DEPOIMENTOS - ESPAÇO CROSSDRESSER

O QUE EU QUERO

Por Paula Andrews 11 Aug 2004 06:58:59

Dia 11 de Agosto de 2004

Preciso chateá-las um pouquinho?

Posso? Se não puder, agora é tarde. Já estou chateando...

Acabei de voltar de minha caminhada matinal. Dia bonito, céu sem nuvens, o sol começando a esquentar o frio da madrugada.

E enquanto caminhava os pensamentos iam e vinham até que, ao ver minha sombra projetada no chão, percebi um perfil esguio, com o rabo-de-cavalo marcando a cabeça e a blusa do abrigo amarrada a cintura a alargar o quadril. Senti-me muito mulher. Inconscientemente (percebi, enquanto pensava) até alterei um pouco o caminhar; tornei-o mais leve, menos duro.

Um dos pensamentos fixou-se na forma de pergunta:

O que eu quero realmente?

Rodeio a pergunta, confronto-a com outras, questiono idéias que vem-e-vão.

Finalmente a resposta:simples, dura em sua obviedade e clareza.

Quero poder sair à rua, à vida, ao trabalho, à vida social e profissional, do jeito que eu quiser, a vontade; como mulher, sem afetações, sem o risco de reprimendas, sem o risco de perdas existenciais. Ser olhada como um ser qualquer, que fez suas opções e vive feliz com elas.

Queria continuar sendo a profissional respeitada e bem-sucedida que sou, com os mesmos gostos, freqüentando os mesmos lugares e conhecendo e encontrando pessoas.

Como toda mulher, assim me apresentado e me relacionando, talvez quisesse encontrar um homem, um homem maduro, educado, articulado, um homem com quem, além de sexo, eu pudesse ter conversa, diálogo. "Descolado" o suficiente para me amar, para me compreender, para me acompanhar e fazer feliz a mulher que há em mim. Com quem eu pudesse compartilhar  vida, casa, cachorro, teatro, cinema, ópera, concerto, clube, viagem, discoteca, restaurante, drinks, armário, escova-de-dentes, cama, lençóis, banheiro, ginástica e caminhadas matinais pela orla da praia.

Duraria? Gostaria que fosse para sempre? Sei lá. No amanhã até poderia mudar de idéia.

Mas hoje, sob este lindo céu sem nuvens, é o que eu quero.

O QUE EU QUERO

Por Maria Antonieta R. de Mattos 08/11/04 13:39:53

Acredito que por umas milhares de vezes pensei como você pensa agora. Também já olhei para meu passado, para as crises de choro incontido quando me sentia um monstro, quando me realizava fantasiando como mulher, quando uma simples sandália nos pés me faziam o coração bater como martelo. O medo. O terrível medo de ser descoberta.. De alguém ver a calcinha que deixei esquecida sob a cama, a marca de batom que ao me montar sozinha na solidão do quarto, acabou ficando impressa indelevelmente na fronha do travesseiro junto, muitas vezes, das lágrimas de um sofrimento atroz e totalmente maluco.

Já vistoriei muitas lembranças, por incontáveis vezes.. Me vejo jogando sapatos, vestidos, perucas, bijuterias... tudo é colocado fora porque minha insensatez agora vai acabar!! CHEGA!! Não sou mulher, não sou louca, não sou uma "coisa" sem sentido!! Tenho casa, família, MULHER, FILHOS!!... Onde estou com meu pobre consciente? O que quero fazer desta amargura de vida confusa?

Tudo será  jogado fora, pela enésima e DEFINITIVA vez.. Alívio!!

Na saída de casa, na primeira manifestação de inconfundível bater de salto no solo, no toc toc característico de um salto após o outro, o porqueira do coração dá um salto no peito. Não quero olhar... Mas, como dizia o comediante Geraldinho...Mas os olhos querem!! E lá vou eu de novo. Vindos em minha direção saltos pretos, meias finas emoldurando as pernas daquela que não tem rosto... Aliás o rosto é o meu, sem sê-lo. Eu sou mulher!! E... aquele toc toc, aquelas pernas, meias, corpo que não me seduzem como homem mas.... como inveja de não tê-lo como sendo EU. E a sacola de roupas, sapatos, bugigangas variadas, pendurada no meu braço, voltam para o armário de onde não deveriam ter saído!! Graças a Deus!! Senão eu iria comprar TUDO de novo....

Não escrevi nada que não tenha ocorrido com todas nós, em alguma ocasião da vida... Estigma...

O QUE EU QUERO

Por Karen 11 Aug 2004 15:50:42

É engraçado como essas reflexões nos vem a mente em momentos semelhantes.

Após uns 3 meses sem me montar, começo a reparar nas características masculinas retornando, os pelos, os músculos, a barriguinha, a barba cerrada, e reflito em todo o investimento, não só financeiro, mas também de tempo,e emocional, feitos no passado, para assemelhar-me a uma mulher.  E pergunto: Valeu a pena? Não sei. É mais fácil viver como homem, não fazer regimes, não esconder as unhas compridas e feitasdos amigos, não sentir a dor da depilação, etc...

Mas se é assim, me pergunto novamente: Por que esse desejo de parecer-me mulher não abandona de vez minha mente?

Queria encontrar uma mulher que nunca tivesse sabido desse meu desejo, que me conhecesse somente como homem, e que me fizesse desejá-la somente como mulher.

Alguns hábitos adquiridos são tão difíceis de abandonar, como olhar vitrines de lojas de sapatos femininos, roupas femininas, etc. Reparar nas unhas das mulheres então, pra mim é um suplício de inveja.

A beira dos 40 anos, me vejo diante de uma bifurcação na estrada da vida. Como teria sido mais fácil assumir todo esse desejo na adolescência!!!!

Será?, Naquela época o preconceito era bem maior, não existiam tantas facilidades para se montar, etc.

Ainda reluto em me desfazer das coisas da Karen, e por isso, cada vez que abro o armário, e vejo de relance as perucas, as sandálias, as blusinhas, saias, etc., me pergunto: Até quando? Até quando vou lutar contra isso? Já estou nesta batalha a 30 anos !!!!

Respeito as opiniões de todas, e admiro as que tem tudo isso resolvido na sua cabeça, como admiro mais ainda as que conseguiram largar tudo e ser felizes como homem (se é que existem).

Tento sempre ser super sincera comigo mesma ao olhar minhas fotos de Karen, e sei que nenhum CD consegue disfarçar-se totalmente. Todas nós gostamos de receber elogios, de ouvir que estamos super femininas, etc., mas as vezes isso faz mal, pois alimenta uma fantasia irreal.

Sempre, por mais artifícios que usemos, sempre alguém vai saber que somos homens. E nessa ânsia pela perfeição, algumas tomam o rumo dos hormônios, das cirurgias, e com isso acabam cruzando um limite.

Será que devo cruzar esse limite? Será que devo magoar aqueles que realmente me amam?

No momento, a resposta a essas é NÃO!

No futuro não sei. Se forem sim, acho que será tarde demais.

O QUE EU QUERO

Por Samantha Vollpi 11 Aug 2004 17:20:19

Parece que essa é a grande duvida que angustia nossos corações... Até quando levaremos essa vida dupla.... Acontece que por mais angustiante e perigoso seja viver "escondida", sufocar esse desejo forte e latente dentro de nós, pra mim, será muito pior, pois, como falei à Jorgete na noite do meu debut, "uma vez crossdresser, para sempre crossdresser". Essa vontade louca de vivermos momentos como mulher, não é uma simples questão de escolha ou de avaliar com a razão. NASCEMOS com isso, não da para "fechar a porta do armário e esquecer"!  Razões? Temos inúmeras para acabar com isso (família, esposas, filhos, amigos, emprego...) mas viver querendo muito estar mulher, ainda que por algumas horas, e negando a sua NATUREZA, pra mim é tortura. Foi vivendo nessa tortura que tomei coragem e me abri para algumas pessoas próximas a mim. Morro de medo de ser descoberta por amigos e pela minha família, mas o preço do medo é muito maior do que a da coragem.

O QUE EU QUERO

Por Márcia Regina  08/11/04 20:15:02

Esta é uma questão crucial, muito bem colocada. Enfim, acho que, se oportunidade houvesse, seria comentada à exaustão por todas nós.

Sim, tive crises exatamente iguais, aos 15, 20, 25, 30... e assim por diante. Tudo em vão. Nasci assim, como todas nós nascemos, qualquer que seja a nossa opção (opção????) sexual.

Hoje, quase aos sessenta (é isto mesmo, 60!!) desisti de resistir. Já fiz psicanálise, psicoterapia, etc...tentei sublimar...inútil. A Márcia sou eu e eu sou a Márcia.

Ah, sim, sempre procurei o tal ponto de equilíbrio. Conclusão: não existe.

Estamos fadadas a viver sempre na dualidade de gêneros, sem alternativa.

Mulher, filhos, família...que nunca venham a saber, mesmo depois que estivermos mortas...

Assim como vocês, eu também nada sei. Apenas vou seguir o meu destino, e é melhor que seja com prazer e alegria.

O QUE EU QUERO

Por Victoria D'Ávila 11 Aug 2004 22:28:05

Esse assunto realmente me interessa. E tenho certeza que interessa para a maioria.

Eu tive 2 grandes momentos de purge em minha vida. Primeiro aos 18 anos, quando fui convocada para servir a pátria. Durante um ano inteirinho, me vi forçada a agir e pensar como um soldado em guerra. Mas, assim que dei baixa, voltei a sonhar entre quatro paredes, me montando como podia

Depois em meados de 1991 onde virei muito macho depois de ser vítima do Presidente Fernando Collor de Melo, que acabou com minha vida na época.

Sempre alternando em ser o sapo e ser a Vick, tive momentos de muita angústia. Hoje eu experimento os meus próprios limites, entre ser homem e ser mulher.

Estou em uma fase sem retorno, onde o sapo está sufocado e fadado a me obedecer.

Ele somente entra em ação quando eu assim o permito e tenho total controle sobre ele (Pelo menos eu acho).

Não me revolto mais, pois estou aprendendo a me conhecer. Já senti muita raiva de mim, por ser assim, mas hoje sei que ser a Vick só me trás alegria e conseqüentemente me tornei uma pessoa melhor. E esse sentimento de calma, que tenho hoje por assumir a Vick, eu passo para a minha família. Que nesses dois últimos anos só tem ficado cada vez mais unida. Graças a vocês do BCC eu encontrei um ponto de equilíbrio em meus sentimentos e desejos. E espero que assim continue, até o fim de minha vida.

O QUE EU QUERO

Por Paula Andrews 11 Aug 2004 10:00:25

Querida Karen

Por um momento igual, com as mesmas dúvidas e questionamentos, passei, creio não por coincidência, quando tinha a idade da qual te aproximas (40 anos). Achei que era o fim da Paula. Foi uma das minhas paradas: cortei o cabelo, as unhas, relaxei com o corpo, desfiz-me de meu guarda-roupa.

Foi quando descobri que não existe ex-cd:  existem apenas momentos de "purge".

Mas concordo com você: bom seria não carregar esta "carga", este "peso" que se prazer circunstancial nos dá, tanto faz-nos estruturalmente sofrer pela divisão, pela angústia, pelo medo da perda de tudo e de todos se descobertas formos.

E sempre que penso nisso, recordo-me de Voltarie, ajusto seu pensar a minha realidade e afirmo com certeza: entendo e até quase invejo a gentil e inocente alegria dos comuns, mas amo a angústia de ser incomum.

O QUE EU QUERO

Por Bruna Campos

Constantemente, me faço a mesmíssima pergunta: o que eu faço com isso?

Com esse imenso desejo de ser mulher depois dos trinta anos?!

Cheguei a cruzar alguns limites perigosos, como tomar hormônios por um mês. Sinto que cada vez desejo ir mais além, apesar das minhas constantes resoluções de abandonar tudo e viver o homem bonito que sou. Porém, a Bruna é mais forte que tudo...

A conclusão a que cheguei após dois anos de dilaceramento entre os dois sexos, é que terei que encontrar uma maneira harmoniosa de conviver com ambos. Objetivamente, não posso optar por me transformar de fato em mulher por razões profissionais e pessoais, mas também não sou mais capaz de me divorciar dessa mulher que me habita.

Como fazer isso? É algo que ainda estou tentando aprender. Estou sempre tendo recaídas para um lado e para o outro. Conhecer pessoas com o mesmo dilema me dá um pouco de conforto.

O QUE EU QUERO

Por Rafaela Pinpinatti 12 Aug 2004 08:59:53

Sinto-me dividida. Tem uma mulher linda dentro de mim, com desejos de simplesmente poder andar na rua como uma mulher, porém não me basta ir a um baile de carnaval vestido como mulher com pelos nas pernas e cavanhaque no rosto.

Quando sinto necessidade de liberar a Rafaela, a vontade é de que tudo seja perfeito, e aí começo a exagerar na dose. Já tirei em excesso as sobrancelhas. Fiquei super feminina, visível. Nas ruas todos olhavam. Por sorte estava de férias e deu tempo para crescer o suficiente antes de voltar ao trabalho.

Tenho a vontade de ter seios. Já tomei hormônios por um mês, e por aí vai. É Esse excesso que sinto necessidade de controlar, mas quando a Rafaela surge com todos os seus sonhos sinto dificuldade em refreá-la.

O que busco, é o que talvez vocês também busquem, uma harmonia que permita conviver com as duas pessoas, o homem e a mulher.

Que Deus nos ilumine neste caminho e que encontremos o equilíbrio que tanto desejamos.

O QUE EU QUERO

Por Adriane Martins

Semana passada, depois de algumas cervejas, com a língua mais soltinha e num papo mais descontraído com minha esposa, não me lembro bem como começou o assunto, só sei que perguntei se ela me aceitaria se acaso eu me tornasse uma mulher, isto é, vivesse como tal, usando roupas femininas, hormônios, etc... A resposta foi rápida e seca: Não!!! De forma nenhuma!!!

Eu dei risada para disfarçar a tristeza e levar o assunto para a seara da brincadeira, o que funcionou. Ela não deu a mínima para o assunto e continuamos o papo sem nenhum problema, falando de outras coisas é lógico.

Mas depois, na solidão de minha insônia, é que senti a ferida que se abriu na Adriane, neste dia entendi que se quisesse viver meu sonho intensamente teria que abrir mão da família. Que horror! foram horas intermináveis pensando em como mudar tal realidade e no fim adormeci sem decidir o caminho.

Depois disto evito pensar neste assunto, mas quando entro no forum do BCC e leio um desabafo como esse, relembro e sinto a dor da ferida e chego a conclusão de que a decisão tem de ser tomada, sob pena de sofrer até o último dia de minha vida. Então só me resta pedir a Deus que me ilumine nesta decisão, evitando mais sofrimento para mim e para os que me cercam.

Rafaela, tenha fé, pois é isto que a mantém na luta.

SAPO, PRINCESA OU VÍRUS?

Por Adriane Martins 12 Aug 2004 09:56:59

Nossa eterna luta pela vida como mulher pode significar a morte do sapo (o homem que habitamos). E é ele quem nos sustenta, Então, as vezes, penso que sou como um vírus, isto mesmo, um vírus que depende do hospedeiro para viver, mas que só pelo motivo de conviver no mesmo corpo põe em risco a existência dele e conseqüentemente a minha também.

Ao ler outros relatos, ia identificando situações que me parecem ser comuns entre nós, perdi as contas de quantas vezes o Sapo tentou sem sucesso me expurgar para sempre, mas quando ele fica sozinho eu domino, eu dito as regras e as vezes coloco tudo à perder.

Várias vezes quase fui pega por familiares e dai todas sabem o que poderia ocorrer... Discriminação!!!!

Hoje tenho a enorme dúvida: Vale a pena ?

Vale a pena sofrer, se esconder, lutar para parecer mulher e depois ter que esconder tudo? Nunca consegui ver o batom terminar por si só, sempre tenho que tirá-lo! Vale a pena tanto risco? Sinceramente não sei, só sei que enquanto não tenho as respostas continuo curtindo cada minuto como Adriane e como diz um velho ditado "O que não tem remédio, remediado está!"

Bom, se acaso alguém nas suas reflexões encontrar a fórmula para a feliz (e segura) convivência entre sapos e princesas por favor me avisem!!!

SIMBIOSE

Por Júnia Carvalho 12 Aug 2004 17:49:44

Após muito refletir, chego à conclusão que:

- Umas querem viver e sobrepor sua porção mulher a do homem, que tudo indica está começando a fazer papel de coadjuvante.

- Outras expõem suas particularidades e sua vivência harmoniosa com S/O, filhos e família.

Então, o que pensar diante de todos estes argumentos? Será que umas estão mais certas que outras? Como agir? Como pensar? Que destino devo tomar?

A resposta é uma só: cada pessoa é um ser uno e inigualável; e sua relação com outros seres deve engrandecê-la  e não confundi-la.

Cada ser deve primeiramente estar feliz consigo para depois prover sua felicidade ao lado de outros. Devemos buscar sempre quem nos apóia e não o contrário. Devemos ver os limites sociais que nos são impostos. Alguns são limites físicos, outros psíquicos. Portanto a harmonia da mente e do corpo deve ser coberta sobre o pálio da responsabilidade, do respeito aos limites que nos foram impostos e dos limites que nós mesmo nos impomos.

SIMBIOSE

Por Adriana Mello de Castro

Ao meu ver não existe fórmula mágica para ser feliz,  mas o que eu tenho estudado bastante e cada vez mais chego a conclusão que tudo depende de equilíbrio. Na verdade, a Adriana e o camaleão vivem em simbiose E, para mim, isso é suficiente (Adoro este termo, camaleão; acho que foi a Diana quem inventou).

Eu pelo menos, tento viver intensamente o meu lado masculino com o meu lado feminino (Evidente que, se eu pudesse ter escolhido, viveria um pouco mais a Adriana. Mas, se o Papai lá de cima escolheu assim, fazer o quê?). Claro que vivo a Adriana dentro de restrições, procurando o equilíbrio e usando o meu bom-senso.

Eu acho que você se encontra de verdade quando descobre que não precisa provar nada para ninguém.

Adoro poesia e descobri que a maioria das pessoas (Homens na maioria) tem um enorme preconceito quanto a isto. É engraçado! Mas acontece. E sinceramente não estou nenhum pouco preocupado. Acho que é assim que deve acontecer.

Não exponho a Adriana, porque me preocupa quando a discriminação passa para um lado pesado e muitas vezes até violento. E no nosso caso este é o maior problema. Mas acho que o caminho é o equilíbrio. Não mate o seu sapo e nem a mulher que existe em você, deixe os dois existam com tranqüilidade. Você citou que nunca viu o batom gastar por si próprio, infelizmente não somos GG e a aceitação disso tem que ser inevitável.

Mas, ao invés de olhar o que não consegue, procure olhar para o que consegue. Por exemplo, nós temos uma visão dupla do mundo, que a Mulher ou o Homem (que não seja CD) não têm. E isto é maravilhoso!

SIMBIOSE (réplica)

Por Adriana Martins

Mesmo com estas convicções de felicidade, de aceitar o que Deus nos reservou, de conviver em harmonia com os outros e de saber curtir nossa dualidade, as vezes me sinto como um vírus que vive as custas e no corpo do sapo e somente por este motivo posso destruir a vida dele (no caso de tomar um flagra). Formei este pensamento lendo os depoimentos de hoje, onde foi relatado o pânico de quase ser descoberto e ter de explicar algo tão intimo e complexo (como se vê pela extensa variedade de opiniões).

Mas, apesar destes sentimentos, e como também escrevi antes, inúmeras vezes o sapo tentou se livrar de mim sem nenhum sucesso, pois na solidão eu mando! Ainda sim continuo a busca, não de uma fórmula mágica, mas da maneira menos desgastante de continuar dividindo um corpo para duas almas. E descobri que um bom começo para entender o que acontece, e tentar o sucesso nesta busca, é ler e discutir estas idéias com pessoas que sentem o mesmo.

Por isso agradeço a existência deste clube, e a todas que mesmo numa fofoca de amigas ou numa discussão mais profunda, contribuem diariamente para nosso crescimento como ser humano, e serve como bálsamo para alma desta que vos escreve.

Atualizada em 01/09/2004