| MATÉRIA ESPECIAL - POR
VERÔNICA DIMITRI 3,5
MILHÕES DE PESSOAS BRINCAM E SE DIVERTEM COM
AS CORES DO ARCO-ÍRIS EM ROUPAS, FANTASIAS E ADEREÇOS
O uso generalizado da bandeira
arco-íris em manifestações GLBT começou nos anos 80, sendo hoje
reconhecida mundialmente, como o símbolo das minorias (?) sexuais. A sua
versão mais atual tem seis barras horizontais, cada uma com uma cor
diferente, de cima para baixo: vermelho, laranja, amarelo, verde, azul e
violeta. No início dos anos 70, nos Estados Unidos, havia várias bandeiras
arco-íris usadas como símbolos do Internacionalismo e da unidade entre os
povos. Mas no final da década, a sua associação ao orgulho gay estava já
bastante marcada. Foi na San Francisco Gay Freedom Day Parade, que foi
usada pela primeira vez, com a intenção clara de simbolizar o orgulho gay,
a 25 de Junho de 1978. Essa primeira versão foi criada por Gilbert Baker,
e tinha mais duas barras que a versão atual, uma rosa-salmão e outra
turquesa. A barra salmão acabaria por ser abandonada devido à dificuldade
em encontrar tecido desta cor para produzir as bandeiras. Mais tarde, era
abandonada a barra turquesa, por razões estéticas. Além da versão com seis
barras, ainda são vistas atualmente outras versões da bandeira arco-íris
em manifestações do Movimento GLBT. Desde versões com uma barra a negro,
simbolizando os homossexuais mortos em decorrência da AIDS, a bandeiras
que misturam as cores do arco-íris com símbolos nacionais ou regionais,
pretendendo assim representar a população GLBT desse país ou região.
Existem ainda bandeiras derivadas do arco-íris, mas com outras cores, para
representarem outras culturas gays, como, por exemplo, a ursina (bandeira
em tons acastanhados).
COLORIDO BRASILEIRO
No Brasil, o uso das cores do arco-íris, garantiu um show à parte durante
a 11° edição da Parada do Orgulho GLBT de São Paulo, realizada no domingo,
10, na Avenida Paulista em São Paulo. Cordões de bexigas multicoloridas,
gravatas, perucas, roupas, adereços, apitos, bonés, vestidos, além das
tradicionais bandeiras com motivos do arco-íris. Foi assim, com esse
visual multicolorido que mais de 3,5 milhões de pessoas se animaram e
desfilaram na Parada Gay desse ano. “É incrível o visual, venho todos os
anos para assistir. Trago meu filho e nos divertimos muito. O colorido e o
brilho dos participantes é muito empolgante”, revelou Junior, 35,
dentista, morador de São Paulo. A alegria tomou conta de todo o trajeto.
Na Avenida Paulista e Avenida Consolação, 21 trios elétricos animaram os
presentes. Era prazeroso ver senhores, rapazes, moças, crianças,
portadores de necessidades especiais, drag queens, ursos, transformistas,
travestis e transeuntes, se divertindo ao som de variados estilos
musicais. O trio da drag queen Salete Campari, o da casa noturna BUBU e o
carro da Visibilidade Trans eram os mais concorridos, graças à música boa
e os shows protagonizados por go-go boys com sungas minúsculas. Além
disso, muitos criaram shows à parte, no chão mesmo. Eram drag queens super
produzidas, transformistas caracterizadas como personagens conhecidos do
público e outras figuras absurdas e impagáveis. Durante a realização da
11° Parada do Orgulho GLBT, famosos também compareceram e apoiaram o
movimento. Ilustres como a Ministra do Turismo Marta Suplicy, a cantora
Gretchen, o Prefeito de São Paulo Gilberto Kassab, a modelo Tammy Gretchen,
a atriz Christiane Torloni, o apresentador Leão Lobo, o jornalista André
Fischer, o ativista Beto de Jesus, o jornalista José Simão, dentre outros,
abrilhantaram ainda mais o evento. A Parada do Orgulho GLBT de São Paulo,
é a maior do mundo e poderá constar como um dos recordes do Guinness Book.
Além da visibilidade nacional, o evento será reconhecido, oficialmente, em
todo o mundo nas páginas do livro que registra grandes acontecimentos. E
isso é importante para o Turismo do nosso país. Considerado o segundo
maior evento brasileiro, a Parada já conta com o apoio de autoridades
brasileiras, para que possa, em curto prazo, tornar-se a maior
manifestação do povo brasileiro. Gilberto Kassab, Prefeito de São Paulo,
atestou a informação de que a Parada Gay pode se tornar o evento mais
rentável e importante para a capital paulista, passando a Fórmula I. A
Ministra Marta Suplicy endossa a afirmação do Prefeito. “O turista gay é
melhor pela própria circunstância. Não tem filhos, consegue ter um padrão
de vida mais alto. O turismo gay é indispensável no mundo todo. Essa festa
é para eles. Temos hotéis e restaurantes lotados”, disse ela. Nessa
edição, mais de 300 mil pessoas, vieram de outros países, participar da
maior Parada Gay do Mundo.
SALDO FINAL
Depois de muita animação, brilho, beijos, seios à mostra, demonstração de
afeto entre os participantes, close, carão e muita ferveção, os
participantes que acompanhavam os trios elétricos, se concentraram na
Praça Roosevelt (região central de São Paulo), onde puderam assistir a
shows de drags, transformistas e outras personalidades conhecidas do
público gay. Mas nem tudo saiu como o esperado. “Essa grandeza começa a
preocupar um pouco. Esse crescimento é importante, mas ele tem que
acontecer com qualidade”, diz Nelson Matias Pereira, presidente da
Associação da Parada do Orgulho GLBT, ao receber a informação de que quase
quatro milhões de pessoas estiveram no evento. Com tamanha participação, é
inevitável conter o ânimo do público, que acaba sendo vítima de brigas,
roubos, furtos, confusão e violência explícita. A Secretaria de Segurança
Pública (SSP) divulgou um balanço parcial de ocorrências relacionadas à
Parada, registradas em dois distritos policiais próximos à Avenida
Paulista e à Rua da Consolação. No 78º DP, foram registrados 18 boletins
de ocorrência de furtos, entre documentos, dinheiro, celulares e câmeras
fotográficas. No 3º DP, na Santa Ifigênia, houve oito registros de furtos.
A polícia prendeu dois homens e uma mulher que estavam com 35 celulares
roubados, segundo informações do portal G1. Durante a tarde do domingo, os
acessos à Avenida Paulista, principalmente na altura do Masp, estavam
intransitáveis, tamanho era o volume de pessoas. Um dos flagrantes foi
registrado no 4º DP por volta das 16h30. Carla Andrade da Silva, de 20
anos, teve o celular roubado na Avenida Paulista por quatro rapazes
enquanto acompanhava o evento. O grupo que estava com ela reconheceu um
dos supostos ladrões a poucos metros do local do roubo. O suspeito foi
agarrado e a PM, acionada, que o levou ao 4º DP. A vítima chorava muito
enquanto esperava o boletim de ocorrência. “Eu me senti horrorizada”,
disse ela. O repórter Marcos Aguena, o Japa (ex-“Pânico na TV”), também
foi vítima de roubo. “Desgraça pouca é bobagem. Fui ‘roubado’ na Parada
Gay, após um arrastão na esquina da Paulista com a Consolação. Levaram
minha carteira com todos os documentos. Claro que a culpa é minha. Se
tivesse mais juízo, levaria só a roupa, ou fantasia, do corpo. Só não
levaram a câmera e o microfone, porque ambos estavam bem presos ao meu
corpo. E para encerrar bem o dia: chá de cadeira na delegacia para fazer
BO. Entrei às 20:00h e saí às 00:20h”, desabafou o jornalista. Para os
próximos anos, os organizadores da Parada, a Prefeitura, a Polícia e ONG´s
que apóiam o Movimento Gay, esperam poder concentrar forças e encontrar
uma maneira de fazer da Parada Gay, um evento ainda mais pacífico, fazendo
jus ao slogan “Por um mundo sem racismo, machismo, homofobia” e porque não
dizer, sem violência.
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