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MARCIA
REGINA MOREIRA |
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Conta a lenda que dormia
Uma Princesa encantada A quem só despertaria Um Infante, que viria De além do muro da estrada.
Ele tinha que, tentado,
Vencer o mal e o bem, Antes que, já libertado, Deixasse o caminho errado Por o que à Princesa vem.
A Princesa Adormecida,
Se espera, dormindo espera, Sonha em morte a sua vida, E orna-lhe a fronte esquecida, Verde, uma grinalda de hera.
Longe o Infante, esforçado,
Sem saber que intuito tem, Rompe o caminho fadado, Ele dela é ignorado, Ela para ele é ninguém.
Mas cada um cumpre o Destino
Ela dormindo encantada, Ele buscando-a sem tino Pelo processo divino Que faz existir a estrada.
E, se bem que seja obscuro
Tudo pela estrada fora, E falso, ele vem seguro, E vencendo estrada e muro,
Chega onde em sono ela mora,
E, inda tonto do que houvera,
À cabeça, em maresia, Ergue a mão, e encontra hera, E vê que ele mesmo era A Princesa que dormia.
Fernando Pessoa
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Atualizada em 22/02/2006