OUTUBRO/2003

Rio, Setembro de 2003

Por Paula Andrews

Genteeee !!!

Que final de semanaaaa !!!

Ma-ra-vi-lho-so é pouco; pouquíssimo !!!

Deixa eu contar.

Estou ainda tão excitada com ele que espero não esquecer nadinha neste relato.

Senti-me como sinto-me nos HEF, com a diferença para muitooooo melhor que desta vez eu não fiquei limitada a um hotel: tive toda a cidade para mim.

Parece babaquice desta veterana, mas foi di-vi-no !!!

O Rio de Janeiro e as meninas do Rio´s Ladies sabem receber a gente e obrigam a um longo relato.

Sexta-feira: finalmente conheço Giulia Felicio com quem já a algum tempo mantenho intenso relacionamento virtual.

Giuliaaaa !!!: obrigadíssima pela reserva do hotel. Muita gentileza sua. E foi "benissimamente" bem escolhido.

Com Marcela Sherman, Cris Camps, Verinha Lucia e uma sua amiga - que não gosta de ser chamada de S.O mas leva jeito para tal -,  todas produzidérrimas, fizemos uma tentativa - frustrada por nosso atraso - de ir ao teatro. Uma pena; até entradas a Verinha já tinha comprado. Mas que foi super- legal entrar, ir e voltar e "passar batida" pela galeria do teatro, até a bilheteria, em meio a multidão de freqüentadores dos barzinhos em volta, ah !!! Isso foi, e muito !!!

Vera Lúcia, inicialmente meio timidinha, perdeu a vergonha e acompanhou-me no "passeio". Bate perna prá cá, bate prá lá e mudamos o programa para um jantar numa cantina de Copacabana.

Depois fomos ao Clube OK. Lá estavam a esperar-nos Giulia e Drica (ambas em formato "sapo"). Reencontro pessoas do clube, gente pela qual nutro muito carinho. Sinto-me em casa no "OK". É tão bom quanto a Cage, quanto o "Le Closet" e o não mais existente Ipsis Club de São Paulo. A noite acaba numa "saideira" no meu quarto do hotel aonde a Giulia fez várias fotos da gente. Eram 4:30 da madrugada. O dia seguinte prometia; dormir é a solução. Pena que a Cris Camps teve que ir embora no sábado pela manhã. E a Gabi, puxa vida !!! Estava no Rio, mas, enrolada com programas familiares, não pode ir a nosso encontro em nenhum dia. Senti sua falta amiga.

No Sábado, o dia começa com a Giulia, numa conversa simpática durante o café da manhã. Uma pena que por conta de compromissos familiares ela não tenha podido acompanhar-nos em todo o final de semana. Mas não faltarão novos encontros: no Rio ou em Sampa para aonde sei que a moça vem amiúde. A tarde passeio (faltou coragem: "em sapo") com a Vera Lucia pelo Shopping RioSul. Duas amigas nas compras. Entra e sai de lojas, procura aqui e ali. Ela procurando uma blusa para combinar com a calça que ia usar à noite. E um sutiã para combinar com a blusa (etâ menina faceira...). Eu só olhando, com olhos de felina, espreitando o alvo. Achei: um conjunto de sandálias e bolsa absolutamente definitivo e um vestido esportivo da Zara que é a minha cara (vejam lá o que pensam neste ponto, hem!!! Não me caluniem...). Não resisti: atirei-me sobre eles. Coitadas de minhas malas. Ainda bem que o vestido de latéx da Forum (Ai meu deus! Que coisa mais maravilhosaaaa !!!) era absurdamente caro... (vou esperar a liquidação de final de primavera-verão). Uma passadinha no cabeleireiro para uma escova no cabelo e um vidrinho novo de esmalte para acabar o passeio. No final da tarde, após merecido descanso deixo o hotel e para espanto da moça da recepção (meu carro por favor) já devidamente produzida, vou visitar o "Le Closet" aonde como de hábito, fui muito bem recebida. Lá já estão, preparando-se para a festa da noite: Marcela, Denise e Drica. Logo chegam Kari Adme e Vera Lucia. E chega a grande noite: a festa de escolha da musa do Clube OK no clube Monte Líbano. Verinha (que, insatisfeita com o resultado de suas compras da tarde, voltou ao Shopping para comprar uma outra blusa que havíamos visto. Coisa de moça...) foi comigo para meu hotel acabar sua produção lá, e novamente atrasadas fomos juntas para a festa. Eu é claro estreando o conjunto novo de sandálias e bolsa cuja cor combinava até com meu baton (por mera coincidência que eu não sou coquete...). Chegamos encima da hora, mas as meninas do "Le Closet", todas muito bem produzidas; com roupas lindíssimas e muito bem maquiadas, guardavam a mesa, que a Marcela já havia antecipadamente reservado.

Já te agradeci, mas novamente Ma: obrigadíssma pelo convite e pela gentileza. Não imaginas o prazer que - com no ano passado - me proporcionaste.

A festa foi bárbara, uma candidata mais bonita que a outra, o show lindo, o ambiente agradabilíssimo; as pessoas todas muito gentis comigo. Só tenho a agradecer e guardar lembranças fantásticas de tudo e todas. Apenas não concordei com o resultado do concurso. Acho que foi marmelada. A moça é bem fraquinha. Mais adiante nesta narrativa verão que tenho razão.

Mas voltando: Marcela e Kari Adme fizeram pilhas de fotos e a noite mais uma vez acaba tarde: quase 5:00 da manhã. Estou acabada; um escombro, mas, feliz. Muito feliz, mais mulher que nunca. Essa é uma sensação que quando estou no Rio de Janeiro acentua-se. Talvez pela liberdade que lá gozo ou talvez pelo ambiente (lá vai paradoxo, mas é assim que sinto o Rio) cosmopolitamente caipira da cidade. Algo do tipo Borges: "ser universal sem nunca ter saído de sua aldeia".

No Domingo descanso todo o dia; saio apenas para ir conhecer o apartamento da Vera e ir buscá-la. Estou excitadíssima (não sexualmente); pela primeira vez vou apresentar-me em público. Estou na dúvida de qual música devo dublar: a mesma que entre amigas, familiarmente, no IV HEF, dublei e conheço muito bem ou uma nova, que gosto muito, mas é bem mais longa e não tenho ainda muita segurança. Novamente produzimo-nos (eu e Vera) no meu quarto do hotel (lá Verinha faz a única foto da noite) e de lá vamos para o Clube OK que está "cheíssimo"; gente saindo pela janela. A musa do clube, escolhida na noite anterior está presente. É noite de show e todos que lá estão querem conhecer a nova miss OK. Lá encontramos Marcela e Denise com sua S.O. Deixo de estar excitada para entrar em pânico. Marcela, nossa pioneira nestas artes do palco, a quem eu apenas sigo, leva-me para o camarim, dá-me dicas e uma super-força. Ao meu lado estão outras transformistas que irão apresentar-se. A única novata sou eu. Já passei do estado de pânico; agora estou surfando; em transe. Tento lembrar da letra da música; não consigo. Tento lembrar da música (tinha optado pela nova canção; aquela que eu conhecia pouco): não consigo. Tomo um whisky; dois whiskys; transpiro que pareço um chuveiro. Marcela sobe para o palco. Eu mal a ouço; só percebo as batidas descompassadas de meu coração e minha respiração que mal me sustenta. Ouço os aplausos. Ela desce, diz que vai à platéia para ver-me. Quase desmaio. Mais uma transformista está apresentando-se. Sou a próxima; sinto meus joelhos dobrarem. Vou desistir. ouço a apresentadora dizer meu nome. É tarde -"merda" desejam-me e sou empurrada para o palco. Bem; sobrevivi para escrever-lhes. Se foi bom ou ruim não tenho idéia. Ouço aplausos; que debito a muita gentileza e alguma amizade da platéia. A apresentadora pede-me algumas palavras. Falo de nós, quem somos, como entendemo-nos neste nosso mundo tão doido. Ouço mais aplausos. Parece que conquistei a platéia.

O show acaba, despeço-me de Denise e S.O. que precisam ir embora. Começa um temporal, a rua alaga, ninguém pode sair. Vamos para o andar debaixo do clube aonde há um lounge. A surpresa: nós, as CDs, Marcela, Vera Lucia e eu somos o centro das atenções. Todos e todas querem falar conosco. Disputam a primazia de dirigir-nos perguntas; pedem silencio para ouvir nossas respostas. Ouvimos todo tipo de elogio e a tal da miss (eu não disse que ela era fraquinha?), esquecida num canto. Tão ignorada que vai embora mesmo antes do nível de água da rua baixar completamente. Acho que preferiu a chuva ao esquecimento.

E nós continuamos sendo assediadas. Já estava até ficando chato. Eu nem mais sabia o que dizer.

É mais ou menos 1:00 da madrugada. A chuva pára; a água desce. Vamos embora. Algumas das transformistas e seus amigos convidam-nos a acompanhá-las até um local próximo; o bar das kengas. Elas vão antes de nós. Quando vamos, seguimos pela Mem de Sá e Marcela dá o veredicto:  - o bar está fechado. A chuva impediu que abrisse. Concordamos e vamos embora. Levo Vera e sua amiga para seu apartamento em Copacabana e na volta deixo Marcela no "Le Closet". Sigo pela Mem de Sá para meu hotel, mas resolvo seguir um pouco adiante da rua do Resende. São 2:00 da madrugada; tudo está fechado, mas na esquina seguinte está estacionado um trailer daqueles que vendem sanduíches e bebidas até alta madrugada. E ao lado uma mesa com algumas das "meninas" que haviam nos convidado a acompanhá-las. Minha noite não havia ainda acabado e pela madrugada, até pouco antes de clarear, entre elas: transformistas - e seus namorados -, travecas - e seus gigôlos - e gays da noite carioca, fiquei jogando conversa fora, falando bobagem, comendo frango a passarinho e tomando cerveja em plena calçada da lendária, boêmia, decadente e fascinante Lapa.

Minhas queridas amigas: como diz a personagem da canção que dublei naquela noite:

"I love my life, and all that jazz !!!

Beijos sinceros e eternamente agradecidos a todas com as quais estive neste final de semana, em particular e especialmente as irmãs do Rio's Ladies