AS CROSSDRESSER NOS MEIOS DE COMUNICAÇÃO

PROGRAMA MÁRCIA GOLDSCHMIDT

Comentário da LUANA LIZ:

Sem querer minha esposa programou nosso vídeo para gravar o programa e, para sua surpresa, lá estava alguém tentando falar de nós. Assisti a fita e achei a abordagem pobre, superficial e lamentável.

Um médico, não sei se era mesmo (muito mal explicado também), quando teve condição de falar, foi também infeliz em suas colocações.

Em minha opinião, a entrevista aconteceu como preenchimento de não ter o que colocar no ar ou mesmo apresentar uma aberração que dê IBOPE.

Deixo aqui meu protesto e meu pesar a pessoas como ela, que sinto plenamente que não está preparada ainda para nos receber, aproveitar e se encantar com nossas existências.

Comentário da BETINHA (Elisabeth Bardotti):

Eu também assisti ao programa. A Márcia entende realmente do assunto, pois certa vez a sua assessoria me procurou para fazer aquele programa. Como eu me neguei, acredito que ela desde então, esteja pesquisando e procurando alguém para se apresentar em público.

O quadro onde o Crossdresser apareceu, foi curto e bem apresentado, a abordagem foi seria e honesta e a CD em questão apresentou-se de maneira andrógina semi-vestido como mulher.

Houve também a intervenção séria de um psicólogo, o qual não peguei o nome e com quem eu gostaria de conversar pessoalmente. Se alguém souber o nome dele e puder me passar mais informações a seu respeito, eu ficaria agradecida, pois percebi se tratar de um profissional competente e entendido na matéria.

Comentário da BARBARA SHEENA:

Eu acho que nós vivemos um paradoxo.

Explico.

Por um lado queremos  ampliar nosso espaço de aceitação na sociedade para além dos grupos alternativos e, para isso, divulgamos, explicamos e fazemos movimentos esclarecedores sobre CDing.

Entretanto, fazendo tudo isso e, enquanto a sociedade não nos aceita plenamente, damos subsídios para que mais pessoas nos identifiquem enquanto "sapos".

Imagine que todo mundo comece a notar características típicas de CDs: unhas bem tratadas, e/ou pintadas e/ou compridas, cabelos longos, orelhas furadas, depilação nas pernas e/ou braços, sobrancelhas aparadas, ausência da sombra da barba, e outros sutis detalhes que entregam a nossa condição. Não será pior?

Para mim boa parte da graça de ser CD está na dualidade e no desafio à sociedade que sequer imagina as várias facetas de um mesmo ser.

Sou a favor de abrir os espaços, mas sou contra a divulgação em massa. Entrevistas na mídia sempre foram e sempre serão objeto de um único interesse: o sensacionalismo. Por aí só vamos conseguir aumentar o preconceito e por em risco o sigilo de cada uma de nós enquanto sapos.

Imagino que existam outros pontos de vista e os aceito, entretanto sugiro que se o BCC um dia for convidado a se posicionar sobre o assunto, devamos todas ser consultadas.

Certamente um tema que merece ser abordado no estatuto do BCC!