Katia Steelman Walker
Fortaleza - CE

Inscrição: 26/09/1999

E-Mail:

katiasteelmanwalker@hotmail.com
Site: http://katiasteelmanwalker.blogspot.com/

 

Biografia
Acredito que todas as pessoas têm em seu intimo, "coisas" muito bem guardadas debaixo de sete chaves que acabam não ousando revelar a ninguém. Seja pôr temor do ridículo, discriminação, perda da individualidade ou simplesmente insegurança... Desde que me lembro, o sonho de ser mulher começou na minha infância. Quando eu tinha uns 8 anos ‘surrupiava’ calcinhas da minha mãe e irmãs. Sempre adorei a magia do frescor das roupas femininas em contato com o meu corpo e a pressão da lycra sobre a minha pele. Bastava pôr calcinha e meia calça para a minha imaginação viajar. Era comum sonhar que dormia menino e acordava menina. Quando "pequena" por várias e várias vezes brincava que era um homem que era transformado em mulher pôr conta de uma máquina de mudança de sexo inventada pôr um cientista que me usara como cobaia; ou que era um cara que se transformava em mulher como a Linda Carter se transformava na Mulher Maravilha... Isso inclusive me lembra quantas e quantas coisas que a gente faz na infância tipo ler histórias em quadrinhos e de ver filmes de desenho (Pernalonga e o pica pau) onde o personagem se transforma em mulheres lindas, sedutoras e maravilhosas. Às vezes acho que coisas assim é que despertaram meu interesse em roupas femininas. Na adolescência, veio o despertar do meu lado masculino. Já não era confundido com uma menina ou pelo comportamento, pelo rostinho angelical (que fazia com que as pessoas vivessem apertando as minhas bochechas), ou pelo uso dos cabelos levemente compridos. E assim os meus desejos femininos ficaram guardados. Não obstante as festinhas, amizades, namoradas, e os desejos naturais de menino, vez por outra a vontade de me sentir “em femme” renascia de tempos em tempos o que me fazia ter sempre algumas calcinhas, sutiãs, roupas e peruca guardadas em segredo. As vezes lembro que me trancava no banheiro para raspar as pernas (fato que minha mãe logo notou e que "passou" um longo sermão), ou passar batom e testar algumas maquiagens, experimentar algumas roupas do cesto de roupas e posteriormente evoluir para "atacar" (quando ninguém estava em casa) as roupas de minha mãe e irmãs. Nesta época era comum imaginar que era surpreendido vestido de mulher e que era doutrinado a ser a fêmea. Em 1999 descobri na internet pessoas com anseios similares aos meus. Assim passei a ter uma nova visão daquilo que eu era. Fui fundo, como todas as coisas que faço na vida e quis descobrir se eu seria ou não homossexual. Com o tempo descobri o que era o crossdressing e ao me definir assim passei a rejeitar menos aquilo que eu sentia dentro de mim. Sem duvida achar outras pessoas com os mesmos sonhos e desejos foi fundamental para esta definição e autoconhecimento. A estas pessoas chamei de "irmãs". Adentrei ao seu convívio delas através de clubes virtuais, chats e lists de email e assim passei a me sentir compreendida, pois sei que há muitas pessoas como eu (umas mais outras menos), que sabem o que são e o que querem. Estão bem resolvidas com esperança e um rumo para suas vidas. Sou casado e minha esposa nada sabe e não quero que ela sofra com o preconceito inerente a ela e a sociedade (principalmente amigos e familiares) que em geral não entende as razões e sentimentos que dominam a personalidade de alguém como eu. Acho que já nasci assim com este desejo enorme em fazer parte do mundo feminino, mas como eu nasci em uma família conservadora, no nordeste e extremamente calcada em valores cristãos, dai ficou muito difícil eu assumir esta parte que tanto amo. Adoro me vestir cruzado (cross dresser). Não sou um travesti perfeito destas de enganar qualquer um no carnaval por exemplo. Mas estou feliz e me amo a cada dia, cada vez mais.

Atualizada em 15/07/2010