gilbert Baker, e tinha mais duas barras que a versão atual, uma rosa-salmão e outra turquesa. A barra salmão acabaria por ser abandonada devido à dificuldade em encontrar tecido desta cor para produzir as bandeiras. Mais tarde, era abandonada a barra turquesa, por razões estéticas. Além da versão com seis barras, ainda são vistas atualmente outras versões da bandeira arco-íris em manifestações do Movimento GLBT. Desde versões com uma barra a negro, simbolizando os homossexuais mortos em decorrência da AIDS, a bandeiras que misturam as cores do arco-íris com símbolos nacionais ou regionais, pretendendo assim representar a população GLBT desse país ou região. Existem ainda bandeiras derivadas do arco-íris, mas com outras cores, para representarem outras culturas gays, como, por exemplo, a ursina (bandeira em tons acastanhados).

COLORIDO BRASILEIRO

No Brasil, o uso das cores do arco-íris, garantiu um show à parte durante a 11° edição da Parada do Orgulho GLBT de São Paulo, realizada no domingo, 10, na Avenida Paulista em São Paulo. Cordões de bexigas multicoloridas, gravatas, perucas, roupas, adereços, apitos, bonés, vestidos, além das tradicionais bandeiras com motivos do arco-íris. Foi assim, com esse visual multicolorido que mais de 3,5 milhões de pessoas se animaram e desfilaram na Parada Gay desse ano. “É incrível o visual, venho todos os anos para assistir. Trago meu filho e nos divertimos muito. O colorido e o brilho dos participantes é muito empolgante”, revelou Junior, 35, dentista, morador de São Paulo. A alegria tomou conta de todo o trajeto. Na Avenida Paulista e Avenida Consolação, 21 trios elétricos animaram os presentes. Era prazeroso ver senhores, rapazes, moças, crianças, portadores de necessidades especiais, drag queens, ursos, transformistas, travestis e transeuntes, se divertindo ao som de variados estilos musicais. O trio da drag queen Salete Campari, o da casa noturna BUBU e o carro da Visibilidade Trans eram os mais concorridos, graças à música boa e os shows protagonizados por go-go boys com sungas minúsculas. Além disso, muitos criaram shows à parte, no chão mesmo. Eram drag queens super produzidas, transformistas caracterizadas como personagens conhecidos do público e outras figuras absurdas e impagáveis. Durante a realização da 11° Parada do Orgulho GLBT, famosos também compareceram e apoiaram o movimento. Ilustres como a Ministra do Turismo Marta Suplicy, a cantora Gretchen, o Prefeito de São Paulo Gilberto Kassab, a modelo Tammy Gretchen, a atriz Christiane Torloni, o apresentador Leão Lobo, o jornalista André Fischer, o ativista Beto de Jesus, o jornalista José Simão, dentre outros, abrilhantaram ainda mais o evento. A Parada do Orgulho GLBT de São Paulo, é a maior do mundo e poderá constar como um dos recordes do Guinness Book. Além da visibilidade nacional, o evento será reconhecido, oficialmente, em todo o mundo nas páginas do livro que registra grandes acontecimentos. E isso é importante para o Turismo do nosso país. Considerado o segundo maior evento brasileiro, a Parada já conta com o apoio de autoridades brasileiras, para que possa, em curto prazo, tornar-se a maior manifestação do povo brasileiro. Gilberto Kassab, Prefeito de São Paulo, atestou a informação de que a Parada Gay pode se tornar o evento mais rentável e importante para a capital paulista, passando a Fórmula I. A Ministra Marta Suplicy endossa a afirmação do Prefeito. “O turista gay é melhor pela própria circunstância. Não tem filhos, consegue ter um padrão de vida mais alto. O turismo gay é indispensável no mundo todo. Essa festa é para eles. Temos hotéis e restaurantes lotados”, disse ela. Nessa edição, mais de 300 mil pessoas, vieram de outros países, participar da maior Parada Gay do Mundo.

SALDO FINAL

Depois de muita animação, brilho, beijos, seios à mostra, demonstração de afeto entre os participantes, close, carão e muita ferveção, os participantes que acompanhavam os trios elétricos, se concentraram na Praça Roosevelt (região central de São Paulo), onde puderam assistir a shows de drags, transformistas e outras personalidades conhecidas do público gay. Mas nem tudo saiu como o esperado. “Essa grandeza começa a preocupar um pouco. Esse crescimento é importante, mas ele tem que acontecer com qualidade”, diz Nelson Matias Pereira, presidente da Associação da Parada do Orgulho GLBT, ao receber a informação de que quase quatro milhões de pessoas estiveram no evento. Com tamanha participação, é inevitável conter o ânimo do público, que acaba sendo vítima de brigas, roubos, furtos, confusão e violência explícita. A Secretaria de Segurança Pública (SSP) divulgou um balanço parcial de ocorrências relacionadas à Parada, registradas em dois distritos policiais próximos à Avenida Paulista e à Rua da Consolação. No 78º DP, foram registrados 18 boletins de ocorrência de furtos, entre documentos, dinheiro, celulares e câmeras fotográficas. No 3º DP, na Santa Ifigênia, houve oito registros de furtos. A polícia prendeu dois homens e uma mulher que estavam com 35 celulares roubados, segundo informações do portal G1. Durante a tarde do domingo, os acessos à Avenida Paulista, principalmente na altura do Masp, estavam intransitáveis, tamanho era o volume de pessoas. Um dos flagrantes foi registrado no 4º DP por volta das 16h30. Carla Andrade da Silva, de 20 anos, teve o celular roubado na Avenida Paulista por quatro rapazes enquanto acompanhava o evento. O grupo que estava com ela reconheceu um dos supostos ladrões a poucos metros do local do roubo. O suspeito foi agarrado e a PM, acionada, que o levou ao 4º DP. A vítima chorava muito enquanto esperava o boletim de ocorrência. “Eu me senti horrorizada”, disse ela. O repórter Marcos Aguena, o Japa (ex-“Pânico na TV”), também foi vítima de roubo. “Desgraça pouca é bobagem. Fui ‘roubado’ na Parada Gay, após um arrastão na esquina da Paulista com a Consolação. Levaram minha carteira com todos os documentos. Claro que a culpa é minha. Se tivesse mais juízo, levaria só a roupa, ou fantasia, do corpo. Só não levaram a câmera e o microfone, porque ambos estavam bem presos ao meu corpo. E para encerrar bem o dia: chá de cadeira na delegacia para fazer BO. Entrei às 20:00h e saí às 00:20h”, desabafou o jornalista. Para os próximos anos, os organizadores da Parada, a Prefeitura, a Polícia e ONG´s que apóiam o Movimento Gay, esperam poder concentrar forças e encontrar uma maneira de fazer da Parada Gay, um evento ainda mais pacífico, fazendo jus ao slogan “Por um mundo sem racismo, machismo, homofobia” e porque não dizer, sem violência.

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