PAULA NARA NEYSAN
Botucatu-SP

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Biografia
Minha história começa como a da maioria das CD's.

Visto-me desde de muito cedo, acho que por volta dos cinco aninhos já assaltava o guarda-roupas da minha irmã. Naquela época não entendia bem o que se passava comigo, o por que desse fascínio por roupas femininas.

Um dia, (deveria ter mais ou menos 7 anos) me vesti bem bonitinha e me mostrei à minha mãe, a princípio ela assustou mas acabou fazendo elogios. "Nossa, que bonitinha está a minha filha!". Então eu provei todas as roupas da minha irmã, sempre mostrando para minha mãe que continuava a elogiar. Me senti no céu e não via a hora de uma nova oportunidade de estar sozinha com minha mãe para repetir o "desfile". Até que um dia tudo deu certo, chovia muito e estava só a minha mãe e eu em casa, meu coração batia a mil e, criei coragem e pedi para minha mãe para novamente provar as roupas da minha irmã, foi horrível, ela me deu a maior bronca, disse que isso não era coisa de meninos, que eu era homem e deveria me vestir como homem, etc... Dai para frente passei a viver meu crossdressing no mais absoluto sigilo mas nunca desisti.

O tempo foi passando, casei-me aos 20 anos e, logicamente não deu certo. Aos 31 casei-me novamente, aí com uma pessoa fantástica, amiga, companheira, cúmplice, etc... Vivemos uns 6 anos sem que ela sequer sonhasse com o meu CDing e isso começou atrapalhar nossa convivência. Ela, para me agradar, me enchia de presentes (coisas de homem é claro). Dizia que tinha horror a homens com unhas compridas, etc, e eu querendo ganhar calcinhas, saínhas e ouvir coisas exatamente contrárias, sonhava poder ser eu mesma, acho que isso foi me tornando agressivo, amargo e conseqüentemente o casamento foi desabando, até que um dia me enchi de toda a coragem do mundo e contei tudo à ela, mostrei minhas roupas, meus sapatos, etc., para minha surpresa, ela adorou a idéia, adorou meus sapatos e passou a me tratar como uma verdadeira mulher, foi como passar do inferno para o céu, meus presentes passaram ser lingerie, meias finas, maquiagem, e, em pouco tempo tinha um monte de coisas, nossa vida ficou um mar de rosas, infelizmente esse casamento não deu certo, acabou depois de 12 anos.

Então, conheci minha atual esposa e, logo no início do relacionamento abrimos o "jogo" e contei da minha condição de CD e da minha Bisexualidade. Ela adorou e me revelou seus fetiches. Ela é Bi, dominadora e adora inversão, acho que foi o casamento perfeito. Hoje posso me manter depiladinha, unhas sempre feitas, cabelos mais compridos, tomo sol de biquíni, dividimos lingerie e maquiagem, em fim, somos super felizes e realizadas.

Moramos no interior de SP e procuramos por pessoas que gostem das mesmas coisas para uma boa amizade.

Paula Nara

Atualizada em 07/03/2006