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TV GLOBO - NOVELAS
A LUA ME DISSE
Veja a entrevista do ator Miguel Magno extraído do site da Novela.
Dados extraídos do site da TV Globo.
Em 2005 a TV Globo
iniciou a apresentação da novela A LUA ME DISSE, na qual o ator Miguel Magno (ao
lado caracterizado) representa Dona Roma.
Dona Roma tem uma pensão no Beco da Baiúca: uniu duas casas, fez uma reforma e dirige seu pequeno negócio, com mão firme. Tem paixão por investigações criminais, romances policiais e coisas do gênero. É uma grande observadora da alma humana.
Na verdade, o nome de batismo de Dona Roma é Amoroso, mas como ele sempre gostou de se vestir de mulher, acabou sendo aceito como tal.
Principais Créditos da Novela:
Escrita por: Maria Carmem Barbosa e Miguel Falabella
Colaboração: Antonia Pellegrino
Direção: Leandro Neri, André Felipe Binder
Direção Geral: Rogério Gomes
Diretor de Núcleo: Roberto Talma
Cenografia: Isabela Urman, Raul Travassos
Figurino: Sonia Soares
Direção de Fotografia: Sergio Tortori
Direção de Iluminação: Fernando da Silva Santos, José Luis Fernandes de Souza
Produção de Arte: Moa Batsow
Produção de Elenco: Nelson Fonseca
Instrutores de Dramaturgia: Paloma Riani, Yeda Dantas
Produção Musical: Rodolpho Rebuzzi, Paulo Henrique
Direção Musical: Mariozinho Rocha
Supervisão de Caracterização: Uirande Mendonça de Holanda Lima
Edição: George Hamilton, Gilson Camara, André Leite
Sonoplastia: Nelson Zeitoune, Irla Leite, Renato Muniz
Efeitos Visuais: Tony Cid, Paula Souto
Efeitos Especiais: Federico Farfan
Direção de Imagem: Evaldo Lemos Filho
Gerente de Projetos: Ricardo Figueiredo
Pesquisa de Texto: Claudia Dottori
Continuidade: Helena Duran, Luana Auaxe Fernandes, Stella Valadão
Assistente de Direção: Carol Bandeira de Mello, Fabio Strazzer, Roberta Richard
Produção de Engenharia: Ilton Caruso
Coordenação de Produção: Marcos Aurelio Grativol de Senna, Patricia Loureiro
Gerência de Produção: Ana Gabriela
Direção de Produção: Cesar Lino
ENTREVISTA DO ATOR MIGUEL MAGNO
ELA E ELE - Veja também O PODER DA MAQUIAGEM
Se
você pensa que vida de ator é moleza, então dá só uma conferida na maratona de
caracterização que o ator Miguel Magno enfrenta quando grava no estúdio de A Lua
Me Disse para se transformar em Roma, a dona da pensão do Beco da Baiúca na
trama de Miguel Falabella e Maria Carmem Barbosa.
A primeira etapa de transformação pela qual o ator passa é a sala de maquiagem e cabelo: “Primeiro nós preparamos a pele do rosto do Miguel com bases, corretivos e pó. Depois fazemos as sobrancelhas arqueadas e os olhos: cílios postiços, rímel, delineador, lápis, etc. Em seguida, passamos o blush e o batom. Para finalizar, colocamos uma tiara para segurar o cabelo dele e por cima a peruca, que já vem toda enrolada bastando apenas soltar os fios de cabelo e pronto. Tudo isso leva somente 1h. Detalhe: não pintamos as unhas do ator”, descreve o supervisor de caracterização da novela Uirandê Holanda. Agora é vez do figurino!
A figurinista Sônia Soares é quem enumera as etapas: primeiro o Miguel coloca uma combinação (anágua) cor de pele por baixo da roupa, para não ter transparência nenhuma. Depois, é a vez do vestido, sempre fechado até o joelho e de manga comprida. Feito isso, entram em cena a meia ¾ e o sapato feminino fechado de bico e salto quadrado. Para finalizar a transformação, a inserção de acessórios: pulseiras, colares de pérola, brincos de pressão e bolsa. Toda essa etapa leva apenas 30 minutos!
Após toda essa maratona – que você pode conferir pelas fotos, clicando na setinha acima - agora Miguel já está prontinho para gravar como D. Roma. No entanto, o sacrifício do ator não acaba aqui! Dependendo do roteiro de gravação, horários escalados e intervalos de espera entre uma cena e outra, Miguel chega a ficar caracterizado durante horas a fio. Às vezes, até 6 ou 8 horas montado. Que dureza!
Contudo, apesar dos pesares, Miguel garante que está felicíssimo com a sua personagem e se divertindo muito, pois como ele mesmo diz nessa entrevista: “Eu gosto de trabalhar”.
- Como você caracterizou a Dona Roma?
- Primeiro pela observação, acho que é a atitude constante do trabalho do ator é a observação. Então, eu sou fascinado pelo ser humano, ultimamente, eu ando fascinado pelas pessoas de mais idade, dos idosos, não sei se porque a idade está avançando mesmo. Eu fico observando as figuras, tanto mulheres quanto homens de idade superior a minha, vendo como eles caminham, como eles se portam. E como eu já trabalhei em outros espetáculos teatrais transformado em “n” personagens, alguns muito femininos, tenho, digamos assim, uma certa facilidade de absorção das característica femininas.
- Dona Roma já foi um de seus personagens no teatro?
- Eu fiz uma espécie de Dona Roma no teatro, na peça “Síndrome: loucos como nós”, dos mesmos autores da novela, de 2003 a 2004. Mas a Dona Roma da peça era uma senhora mesmo, não era um homem. Era uma mulher, matriarca da família, de 87 anos, hipocondríaca, megalomaníaca. E bem diferente da Dona Roma da novela A Lua Me Disse.
- Gosta mais de teatro ou TV?
- Eu não tenho essas coisas, não. Gosto de trabalhar e me desenvolver, aprender, né? Aprendo muito aqui e no teatro também. É claro que o teatro tem um cotidiano mais tranqüilo, mais rígido, então tem horário para apresentação. A televisão você esquece da sua vida pessoal e fica à disposição do que der e vier.
- Qual é a diferença de você interpretar uma mulher e um travesti?
- Na realidade a Dona Roma não é um travesti. É um homem sem identificação de opção sexual, você não pode rotulá-lo como homossexual, heterossexual, transexual ou qualquer outro tipo. Ele é um homem que gosta de usar roupas femininas.
- É um fetiche dela?
- Pode ser. Mas acho que é uma sina. Tudo na Dona Roma parece ser uma sina, uma predestinação. Ela veio para ajudar, para confundir e também para esclarecer.
- É mais fácil você interpretar meio homem meio mulher do que uma mulher como no seriado “Sexo Frágil”?
- Na televisão isso seria impossível. No teatro tem essa mágica. Você pode ser tudo, que a maior virtude do teatro é enganar o espectador. Na televisão, com todas essas lentes, com essa invasão dos lares, essa imagem e tudo mais, não dá para você enganar. Eles querem o fato, né?
- Como está a repercussão da Dona Roma nas ruas?
- Eu achava que isso não ia acontecer, porque a caracterização é muito forte. Mas está incrível agora. Eu não passo despercebido, mesmo. E na rua, até de boné e óculos escuros, eles me reconhecem.
- E o que os fãs dizem?
- Muito carinho. Adoram a Dona Roma, nossa! Eu fui agora para Flip (Festa Literária em Paraty) e ali eu só recebi carinho. Tinha umas pessoas da minha geração para cima, mais idosos, as senhoras vinham me pedir para eu dar um abraço. Abracei várias senhorinhas. Elas queriam ser abraçadas pela Dona Roma e por mim. E um elogio de nível, elogios grandiosos. Fiquei muito feliz!
- E o que sua família diz a respeito?
- A minha mãe adora a D. Roma. Quando ela a vê em na telinha ou em algum recorte de jornal ou revista, me elogia muito.
- O que incomoda mais na caracterização?
- No nosso caso é o sapato, porque o sapato não foi feito sob medida. É um sapato feminino para pés grandes, 43, que é o meu número. E às vezes a peruca coça um pouco, aperta, lateja a cabeça. Por que a gravação é uma loucura, chego a passar de 6 a 8 horas montados.
- Você dá palpites na transformação da D. Roma?
- Eu e a equipe trocamos idéias e sugestões do que fica melhor na D. Roma, até porque já estamos entrosados. Eles também gostam dos meus gostos assim como eu do deles.
- Feliz com o personagem?
- Estou felicíssimo com o meu personagem. Agradecido demais ao Miguel e a Maria Carmem.
- Depois de meses como D. Roma, qual foi o seu aprendizado?
- Pessoal: a paciência. Artístico: aprendi a me colocar perante a TV, como me comportar em frente às câmeras e a compreender todo o processo, pois contraceno com atores e atrizes talentosos e experientes no ramo.
- Sua percepção do mundo feminino mudou com a personagem?
- Eu estou mais sensível, me emociono mais.