A NATUREZA DA S/O

Por Miss Taylor

Há algum tempo tenho pensado em falar no assunto e ele não tem saído da minha cabeça. Pois bem! Vamos aso fatos.

A convivência com o mundo CD me proporcionou conhecer pessoas incríveis, que se tornaram minhas amigas, e que hoje também partilham comigo o seu universo CD. Desde que a Juliana me apresentou a este universo e que fui aceita como sua S/O, eu sempre fui muito bem recebida e acolhida. Lógico que com algumas restrições no início, o que eu compreendo e apoio, em nome do sigílo.

Quando a Jú me falou sobre o Cding e comentou sobre a existencia de uma sociedade de praticantes desta arte, eu considero arte, procurei me informar e entender o que era este universo. Fiquei encantada ao saber que haveria um espaço para pessoas como eu, um espaço reservado as mulheres que apoiam e prática. Quando lí sobre a natureza da S/O me senti uma, tanto que cheguei a enviar vários e-mail’s para o BCC, dizendo que talvez fosse uma S/O, mas este é um assunto que tratarei em outro momento. O que quero discutir aqui é sobre a natureza da S/O.

Para isso faço uso do texto publicado no site do BCC, o que me ajudou a entender o que eu sou:

S/O é o termo originário da língua inglesa que significa Supportive Other ou ainda Supportive Opposite. Pessoa do sexo oposto que apóia e dá suporte à prática CD (crossdresser).

A S/O pode ser a esposa, namorada, mãe, irmã, amiga, mas primordialmente, aquela pessoa que tem convivência diuturna com o CD. Porém, o fato de viver ao lado de um CD, não faz da mulher uma S/O. Lembre-se que S/O não é aquela que tem conhecimento da condição do marido ou namorado de ser CD, mas aquela que sabe e o apóia.

Considerando estas características eu gostaria que passassemos a compreender melhor a natureza da S/O. A S/O não é necessáriamente a esposa, namorada ou companheira do CD, mas a mulher a quem ele confia essa existência ambígua. Eu digo confia, porque é preciso muita coragem e amor para entregar esta parte da vida a uma mulher, considerem o conflito que homens heterossexuais enfrentam ao se verem diferentes dos padrões sociais. Imaginem ainda a terrível insegurança capaz de assolar um relacionamento diante da possibilidade da descoberta.

Eu quis falar sobre isto porque quando converso com CD’s e falo que sou S/O, alguns dizem, que legal, adoraria que minha S/O aceitasse. Ora, se ela não aceita, desculpe-me, mas não é sua S/O, não deve receber esse título.

S/O é a mulher que aceita, apoia e dá suporte a prática do Cding.

Por favor, não quero com estas afirmações promover a “marginalização” das mulheres que participam deste espaço mesmo sem apoiarem seus parceiros. Só acredito que estas não sejam S/O e que compreendam que os CD’s precisam, merecem e têm direito a ter uma S/O.

Pense no quanto seria terrível se tivéssemos que conviver com algo que desagrada nosso parceiro e ainda por cima fossemos condenadas a não partilhar isto com ninguém?

Deus eu enlouqueceria, se não pudesse confidenciar a uma amiga coisas que não confio à Juliana. E não sejamos hipócritas ao dizer que não temos assuntos que preferimos não conversar com nossos parceiros.

Então porque não considerar a necessidade de se ter uma S/O, e não venham com ciúmes, considerando isso alta traição. Aqui cabe um pouco de generosidade, as que sabem e não apoiam deveriam torcer para que ele possa encontrar apoio em alguém conhecida e amiga. E a nós que adotamos o total apoio ao Cding de nossos amores, que incentivemos outras CD’s a buscarem este apoio porque acolheremos com muita alegria as S/O’s de qualquer natureza: mães, amigas, primas, filhas...

E as CD’s um recado, se sua parceira não sabe ou não aceita, busque uma S/O, entre as pessoas do seu convívio, até mesmo no BCC entre outras S/O’s porque não??? Coloque-se para adoção, não se permita ser órfão.