
HOLIDAY EN FEMME 2001
RELATO DE SUZY KELLY
Depois de previamente anunciado através do grupo de correio eletrônico coletivo do BCC, afinal chegou o dia do nosso congraçamento anual: um final de semana especialmente vestido como mulher, com direito à maquiagem, bijuterias, salto alto, tênis feminino, roupas esportivas ou ao estilo dos grandes costureiros.
Com direito também a vestido de noiva e, ainda, ao banho de sol à beira da piscina devidamente acolhida por um minúsculo biquíni.
OS PREPARATIVOS
Eu,
Suzy Kelly, fui a última a chegar a La Cage, exatamente às 16:00h daquela
tarde ensolarada de sexta-feira, 10 de agosto de 2001.
Algumas meninas lá estavam desde as 14:00 h.
Por que tão cedo?
Simplesmente porque as gracinhas iam seguir viagem a partir das 17:00 h para o
BIG VALLEY - Hotel Fazenda devidamente produzidas (montadas), lindas e
maravilhosas, conforme noticiou o jornal "O Globo" do Rio de Janeiro
num dos dias seguintes ao evento.
E que me perdoem as minhas ciumentas colegas de trabalho, as suas respectivas
S/Os também estavam divinas.
Quando cheguei à La Cage, a Bárbara Stone (diretamente de Brasília para o
mundo) estava sendo produzida por sua meiga S/O. Alessandra ajudava a Gabi, cuja
ex-S/O, responsável pelo seu desabrochar, atentamente se deliciava com o lindo
espetáculo espontaneamente produzido pelas meninas. Parecia que estava no
camarim de um desfile de modas, cheio de Giseles Bunchens, cada uma mais
maravilhosa do que a outra.
Ao ter certeza de que as meninas iriam viajar todas "montadinhas",
voltei ao estacionamento para pegar minhas coisinhas. Voltando à La Cage, quase
não consegui entrar no elevador, em razão da quantidade de coisinhas.
Apesar de ter sido a última a chegar não fui a última a terminar. A última a
se aprontar foi a Valeria Zinner, (também de Brasília) que caprichou nos
detalhes, com direito a uma boina bastante elegante e tradicional tal qual a que
minha mãe usou em uma foto produzida em um estúdio fotográfico, quando ainda
era namoradinha do meu pai. A essa altura todas já tinham saído. Eu fiquei de
levar comigo a Valéria e mais umas malinhas, visto que a Betinha resolveu ir
com um Ford Ka.
Depois de nos despedirmos da nossa querida Alessandra, eu e Valéria, últimas a
sair, descemos ao estacionamento com nossas respectivas bagagens. Peguei a chave
no contato e abri o porta-malas do carro.
S U R R R P R E E E E E Z Z Z Z A!!!!!! (a surpresa foi com “Z” mesmo)
O porta-malas estava abarrotado, não tinha lugar para mais uma agulha sequer. E
olha que o Delrey tem uma mala enorme, de dar inveja aos proprietários dos
carros ditos modernos, que não são feitos para serem usados em viagens.
Como a chave estava no contato, as meninas iam descendo e colocando suas
coisinhas lá. Fomos obrigadas a colocar as nossas sobre o banco de trás da
minha famosa banheira, que também ficou lotado.
A VIAGEM
Agora tínhamos que atravessar o trânsito de São Paulo para alcançar as
demais meninas. Eu com minha velha banheira e elas, excetuando a Betinha, com
moderníssimas hidromassagens importadas.
E não foi à toa que a Betinha foi a primeira a sair. Aquele sapinho da Ford não
conseguiria acompanhar as possantes máquinas do desejo. Com ela estavam a Bárbara
Stone e as suas respectivas S/Os.
Com a Paula Andrews, que dirigia a hidromassagem da Gabi, estava a Carmem Maura.
Com a Gabi, que pilotava a semi-esportiva hidromassagem da Paula Andrews,
estavam a sua querida e inseparável ex-S/O e a Tina Edelmann, que felizmente
tinha voltado ao nosso convívio.
A nossa querida noivinha Lícia Catarina Martins viajava no carro da Sandra
Sammer, que se produziu na Butique Contágium de nossa amiga Marilde.
Devidamente monitoradas pela Carmem Maura, através de seu celular, finalmente
entramos na Rodovia dos Bandeirantes.
Na terceira ou quarta ligação, a Carmem informou pelo celular que estavam
paradas num grande posto de abastecimento, às margens da Rodovia dos
Bandeirantes, o primeiro que encontrássemos no caminho.
Quando nos ligou novamente, estávamos entrando no posto.
Enquanto nos esperavam, “segundo as más línguas”, as meninas foram
aprontar das suas.
Foram à enorme lanchonete e restaurante do posto para desfilar entre aquele
mundão de gente (o estacionamento, digno de um hipermercado, estava repleto de
carros).
Nossa querida e incógnita observadora me confidenciou que as meninas, enquanto
tomavam um cafezinho, fizeram palpitar os corações dos maridos daquelas
senhoras deselegantes e, digamos, fora de forma.
Fazendo justiça, devo salientar que as meninas fazem palpitar corações muito
mais exigentes.
Tomamos novamente a estrada, se é que uma rodovia igual as do primeiro mundo
pode ser chamada de estrada.
Minha banheira mal conseguia acompanhar a hidromassagem da Paula. Eu mais
parecia o Ronnie Peterson (o sueco voador) atrás do Emerson Fittipaldi quando
estava na Lótus. Só que, tal como eu, o sueco voava muito baixo, era um
tremendo enganador. O Rubinho perto dele é um supersônico. Justo por isso
dizem que "a propaganda é a alma do negócio". Enquanto um era voador
o outro é a tartaruga. Inverteram o slogan.
A Gabi, devidamente orientada pela Tina Edelmann, logo se desgarrou e chegou ao
hotel na nossa frente. Também, pilotando aquela máquina, até eu.
CHEGANDO AO HOTEL
Quando chegamos ao hotel, eu, Valéria, Paula e Carmem, além da Gabi, sua
ex-S/O e da Tina, encontramos a Betinha, sua S/O, a Bárbara e sua S/O e ainda
quatro rapazes que lá chegaram por intermédio da mesma agência de viagem que
nos levou. Dois eram representantes da Agência de Viagens e Turismo e outros
dois do Rio de Janeiro. Eram os "Meninos do Rio". E provavelmente
foram os danadinhos que devem ter dado todas as dicas para Hildergard Angel
publicar a matéria sobre Crossdressers em sua coluna de "O Globo".
Ficamos todos em uma grande mesa para o jantar, incluindo os quatro rapazes, que
logo se tornaram amigos e passaram a participar de nossas brincadeiras.
As únicas que não jantaram na noite de sexta-feira foram a Sandra e a Lícia,
que chegaram bem mais tarde.
Quem não trocou de roupa antes do jantar, o fez após o mesmo para participar
de nossa bagunça no salão de jogos.
A Sandra, juntamente com a S/O da Gabi, foi até o centro da cidade de Serra
Negra, uns quatro ou cinco quilômetros adiante.
A Sandra não quis arriscar e acabou comendo um sanduíche dentro carro,
devidamente comprado pela S/O da Gabi. Depois disso deram umas voltinhas pela
cidade e chegaram a tomar café num bar sob a atenta observação de curiosa
platéia.
No salão de jogos foi muita confraternização até as tantas da madruga. Eu só
agüentei até às 2:00h. Eu tinha viajado mais de 300km. Tina e Valeria que
estavam comigo no mesmo apartamento chegaram às 3:00h.
Mas, segundo contaram as minhas informantes de plantão, a S/O da Gabi, a Sandra
e a Lícia ficaram engendrando como seria a festa de casamento da Lícia até as
sete da matina. Aproveitaram para experimentar todas as luxuosas roupinhas
trazidas pela Lícia.
Em razão disso, salvo a S/O da Gabi, as duas meninas nem conseguiram acordar
para o almoço de sábado.
O HOTEL
À noite, quando chegamos, não foi
possível ter uma vista panorâmica do hotel. Mas, na manhã de sábado foi possível
comprovar que tudo era como nas fotos publicitárias.
Vejam como era o hotel:

Foto obtida em prospecto publicitário do hotel
SUZY
KELLY - A EXPULSA DO BAILE - A PROIBIDA DA TV
Tal como aconteceu com nossa turma naquela noite em que resolvemos ir ao “Som
de Cristal”, Suzy Kelly quase foi expulsa do restaurante do hotel.
Vamos às explicações.
O “Som de Cristal” é um salão de baile tradicional das noites paulistanas
com freqüência assegurada por grandes amantes da dança de salão. Quando o
gerente percebeu a entrada daquele bando de CDs, alguns acompanhados de suas
S/Os, veio diplomaticamente falar para a Paula Andrews que a nossa presença
poderia prejudicar a imagem da casa, visto que os travestis que fazem ponto nas
ruas adjacentes também poderiam querer ter o direito de freqüenta-la. Conclusão:
Descemos a escadaria com aquele célebre tapete vermelho, pegamos nossos carros
e fomos para o IPSIS CLUB, onde nossa presença é sempre festejada.
Agora, no hotel fazenda, na manhã de sábado, eu, Suzy Kelly, muito metida e
despudorada, resolvi tomar o café da manhã com uma roupa com a qual já havia
ido certa noite ao IPSIS CLUB, sob os risos da Alessandra, que observava os
olhares dos curiosos.
Vesti uma calcinha branca rendada e um sutiã combinando. Não era bem uma
calcinha, cuja denominação dá a sensação de se tratar de uma peça grande.
Também não era um fio dental. Digamos que era um biquinizinho.
Sobre essas delicadas peças íntimas coloquei uma calça de lycra branca
ultrafina, quase totalmente transparente, com debrum em preto no sentido
vertical na parte de fora das coxas, e idêntica blusa de mangas compridas, um
salto 10, enormes brincos amarelo canário, maquiagem e o cabelo na forma de
“rabo de cavalo”.
Saltitante e atrasada, pois todos lá já estavam, inclusive casais hospedes do
hotel com seus respectivos filhos (uma criançada), adentrei ao recinto sob os
olhares estarrecidos dos presentes. Cumprimentei as colegas de mesa e me servi
normalmente.
Pouco depois o garçom chamou a Paula Andrews (sempre ela), à qual pediu
diplomaticamente que eu fosse ao restaurante com roupas menos transparentes.
Decididamente, aquele garçom nunca foi a um hotel da zona sul do Rio de
Janeiro, nem assistiu ao São Paulo Fashion, antigo Morumbi Fashion, onde as
transparências são normais.
A Carmem Maura logo me alcunhou de Suzy Diniz, a Leila Diniz do novo século.
Na verdade, parodiando a nossa amável Lícia, eu estava fazendo o estilo “A
Noivinha do Bordel”.
No almoço, ao entrar no restaurante, mais comportada e também propositalmente
atrasada, senti o alívio de todos ao me verem com a famosa calça abelhinha e
uma blusa segunda pele preta com sutiã meia taça rendado em preto.
A Tina Edelmann tinha um admirador secreto entre os funcionários da casa, assim
como a Gabi.
A Gabi com sua peruca loira, mais parecia a Elo Pinheiro, a antiga “Garota de
Ipanema” e atual “Coroa de Ipanema”, contudo, muito bem apanhada.
Comentário de um garçom para um outro, na sexta-feira à noite:
-Você viu a loirona que chegou?
Creio
que o inquirido teve dificuldade para explicar ao colega que a loirona não era
propriamente uma loirona.
BETINHA TAMBÉM APRONTOU
É isso mesmo. Quase esqueci. A Betinha também aprontou.
Naquele mesmo desjejum, a Betinha chegou mais atrasada do que eu. Equilibrava-se
elegantemente em cima de um tamanco plataforma com salto 12, com as pernas
totalmente desnudas, o que aliás já é normal em se tratando de Bbethy.
Porém, entretanto, contudo, todavia, estava dentro de um minúsculo biquíni
preto. Nem viu que na porta tinha um cartaz dizendo que não era permitida a
entrada de pessoas com roupas de banho.
Olha a desculpa: Ué, eu costumo tomar banho nua, exclamou e emendou: - no
banheiro, é claro - e eu não estou nua agora!
De fato não estava. Ela estava vestida com a camiseta oficial do HEF2001, já
preparadinha para a foto também oficial.
Mas tem outro porém. É que a camiseta estava estrategicamente com um nó na
lateral, deixando totalmente visíveis os seus glúteos, ou seja, estavam visíveis
duas polpudas cadernetas de poupança.
A nossa querida mãezona e moderadora Paula Andrews, preocupada com o que iria
dizer agora o garçom, saiu correndo na direção da Betinha, que atravessava o
salão toda faceira, e mandou que ela desfizesse o nó da camiseta, que virou um
mini vestido.
Coitadinha. A nossa mãezona Paula passa por cada apuro!!!!
MANHÃ
DE SOL À BEIRA DA PISCINA
Depois do desjejum as meninas voltaram para seus aposentos para colocar suas
roupinhas de banho, exceto a Betinha, que já estava prontinha.
Em seguida foram desfilar em volta da piscina externa, embora o hotel tenha
piscina coberta e aquecida.

Fotos obtidas em prospecto publicitário do hotel
O
objetivo não era o de entrar na água e sim o de apurar as suas marquinhas de
biquíni.
E nenhuma delas desprezou o salto alto, os brincos e o batom.
A Betinha caminhava insistentemente ao redor da piscina com aquele andar de top
model. Outras fizeram o mesmo.
Recebi um telefonema. Era a Guta dizendo que ela e sua S/O estavam saindo a
cidade de Amparo em direção ao nosso hotel para almoçar conosco. Dei algumas
dicas de como achar o caminho.
No apartamento em que estávamos (eu, a Valéria e a Tina Edelmann), a Guta se
produziu, devidamente auxiliada por sua S/O.
Enquanto a Guta se produzia (ela não gosta da palavra "montava"), eu
fiquei na piscina externa, desfilando junto às demais meninas.
Logo depois chega Guta, toda
prontinha. Aproveitamos para nos enfileirarmos para a foto oficial que foi
batida pela S/O da Gabi, com a máquina da Betinha.
Aproveitando que "essa onda de assaltos está um horror", com diz a música do Chico Buarque, roubei a foto do site da Betinha. Ei-la:

Suzy Kelly, Tina Edelmann, Elisabeth Bardotti, Paula
Andrews, Carmem Maura,
Angela Guta Giacometti, Paola Gabrielli e Bárbara
Stone.
Faltaram a Valéria Zinner, a Licia Catarina
Martins e a Sandra Sammer, que não apareceram na seção de bronzeamento
natural e de fixação de marquinhas de biquíni.
Atrás da câmera estavam as S/Os da Betinha, da Guta, da Gabi (que bateu a
foto) e da Bárbara.
CHEGOU A HORA DO ALMOÇO.
Chegada a hora do almoço, as meninas e as S/O "pularam a cerca", na
mais perfeita acepção da frase.
Calma, eu explico.
É que ao redor da piscina tinha uma mureta de uns 80cm de altura. Para não dar
a volta lá longe, todas "pularam a cerca", isto é, passaram por
sobre a mureta.
Em seguida, todas à pé, transitávamos por uma estradinha de terra em declive,
bastante pedregosa, cheia de cascalho (Chiiii!! Não devia ter escrito essa
palavra, vai ter menina lendo errado).
As S/Os comportadas com seus saltinhos de 4cm pareceriam estar pisando em
ovos ou equilibrando-se numa corda bamba. Foi quando a Ana comentou:
- Eu mal consigo andar com esses saltinhos e essas meninas caminham
elegantemente sobre esses saltos enormes.
Eu emendei:
Não só andam como correm. E dei uma corridinha, imediatamente seguida pela
Tina Edelmann.
Foi quando a Paula Andrews, que estava lá atrás, comentou:
- Só falta agora essas duas libélulas esvoaçantes rolarem ribanceira abaixo.
Eu ia ri um bocado.
Que nada, as meninas mostraram-se exímias e elegantes equilibristas sobre seus
saltos.
OS
EMBALOS DE SÁBADO À NOITE
Antes da cerimônia e da festa de casamento da Lícia Catarina, as meninas
resolveram ir dar uma voltinha pelo centro de Serra Negra, cidade onde minha mãe
passou a sua lua de mel.
Exatos nove meses depois eu nasci homem, embora ela quisesse uma menina. Mal
sabia ela que seu desejo seria satisfeito. Pena que não esteja viva para ver.
Demos uma voltinha e paramos numa rua em frente a um hotel, cujos recepcionistas
ficaram nos olhando.
Não deixaram eu levar minha banheira. Fui na hidromassagem esportiva da Paula
Andrews, fazendo o papel de mulher co-pilota, observou a Carmem Maura:
- Olha a lombada! Cuidado com aquele carro na contra mão!...
A Betinha, apressada como sempre, entrou em uma loja na esquina, acompanhada de
sua S/O. Claro que a loja era de roupas femininas. Isso eu nem precisava dizer.
As demais meninas não se fizeram de rogadas, entraram também, incluindo os
rapazes da agência de viagens e turismo.
A dona da loja, que lá estava acompanhada de seu marido e da filha mais nova,
ficou surpresa com aquele bando de travestis.
Somente a Lícia não estava entre nós, porque ficou no hotel se aprontando
para o tão sonhado casamento.
Fui uma das últimas a entrar. Eu estava com um mini vestido cotton com lycra
azul bem curtinho e um casaquinho preto por cima. A dona da loja, quando me viu,
como num tique nervoso falou:
- Olha como as perninhas dela são finas!!
Foi então que a Tina Edelmann, aproveitando que a dona da loja era gordinha,
falou:
- Ela era dessa largura (abrindo os braços), fez um enorme regime para ficar
assim esbelta e senhora critica?
Eu disse que queria comprar umas meias 7/8 (para com elas aprontar mais uma).
Enquanto ela as procurava fui falando sobre nós.
Em seguida o telefone tocou. A dona da loja atendeu. Era o vigilante, lá da
rua, perguntando se era necessário chamar a polícia. Ela respondeu que não.
Que estava tudo bem. Eram apenas fregueses diferentes dos comuns (ou será que
ela falou "normais"? - Não lembro). Porém, muito divertidos e
interessantes! continuou.
Quando ela já estava passando o cartão de crédito, perguntei se conhecia a
Ana Rickman, famosa modelo brasileira.
Ela disse que sim.
Eu falei: a Ana Rickman tem 1,83m de altura, 58cm de coxa e 21cm de tornozelo
tal como eu. As únicas diferenças entre nós são que ela tem 89cm de quadril
e eu tenho 100cm; ela tem 89 de busto e eu tenho 98; ela tem 65cm de cintura e
eu 77cm. Por essas diferenças no tronco é que ela pesa 65kg e eu 75kg. Outra
diferença é que ela tem um rosto lindo e eu não.
Enquanto eu falava com a dona da loja, seu marido e sua filha me ouviam
atentamente.
Depois que apresentei as meninas e principalmente as que estavam com suas
respectivas S/Os, a Gabi falou que em nossas festas eu também levava minha
filha mais nova. Eles ficaram admirados.
Perguntamos onde era o bar mais próximo para tomarmos um café. O marido foi até
a porta dar uma olhada e voltou dizendo que o bar já estava fechado. Foi então
que entusiasmado resolveu fazer o café para todas nós.
Será que ele também é CD (de armário)?
Aproveitamos para deixar o endereço do site do BCC, que a Carmem Maura escreveu
atrás de seu cartão pessoal. Eu também escrevi o endereço do meu site em um
cartão da loja. Acho que logo teremos uma nova associada: o marido da dona da
loja de lingeries. Será que eles vão ficar chateados quando lerem isto?
De volta à rua, resolvemos tirar fotos na calçada do hotel em frente, aos
olhares atentos e ao mesmo tempo espantados dos transeuntes e dos passageiros
dos carros que passavam. Alguns até paravam para nos apreciar. A Paula Gata
(sempre ela) recebeu até adeusinhos e os retribuiu.
O CASAMENTO DA LÍCIA
No casamento da Lícia teve de tudo. Só faltou o som. No próximo evento vou
levar meu trio elétrico, como definiu a Gabi quando esteve lá em casa. Também
faltaram os espelhos. No HEF 1999 eu levei dois e desta vez nenhum. Fizeram
falta.
Justiça seja feita, a solenidade de casamento da Lícia não teria sido tão
brilhante sem a magnífica produção muito bem dirigida pela Sarah (S/O da Gabi).
Ela também desempenhou o papel de noivo, com terninho e gravata borboleta,
extraídos de um garçom sem violência e sem atentado ao pudor.
As damas de honra foram a Tina Edelmann e a S/O da Bárbara Stone, com vestidos
azuis celeste também fornecidos pela Lícia. Com aqueles corpinhos, os vestidos
nem precisaram de ajustes e muito menos de alargamentos. As duas ficaram mais
lindas do que realmente são, com nítida vantagem para a S/O da Bárbara, que
obviamente é mulher (GG - Genetic Girl).
As madrinhas foram a Paula Andrews e a Carmem Maura. O padre foi um dos rapazes
com quem fizemos amizade e o pai da noiva, um dos garçons do hotel.
Eu fiquei de fotografar com a máquina da Tina e de ajeitar a calda do vestido
da noiva.
Como desta vez não tivemos maquiador, a noiva foi produzida por nós mesmas com
os produtos do estojo da Sandra Sammer. Até eu ajudei a espalhar a base líquida
no rostinho dela, que apesar do nome é uma linda japonesinha de pele lisinha e
sedosa, segundo observou a Ana.
A S/O da Gabi não parava de rir com a
pose da Tina, que sentada na cama, dentro de seu lindo vestido de dama de honra,
parecia uma menininha posta de castigo: "Fica sentadinha aí, se não mamãe
briga", dizia a S/O da Gabi. E a Tina fazia beicinho.
>Depois
de alguma espera, tal como em qualquer casamento, a cerimônia começou com a
entrada das duas damas de honra (Tina e Ana).
Em seguida vivenciamos a entrada triunfal da noiva (Lícia) levada por seu pai
(o garçom), sob um coro de meninas que solfejavam de improviso a marcha nupcial
de “Sonhos de Uma Noite de Verão”, de Mendelssohn, incluindo eu.
Bem perto do altar, a noiva foi entregue a seu noivo (S/O da Gabi), que a levou
até o altar. Lá, os esperavam o padre (Jorge - um dos "Meninos do
Rio"), as damas de honra (Tina e S/O da Bárbara) e as madrinhas (Paula e
Carmem).
Teve até aquela célebre frase: "Se alguém souber de algo que possa
impedir este casamento, que fale agora ou se cale para sempre". E também:
"Eu vos declaro marido e mulher".
Terminada a cerimônia, poses para fotos. Os noivos com as damas. Os noivos com
as madrinhas. E, depois, a fila para os cumprimentos.
O espetáculo foi também gravado por uma câmera de vídeo ligada ao computador
portátil dos “Meninos do Rio”.
O fotógrafo oficial (Gabi) não perdia nenhum dos importantes momentos. E
caprichava nas fotos.
Mas,
a cerimônia não estaria completa sem o famoso arremesso do buquê pela noiva.
É
isso mesmo, teve até buquê, também improvisado pela S/O da Gabi.
Foi
assim:
As
meninas colocaram-se em posição de ataque, ou melhor, de recepção.
As lá de trás gritavam: Joga aqui no fundo.
Na frente estavam Paula Andrews e Tina. Depois Bárbara Stone, Carmem e eu. Mais
atrás a Betinha, toda encasacada, e sei lá mais quem.
Estava um frio danado. Apesar das perninhas finas de fora, eu estava toda cheia
de roupas. Até fiquei gorda. Parecia grávida. Não sei como a Lícia, a Tina e
a S/O da Bárbara agüentaram ficar tanto tempo com aqueles vestidos decotados.
A Gabi com sua máquina fotográfica esperava para flagrar aquele grande
momento. E conseguiu.
Arremessado o buquê, a Paula Andrews (sempre ela) na ponta de seus saltos,
tirou todas da jogada e segurou o buquê.
Veja a Foto devidamente roubada do site da Liane Ferraz:

Foto de Paola Gabrielli (Gabi)
No Liane News nº 9, ela pergunta: de quem é
aquele pezinho sob o vestido da Tina?
Só pode ser pezinho da própria Tina, meio desequilibrada, quase levantando vôo.
E
tudo isso regado a uísque, refrigerantes e salgadinhos. E eu nos meus sucos de
laranja.
A noiva extasiada, foi dormir por
volta das 2 ou 3 da madruga, e eu também. Acompanhei-a até seu apartamento (nº
8) e segui até o meu (nº 14).
O noivo ficou na badalação juntamente com o restante do pessoal. E dançou a
noite toda. Quem mandou contratar o Benê Nunes para tocar? Como diz a letra de
"Coroné Antônio Bento", antiga música, gravada mais recentemente
por Tim Maia.
Êta noivinho porreta!! Como dizem os nordestinos.
TAL
"COMO NUM DIA DE DOMINGO"
No domingo, tudo ficou por conta da emoção e as atividades se repetiram. O
desjejum, a piscina, o almoço. A única novidade foi a arrumação das malas
para a viagem de volta.
A Betinha, “en sapo” voltou à loja Ritz do centro de Serra Negra,
juntamente com sua S/O. Queria comprar uma blusa pela qual sua S/O havia se
apaixonado e ver se a dona da loja as reconhecia. Naquele momento estava a sócia,
frustrando seu intento.
A festa foi tão gostosa que já está prometido um novo HEF para o final do ano.
Provavelmente num hotel em Vargem Grande do Sul - SP, cidade próxima ao sul de
Minas Gerais.
Sabendo
disso, durante o almoço sentei-me em frente à Lícia (a noiva) e ao lado da
S/O da Gabi (o noivo), sugeri que ambos consultassem seus advogados para
providenciarem urgentemente o divórcio, já que a Lícia teria que se casar
novamente no próximo HEF.
A S/O da Gabi lembrou que não havia necessidade de divórcio e sim de anulação
do casamento, visto que não ouve noite de núpcias e, portanto, o casamento não
havia se consumado em sua excelência.
BATENDO EM RETIRADA
Quando
de nossa saída do hotel, os funcionários curiosos colocaram-se em posição de
nos verem encerrando as contas de consumo individual.
Um deles chegou a me perguntar:
- Aquele ali é mulher? Nem vou dizer a quem se referiu. Tem nego que é cego!
Era o noivo da Lícia.
Respondi que na turma estavam várias mulheres, porque alguns tinham levado suas
esposas.
Imagine. Alguns funcionários não conseguiram distinguir na turma quem era
homem ou mulher.
Então, ele voltou a perguntar:
- E você, trouxe sua esposa?
Respondi que não. Mas, disse que ia levar minha filha, que de última hora não
pode ir.
Suzy Kelly