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Eu, Karina, vivi minha infância rodeada e paparicada por
mulheres (tias, avó, irmãs,). Adorava ver minhas tias, muito vaidosas,
conversando sobre roupas, maquiagem, etc.. Minha primeira aventura foi pegar
um esmalte bem vermelho e acetona do armário da minha tia, trancar-me no
banheiro e pintar minhas unhas. Com dez anos comprei minha primeira meia
calça e um vidrinho de esmalte.
Minhas tias tentavam convencer minha mãe a usar sapatos altos, vestidos mais
ousados, sem sucesso. Que prazer ver este tesouro encostado!. Passei a
usá-las, sempre escondida.. Minhas incursões pelas lojas eram muito
excitantes, com o coração saindo pela boca, a voz tremula, tentando
disfarçar que não era para mim.
Sonhava acordada com o dia em que poderia andar completamente vestida como
mulher, pela rua, pelas lojas, no salão de beleza (uau!),
Passei toda a adolescência sem entender o que se passava, e com dificuldade
de se aproximar de garotas. Terminando a faculdade conheci uma garota
incrível, com que vivo ha 20 anos. Não contei nada a ela, e não tive desejos
por 2 anos. Após este período fiquei dois anos vestindo-me escondida até ter
coragem de contar. Foi um choque!! Aos poucos fui conseguindo espaço para me
vestir. Aparentemente o sentimento de aversão ao marido travestido vem
reduzindo com o passar do tempo. Às vezes ela tem elogiado minha montagem,
outras, faz sugestões.
Outro dia, vestida de sapo, com uma meia fina, criei coragem de ir a uma
loja de sapatos grandes, e escolher meu primeiro sapatinho de salto bem
fino, bem alto. Nossa,...quase tive um ataque cardíaco!! Voltei com o
sapato, dirigindo. QUE DELÍCIA!!!!
Adoraria poder encontrar com outras CDs e suas S/Os, conversar sobre
tranqüilamente sobre temas femininos; passear e fazer compras livremente;
participar do Day en Femme. |