ARTIGOS & TESES
NORMAS PARA PORTADORES DE NEURODISCORDÂNCIA DE GÊNERO
Por
Martha Freitas - Martha
Camilla Freitas é a coordenadora geral do Transgender Brazil, junto com Astrid
Bodstein e Marcia Lopes. Verônica Lane é responsável pelas atividades de Relações
Públicas, Representação, Serviços de E-mail e Website.
Primeira
Parte: Conceitos Introdutórios
1.1.- O Propósito das Normas:
O propósito principal é a identificação dos portadores de neurodiscordância
de gênero, utilizando não apenas os procedimentos psicológicos e/ou psiquiátricos
comuns, mas verdadeiros procedimentos médicos. Hoje nós sabemos que, os
portadores de neurodiscordância de gênero são seres humanos com características
inatas e somáticas próprias, e uma estrutura sexual mental e um sistema
sub-cortical em discordância com a sua conformação genital original. Eles não
são travestis, homossexuais ou pessoas com problemas psicossociais, mas eles têm
uma verdadeira identidade de gênero deles/delas, o gênero deles/delas, e uma
identidade interna em discordância radical com os órgãos genitais
deles/delas. Eles têm problemas somáticos, e precisam de uma solução médica,
elas são pessoas portadoras de um defeito.
Hoje nós sabemos, depois de Doner, Raisman e Field, Pfaff, Gorsky e muitos
outros, que estudaram ratos; Bonsall, Michael, Pfaff, Pomerantz, Sholl, Ayoub,
Goy, Resko, Connolly, Clark, entre outros, que estudaram os macacos rhesus;
Doner, Swaab, LeVay, Pfaff, Gadue, McEwen que estudaram nos humanos, descobriram
que o nosso Sistema Nervoso Central (SNC) tem anatomicamente um sexo, e esse
sexo é neural e gravado em nosso corpo, sendo localizado em áreas
sub-corticais; e essas áreas nunca mudarão depois do nascimento. Ninguém
aprende a ser um gato, ou a ser um cachorro. Ninguém aprende a ser um cisne ou
um pato, todas as crianças sabem quem são. Ninguém aprende a ser um menino ou
uma menina.
Nosso sistema neural sub-cortical (hipotálamo, terminal de estria e amígdalas
do límbico) gera em nosso ego, disposições inatas, ou dispositivos de imagem
(Damasio), incluindo nossa pré-disposição de identidade de gênero. Aquela pré-disposição
define em nosso ego, nossa identidade de gênero interna e real, nosso real e
verdadeiro sexo.
Biologicamente pessoas normais não têm nenhuma discordância entre a sua
conformação genital e a sua pré-disposição de identidade de gênero ou sexo
verdadeiro. Pessoas portadoras de neurodiscordância de gênero têm os órgãos
genitais em discordância com a sua identidade de gênero, com o sexo inato
gravado no corpo neural deles/delas.
O propósito principal das Normas é mostrar um modo seguro de descobrir, o mais
cedo possível, pessoas com desordens sexuais ou portadoras de disforia sexual,
e se aquela disforia é de NEURODISCORDÂNCIA DE GÊNERO.
Se alguém é um neurodiscordante de gênero, o mais cedo possível
"ele" ou "ela" têm o direito, como ser humano (e um ser
humano defeituoso), de ter o auxílio para realizar a correção necessária e
possível, para obter, desta forma, o maior respeito, uma vida digna e normal
dentro da sociedade.
O neurodiscordante de gênero, neurobiologicamente um macho ou fêmea, tem o
direito de ter o corpo corrigido o mais cedo possível, para ter e levar a vida
o mais normal possível.
Primeira
Parte:
Conceitos Introdutórios
1.2.-
O Objetivo do Tratamento:
O objetivo do tratamento é, depois da identificação do neurodiscordante de gênero,
promover a correção total do seu corpo, utilizando procedimentos endocrinológicos
e através da realização da cirurgia transgenital tão rápido como possível.
O neurodiscordante de gênero é um tipo de "ser intersexual invisível",
e tem o direito a todas as correções assim que nós tenhamos um diagnóstico
correto e seguro. Não só um diagnóstico psicológico e/ou psiquiátrico mas,
principalmente, a um endocrinológico, a um genético e a um diagnóstico
sexual, feito por um bom sexologista.
A meta de tratamento é corrigir pois os corpos que estão contrários à
realidade sexual do neurodiscordante de gênero o mais cedo possível,
minimizando os traumas psíquicos e sociais nas vidas das vítimas daquele tipo
de síndrome.
Primeira
Parte:
Conceitos Introdutórios
1.3.- Diretrizes Clínicas:
Nós pretendemos mostrar a melhor forma de como os sexologistas, psicólogos,
psiquiatras, endocrinologistas, geneticistas e cirurgiões, podem estudar e
desenvolver tecnologias novas, processos e testes, para identificar e promover o
diagnóstico e tratamento ideais para pacientes com neurodiscordância de gênero.
Principalmente, para as crianças de neurodiscordância de gênero e
adolescentes.
Geralmente, o adulto com neurodiscordância de gênero, com mais que 20, 25
anos, não muito traumatizado pela família, vida, religião e sociedade, é bem
provável que facilmente mostre sua identidade de gênero, se por acaso era
muito pouco conhecida por ele ou ela desde que era uma pequena criança
consciente, com 5, 6, 7 anos. Mas, para alguns adultos com muitos trauma, depois
de muito sofrimento, é necessário às vezes um estudo psiquiátrico muito
profundo.
Para crianças ou adolescentes não muito traumatizados, os testes genéticos
serão muito importantes. Para adultos, esses testes não são importantes.
Nós sugerimos, para as crianças, adolescentes e adultos, algumas normas de
procedimentos de teste, como uma diretriz principal a ser analisada para cada
condição do paciente.
Em nosso ponto de vista, não é tão importante, como outros pensam, ter uma
"real experiência" de vida, como uma pré-exigência para o
tratamento hormonal e o programa de cirurgia transgenital. Às vezes pode ser
confundida uma real experiência de vida com o comportamento de tipo travesti,
orientação sexual homossexual, e a neurodiscordância de gênero que podem ser
inibidos pela costumeira mistura que a sociedade faz. É muito bom quando o
neurodiscordante de gênero pode viver um papel social de gênero, de forma
livre e aberta, mas não é absolutamente necessário, em nosso ponto de vista.
Primeira
Parte:
Conceitos Introdutórios
1.4.- Machos Neurobiológicos e Fêmeas Neurobiológicas:
Machos neurobiológicos (fêmeas genitais) e fêmeas de neurobiológicas (machos
genitais):
A
melhor definição do sexo do paciente, e de cada ser humano é muito
importante, e hoje muito controverso. Como hoje podemos definir o verdadeiro
sexo de alguém? Com o aparecimento externo do genitais, como na Idade Média?
Ou quando alguém usa vestidos ou artigos de vestuário? Ou baseado na
classificação feita por alguém que classifica uma criança, antes de que a
criança pudesse expressar sua conformação neural interna, imagens inatas
internas e pré-disposição?
Nós estamos em 2000, não mais nos cinqüenta, quando algumas pessoas pensaram
em hormônios, geneticismo e neurônios como elementos importantes para
estabelecer a identidade interna de gênero.
Hoje nós sabemos, que a nossa identidade de gênero é neural, inata e somática.
Nosso sexo é nosso sexo neural. Assim, machos genitais podem ser
neurobiologicamente reais fêmeas, e vice-versa.
Como em algum dia, pelo século XVII, Galileo e Copérnico mudaram nossos
referenciais astronômicos, cosmológicos e o mesmo Kant no século XVIII em
filosofia, hoje a neurobiologia está mudando o ponto referente a definição do
sexo. O verdadeiro sexo é o neural, o psicossomático e não o genital. Para
todo o neurodiscordante de gênero, é muito importante ser reconhecido
socialmente pelo seu sexo neurobiológico, e não pelo sexo genital.
Infelizmente hoje, todas as Constituições, de todos os países, ainda usam o
sexo genital para definir o sexo do indivíduo. Eu espero, um dia, que esta
situação mudará e todos as pessoas serão reconhecidas pela sua identidade de
gênero, pelo seu sexo hipotalámico e neural, até mesmo pela lei.
Segunda
Parte: Origem, Diagnóstico e Tratamento.
2.1.- Considerações Epidemiológicas:
Hoje nós sabemos que um neurodiscordante de gênero fêmea (neural fêmea) teve
dois problemas durante a sua gestação trabalhando juntos: um genético e o
outro, endócrino. O fator genético é reconhecido como o receptor de andrógenos
com baixa intensidade, e/ou receptor de estrógenos de intensidade. O endócrino,
é uma quantia pequena de andrógenos no cérebro durante a diferenciação do
sexo neural (entre 4º e 7º meses da gestação). Esses dois fatores que
trabalham juntos são suficientes para não masculinizar o cérebro, até mesmo
quando os órgãos genitais sejam masculinos.
Assim, a insensibilidade e/ou baixa recepção de andrógenos/estrógenos podem
ser uma característica que depende de fatores hereditários populacionais e/ou
raciais. Algum tipo de famílias, ou populações ou alguns tipos de nações
poderiam ter pré-disposição mais genética para ter aquele tipo de síndrome.
Um outro fator, é a quantia de andrógenos no fluxo de sangue ao cérebro
durante o 4º e até o 7º mês de gestação, hoje nós sabemos que isso
depende da condição emocional das mães!
Estresses patológicos em mães torturadas por diversos fatores, terão mais
probabilidade para ter meninas com neurodiscordância de gênero. Nós vivemos
cada vez mais em sociedades opressivas para as mães. A quantidade de meninas
com neurodiscordância de gênero está aumentando, e provavelmente aumentará
cada vez mais. Na Holanda, a Harry Benjamin´s Fundation nos informa que, o índice
de meninas com neurodiscordância de gênero vem aumentando de algumas décadas
até hoje, a razão de 1:37000 para 1:11900; e no caso de meninos com
neurodiscordância de gênero, de 1:107000 para 1:30400!
As causas biológicas de meninos com neurodiscordância de gênero não são bem
entendidas ainda hoje. Provavelmente, os cérebros são masculinizados pela
exposição a uma quantia grande de estrógeno no feto, circulando no fluxo sangüíneo
durante o período crítico da diferenciação do sexo no cérebro, causado por
uma atividade precária da placenta ao filtrar o estrógeno, mas ninguém está
seguro sobre isso hoje. Mas os meninos com neurodiscordância de gênero também
estão aumentando mais ou menos, em alguma proporção como as meninas com
neurodiscordância de gênero.
É muito importante que nunca se confunda neurodiscordância de gênero, um síndrome,
algo eminentemente biológico, um tipo de intersexo, com travestismo, "crossdressing"
ou "drags".
Travestis, "crossdressers" e "drags" não possuem disforia
com seus próprios corpos, assim como com seus órgãos genitais. Eles só são
artistas de certa forma, ou às vezes apresentam uma disforia com a sociedade,
mas não com eles próprios. Eles nem apresentam todo o síndrome e normalmente,
nenhum problema médico.
Segunda
Parte:
Origem, Diagnóstico e Tratamento.
2.2.- Origem e Desenvolvimento da Nomenclatura:
O termo "transexual" emergiu nos anos cinqüenta como um meio de
designação para uma pessoa que desejou ou viveu no papel do gênero contrário,
em discordância com a sua aparência genital. Com a terapia de hormônios ou não,
com cirurgias transgenitais ou não. Alguns clínicos usaram o termo
"verdadeiros transexuais" durante os anos sessenta, vindo a confundir
os neurodiscordantes com travestis e outros.
O "verdadeiro transexual" era mal compreendido pelos psicólogos e
psiquiatras como alguém que, por alguns problemas de identidade na primeira infância,
não conseguiram aprender o modo correto de viver com o gênero genital
original, optando por viver o outro papel sexual, além de incluir o tratamento
hormonal e cirurgia dos órgão genitais. Todos estes termos foram
equivocadamente empregados por terapeutas que imaginaram que a identidade de gênero
era um produto opcional da infância. Da mesma forma como alguém aprende uma
linguagem, eles disseram. Assim, hoje alguém poderia imaginar uma menina, e
amanhã poderia imaginar e ver no espelho que era um menino por causa dos hormônios,
por causa de razões genéticas e neuroniais, como um dogma fundamental, tudo
isso não era importante para a definição de identidade de gênero.
O Dr. Dorner, um endocrinologista alemão da Humboldt University em Berlim, um
alemão Oriental, do outro lado do Muro de Berlim, um comunista que usa ratos de
laboratório, demonstrou que o cérebro tem um sexo, definido nas estruturas
sub-corticais. O que também os humanos possuem, como depois dele o confirmaram
muitos outros cientistas (Gladue, Le Vay, Swaab, entre outros). Mas naquele
tempo, psicólogos e psiquiatras (principalmente Money e seus seguidores) tinham
como verdade pré-estabelecida, o dogma que os hormônios, os neurônios e a genética
não eram importantes. Mesmo sabendo os resultados dos endocrinologistas,
geneticistas e neurobiológos, eles ainda insistiam nos seus dogmas ideológicos
existencialistas.
Infelizmente, Dorner cometeu um engano. Ele não compreendeu a homossexualidade.
No ponto de vista dele o sexo mental era importante para mostrar apenas a
orientação sexual. Hoje, depois da descoberta da normal bissexualidade dos
bonobos, um tipo de chimpanzé (uma espécie nova de hominóideos, denominados
de pan paniscus) naturais da floresta de Wamba no Congo, sabemos que seguramente
a heterossexualidade, a homossexualidade e a bissexualidade não são problemas
de origem neuronial, mas manifestações culturais.
O Dr. Money disse que os hormônios, os neurônios e a genética não eram
importantes para a identidade de gênero, mas aceitou que os hormônios eram
importantes para a definição do papel do gênero. Mas isso é impossível,
porque o papel do gênero, por definição, é algo que você aprende, porque o
papel que você pode aprender, resulta em algo cultural.
Dorner e Money não viram o que realmente estava acontecendo. Nem Dorner ou
Dinheiro estavam certos, porque o hipotálamo pode não decidir sobre a orientação
sexual (algo cultural), e o papel do gênero (algo cultural também). A única
coisa que o hipotálamo podem gerar em nós, são outras coisas como: gostar e não
gostar, e a identificação.
Hoje, a maioria dos resultados demonstram, em ratos, pássaros, macacos rhesus e
humanos, que o hipotálamo é muito importante para definir se é fêmea ou as
pré-disposições masculinas. Isso está certamente seguro, e todos os
cientistas e peritos concordam.
Este sistema hipotalâmico pode não ser importante para definir a orientação
sexual, porque na selva, todos os espécimes de hominóideos de uma espécie,
como os pan paniscus ou bonobos, podem não ter uma estrutura neuronial patológica.
E todos eles são bissexuais, sistematicamente. Ninguém é heretossexual,
naturalmente.
Esse sistema hipotalâmico pode também não ter apenas uma influência nos papéis
de gênero sociais ou culturais, porque caracteristicamente somos eretos,
aprendemos ou construímos com o nosso córtex cerebral, e nunca com o hipotálamo.
Como nós aprendemos um idioma, através do córtex cerebral, por exemplo. O Dr.
Donald Pfaff demonstrou para nós, como também o fez Bonsall, Clark e Michael,
que o córtex cerebral dos primatas não têm a ação de esteróides sexuais,
dessa forma, eles não podem ser responsáveis por importantes definições como
a identidade de gênero, mas só desenvolver papéis de gênero.
Mas esse sistema hipotalâmico é certamente importante para a diferenciação
sexual das estruturas cerebrais. E seguramente, tem relação com importantes
conseqüências psicossomáticas nas respostas psíquicas humanas. Assim, o
hipotálamo é importante para a geração de uma identidade de gênero, como um
processo psicossomático, gerando uma pré-disposição a imagens, resultando em
algo inato, somático e neurológico que determina o sexo em nosso ego (M.
Freitas).
Hoje nós sabemos que é impossível aprender a ser um menino ou uma menina na
infância. As pré-disposições das áreas sub-corticais inatas são inalteráveis
após o nascimento humano.
Agora é muito importante demonstrar que esses velhos tabus não são
verdadeiros, e que precisamos de conceitos novos para definir o novo
conhecimento que temos da realidade.
Nós também sabemos hoje que, o processo genético e endócrino da diferenciação
neural é totalmente independente e muito mais complexo que a simples diferenciação
genital, e eles podem estar em total discordância.
E essa é a origem de neurodiscordância de gênero.
Muitos nomes estão sendo usados hoje para definir o transexualismo:Transgênero,
disforia de gênero, desordem de gênero, etc. Todas esses condições são
boas, e podem definir algo, mas nunca a causa do síndrome. Desordem é um
conceito muito grande, e também disforia. Disforia é uma conseqüência do síndrome
mas nunca a causa. Para definir hoje esse tipo de síndrome da melhor forma possível,
estabelecemos o termo NEURODISCORDÂNCIA DE GÊNERO . Por que?
É uma real discordância, uma discordância somática e inata entre a forma
genital e a estrutura sexual neural interna. Aquela estrutura neural gera em nós,
de forma inata, dispositivos de imagens e pré-disposições. Entre outros,
imagens da identidade de gênero, que nós expressamos ao longo de nossa infância
dentro de nossas brincadeiras e jogos, tendências, desejos, etc. (O que o Dr.
Money denominou de "papéis" de gênero, resulta na verdade a expressão
da identidade de gênero natural, o sentimento expressado da criança).
O sistema neural está em discordância com a forma genital.
Um termo bom para expressar aquela discordância somática, inata e biológica
é o de NEURODISCORDÂNCIA DE GÊNERO.
Neurodiscordância de gênero não é um problema psicológico, mas um problema
neurológico. Nenhum psicólogo ou psiquiatra pode "curar" ou
"mudar" o sexo inato gravado em nossos cérebros. O psicólogo ou o
psiquiatra pode descobrir se o paciente tem outro tipo de problemas - algumas
doenças mentais - etc.
Hoje até mesmo nenhum neurologista pode "curar" ou "mudar"
o sexo de neural de ninguém. Mas o endocrinologista e o cirurgião podem
corrigir os corpos e órgãos genitais para o ser estar acorde. Isso é possível
e deve ser feito, o mais cedo possível.
Segunda
Parte:
Origem, Diagnóstico e Tratamento.
2.3.- Diagnóstico da Neurodiscordância de Gênero:
Há muita confusão hoje, e isso deve ser explicado e deve ser eliminado
definitivamente. Há muitas coisas que nós podemos classificar como disforias
de gênero. Homossexualismo pode não ser classificado como desordem de gênero.
A descoberta dos macacos de bonobo no Congo, e o último resultado das pesquisas
com os bonobos nos mostra, inequivocamente que, a bissexualidade e o
comportamento homossexual são padrões psicossociais e nunca algo biológico.
Hétero, homo e o comportamento bissexual são algo social e cultural e não
algo biológico.
Porque um homossexual é ativo/passivo ou porque um homem gosta de travestir-se
como uma mulher? E colocar peito de silicone, mostrar alguma feminilidade
externa?
Eles amoldaram seus cérebros, eles são biologicamente machos normais, e nunca
mulheres com neurodiscordância de gênero.
Fetichismo, trauma, uma imaginação desenvolvida, nós não sabemos. Mas é
algo social, psicossocial, e não um cérebro feminino com órgãos genitais
masculinos. E geralmente eles têm outras características...
Cérebros masculinos com órgãos genitais masculinos.
Eles são ativos/passivos e não só passivos sexualmente com homens.
Eles mostram sempre alguns aspectos eminentemente masculinos.
Eles nunca pretendem realmente ser reconhecidos como mulheres.
Eles não gostam da idéia de realizar a cirurgia transgenital.
Eles mostram uma aparência externa feminina e nunca sentimentos internos
femininos.
É possível que alguém com neurodiscordância de gênero esteja seguro sobre
"quem ele é"?
Sim, de fato, principalmente se o neurodiscordante de gênero tem mais idade e
muitos sofrimentos e trauma adquiridos. Nesses casos, um trabalho psicológico e
psiquiátrico é muito importante e deve ser desenvolvido, porque muitos
sentimentos e inseguranças podem estar presentes na mente do paciente. Pelo
menos, um a dois anos de análise profunda serão realmente necessários, mas
esses casos não são tão comuns.
No princípio da vida consciente, com 6 para 7 anos, sem medo e opressão, a
criança mostra inequivocamente quem é, ou ela ou ele. DEIXE QUE AS CRIANÇAS
SE MOSTREM LIVREMENTE, antes dos traumas de rejeição da família, dos pais,
dos vizinhos, etc... os tabus do sexo podem colocar em perigo a exposição
interna dos seus sentimentos naturais. As crianças mostram, sem temores,
livremente as identidades de gênero que carregam (nunca os papéis de gênero
conforme Money pensou). Crianças, naquela idade podem mostrar realmente o que
elas são. Ninguém poderia saber melhor que si mesmo, quem nós somos. Mas,
para crianças pequenas, nós precisamos ter mais informação. O psicólogo
deve testar bem para saber se há qualquer tipo de possível doença mental ou
patologia, assim como conhecer dos pais as condições durante a gravidez, se a
mãe teve alguma situação anormal acentuada ou não. E testes genéticos,
saber se há alguma insensibilidade na recepção de andrógenos/estrógenos...,
infelizmente, os sistemas neuroendócrinos não são "operacionais",
até os 16 para os 18 anos.
Nós temos mais ou menos 3 a 4 anos de análise, onde concluímos. Isto é
bastante tempo, principalmente se a criança é livre para mostrar seu eu.
Com 10 a 11, podemos começar se o neurodiscordante de gênero está determinado
ao tratamento de hormônio, até as 12 ou 13. Então, segue-se a cirurgia
genital, para as mulheres, porque hoje há uma excelente tecnologia de
vaginoplastia. Hoje para homens, o melhor modo é só manter mais tempo a
hormonioterapia, até uma boa tecnologia de conformação de um pênis novo seja
desenvolvida.
Nunca a hormonioterapia ou a cirurgia transgenital devem ser realizadas baseadas
apenas em avaliações psicológicas ou diagnósticos psiquiátricos para
adolescentes. A exposição natural e livre do paciente e o teste genético são
essenciais, nesses casos.
Ao contrário, para pessoas mais velhas, depois dos 18, 20, 25 anos, uma boa análise
de possíveis trauma deve ser anteriormente avaliada para a hormonioterapia ou
para a cirurgia transgenital. E nenhum endócrino ou testes genéticos são
necessários nesses casos.
Em nenhum caso é essencial estar vivendo seu sexo neural, mas sempre é uma boa
indicação.
Daquilo que nós mostramos aqui, é óbvio que não são necessários dois anos!
ou algum tempo para todos os casos. Para alguns adultos, 1 a 2 meses de análise,
e um teste Rorschach é mais que suficiente. Para alguns adultos, muita análise
psíquica é importante, com o acordo do paciente. Para as crianças e
adolescentes, muitos testes fisiológicos são essenciais, como o Rorschach e
outro análise psíquico, pelo menos até os 10 a 11 anos, e provavelmente uns 3
a 4 anos de análise serão possíveis, se as crianças fossem ser analisadas
cedo, quando eles começam a se mostrar, poderiam ser identificados como
neurodiscordantes de gênero, com 5, 6 ou 7 anos.
Pais, mães, parentes, professores estejam alertas para saber, entender os
sinais que as crianças mostrarão para vocês. Não intervenham, não mostrem
agressividade contra os sentimentos deles/delas. Deixe-as mostrar-se para vocês,
livremente, o mais cedo possível, quem elas são. E comecem o mais cedo possível,
NUNCA ALGO PARA MUDA-LOS, mas fazer algo para estar seguro sobre o quê eles são,
e é isso que realmente você poderia fazer para economizar os corpos
deles/delas, os sentimentos deles/delas, as esperanças deles/delas e as vidas
deles/delas. Depois de alguns anos de análise com bons profissionais, se eles são
neurodiscordantes de gênero, ELES podem SER CURADOS CEDO, e viver na adolescência,
as vidas deles/delas e os sonhos deles/delas.
Segunda Parte: Origem, Diagnóstico e Tratamento.
2.4.- O Tratamento Hormonal em Adolescentes com Neurodiscordância de Gênero:
O mais rápido possível é a idade ideal. Depois que um bom diagnóstico estivesse fundamentado em:
Durante esses anos de análise, o sexologista, e também o psicólogo e o
psiquiatra devem ter entendido que a criança pode ser uma portadora de
neurodiscordância de gênero.
Neste caso, depois de crianças de 10 anos, é importante começar a
hormonioterapia o mais cedo possível, para crianças com neurodiscordância de
gênero.
Para neurodiscordantes de gênero feminino:
Segunda Parte: Origem, Diagnóstico e Tratamento.
2.5.- Reconhecimento Social do Verdadeiro Sexo nos portadores de Neurodiscordância de Gênero:
Com 10 anos, a criança, os terapeutas envolvidos no problema e os pais e
parentes saberão que a criança com neurodiscordância de gênero não é o
menino que eles entenderam originalmente que fosse, mas uma verdadeira menina
com neurodiscordância de gênero, e vice-versa para um menino com neurodiscordância
de gênero. Mas só eles realmente sabem aquela realidade.
Os outros provavelmente pensarão que ela é um menino efeminado, ou ele é uma
menina masculinizada. Essas idéias erradas têm que mudar imediatamente. Na
escola, na mentalidade dos professores, dos vizinhos, etc...Como?
Mudando imediatamente o nome e os documentos. Os médicos e pais podem tentar
mudar no sistema judiciário imediatamente. Lute pelas crianças. Elas têm
esses direitos como as outras crianças têm! Eles têm o direito de ter um nome
e a ser reconhecidos pela sociedade como eles realmente são!
Terapeutas, lutem para que os neurodiscordantes de gênero sejam entendidos
dentro das comunidades médicas e psicológicas verdadeiramente! Professores façam
o mesmo. Façam o mesmo teólogos, padres e pastores. Divulguem esta realidade
nas universidades e escolas médicas e psicológicas. Divulguem através dos
meios de comunicação de massas. Ajude-nos ao redor do mundo, à ASSOCIAÇÃO
DE NEURODISCORDANTES DE GÊNERO para DIVULGAR A VERDADE SOBRE ESSE TIPO DE SÍNDROME.
Até que a ignorância morra e as leis de todos os países mudem, e o
neurodiscordante de gênero tenha esses direitos garantidos em suas vidas, como
crianças e como adolescentes.
Segunda
Parte:
Origem, Diagnóstico e Tratamento.
2.6.-
As Cirurgias Transgenitais nos Adolescentes portadores de Neurodiscordância de
Gênero:
Depois dos 12 anos , o mais cedo possível, depois do ter iniciado a
hormonioterapia a menina com neurodiscordância de gênero pode prosseguir para
a cirurgia de neovaginoplastia. Hoje há tecnologias excelentes; há tecnologias
que preservam todos os nervos e a sensibilidade, e a menina pode permanecer com
o orgasmo normal e possibilidades de prazer. Por que não aos 13 anos? Por que não
aos 12, ou o mais cedo possível? Por que esperar até os 18 ou 21 anos com
sofrimentos e traumas?
Hoje, para neurodiscordantes de gênero masculino, não há cirurgias tão
eficientes. É melhor esperar para o surgimento e desenvolvimento de novas
tecnologias. A terapia de hormônio pode ter resultados bons, com o
desenvolvimento do clitóris que pode vir trabalhar como um neofalo e com a
diminuição do tamanho de vagina original.
Segunda
Parte:
Origem, Diagnóstico e Tratamento.
2.7.-
O Tratamento Hormonal em Adultos portadores de Neurodiscordância de Gênero:
Hoje, pelo fato dos neurodiscordantes de gênero serem mal compreendidos pela
sociedade, os próprios neurodiscordantes de gênero começam suas terapias com
conta como cidadãos marginais. E vivendo depois como pessoas marginais.
Mulheres que consomem anti-andrógenos, inibidores de LH, estrógenos e
progesterona sem qualquer controle e qualquer conhecimento.
Às vezes, algumas mulheres neurodiscordantes de gênero tornaram-se dependentes
de hormônios.
E os traumas psicológicos aumentam e aumentam, e finalmente, após alguns anos,
algumas não sabem mais, o que elas realmente são. Muitas delas não sabem mais
se são meninas neurodiscordantes de gênero ou apenas travestis. Algumas vivem
e sobrevivem através da prostituição e eram originais e absolutamente
meninas, apenas e tão somente passivas; mas vida as manda a prostituição.
Hoje, elas não estão mais seguras do que elas realmente são, porque viver,
sobreviver, ter clientes, pagar contas, ter comida e consumir hormônios, as faz
precisar agir como homens ativos com seus clientes. E agora, elas estão
confusas, pois não sabem mais o que são.
Elas precisam de ajuda profissional.
Elas precisam de terapia psicológica adequada antes de todas as outras
terapias.
Elas precisam de ajuda para redescobrir, desde a sua infância o que elas
realmente são. Se são meninas ou meninos. Antes dos traumas e de grandes
sofrimentos, elas perderam a sua identidade consciente e clara. As suas
identidades realmente não mudaram como alguns pensam, mas realmente ficaram
recluídas pelo sofrimento.
Só depois do tratamento psicológico e de alguns meses ou até anos, pode ser
prescrita alguma terapia adequada, assim como as terapias de hormônio e
cirurgia. SOMENTE DEPOIS DISSO.
Por outro lado não assim com os adultos traumatizados, depois que um teste de
Rorschach, as terapias podem ser prescritas sem problemas, tanto terapias de
hormônio como cirurgias. Sempre depois de aplicados os testes de Rorschach.
Para adultos, nunca é necessário e essencial o teste genético e
neuroendocrinológico.
Segunda
Parte:
Origem, Diagnóstico e Tratamento.
2.8.-
As Cirurgias Transgenitais nos Adultos portadores de Neurodiscordância de Gênero:
Depois de uma boa analise de cada caso, quando realmente se identifique um
paciente com neurodiscordância de gênero, poderá ser implementada a cirurgia
com a melhor tecnologia numa mulher (neural).
Através da melhor tecnologia nós entendemos aqui uma cirurgia que manterá
TODA A SENSIBILIDADE DA NOVA VAGINA, SENDO FUNCIONAL EM TAMANHO E OPERAÇÃO, A
QUAL PERMITIRÁ AO PACIENTE TER PRAZER E ORGASMO. Como hoje nós temos a
tecnologia do Dr. Jalma Jurado no Brasil.
BOAS TECNOLOGIAS devem SER DIVULGADAS, EM ESCOLAS MÉDICAS E UNIVERSIDADES.
Hoje para neurodiscordantes de gênero masculino, não há uma boa tecnologia
disponível. Para eles, hoje, a única esperança é desenvolver uma terapia
hormonal forte o mais cedo possível, para desenvolver o clitóris original.
Segunda
Parte:
Origem, Diagnóstico e Tratamento.
2.9.-
Nova Identidade e Documentos para os Adultos:
Eles devem ser automaticamente emitidos pelo governo depois das cirurgias para
mulheres e dos homens neurodiscordantes de gênero em tratamento hormonal .
Infelizmente, apenas em países civilizados hoje isso é possível. Neste caso,
o Brasil. por exemplo, não se encontra entre eles.
Segunda
Parte:
Origem, Diagnóstico e Tratamento.
2.10.-
Acompanhamento Psicológico Pós-Cirurgico:
Quem precisa de um acompanhamento psicológico depois da cirurgia?
Para as cirurgias de mulheres neurodiscordantes de gênero, o paciente não
precisa de qualquer acompanhamento psicológico. A sociedade, a família, etc
...precisam de um acompanhamento psicológico. A menina neurodiscordante de gênero
ou mulher, como Orlando de Virgínia Woolf, tanto uma como a outra, estarão
muito contentes de ter um corpo de acordo com elas. Quem precisará de ajuda
psicológica serão os outros que estão em relação com elas. Na família, em
escola, no escritório, etc...
O melhor modo de ajudar a sociedade é DIVULGAR A VERDADE CIENTIFICA SOBRE O
SEXO CEREBRAL E A SÍNDROME DA NEURODISCORDÂNCIA DE GÊNERO!
As cirurgias mal realizadas em mulheres com neurodiscordância de gênero, matará,
traumatizará e destruirá a menina ou a mulher. Se os nervos não forem
preservados, não haverá prazer, nem haverá mais os seus sonhos, e elas morrerão.
Morrerá seu ser interno. E o que podemos fazer por elas?
DETER OS CIRURGIÕES RUINS E INCOMPETENTES IMEDIATAMENTE!
As tecnologias velhas e OS CIRURGIÕES INCOMPETENTES e OPORTUNISTAS!
Terceira
Parte:
Normas para a Formação de Comitês para a Identificação de portadores de
Neurodiscordância de Gênero
3.1.- A Formação dos Comitês:
Em alguns lugares, como por exemplo, no Brasil, não existe hoje nenhuma
regulamentação para a formação de grupos ou comitês para a identificação
de portadores. Algumas vezes, muito tempo, análise, testes e entrevistas são
requeridas ...realmente algumas maratonas para conseguir ser candidato a uma
cirurgia, somente é possível através de exaustão...
Outros, em poucos dias conseguem a aprovação das cirurgias.
Hoje não há nenhum critério realmente bom estabelecido. E muitos erros podem
ser cometidos. Nós propomos alterar os nosso padrões atuais e estabelecer
alguns critérios:
1.1.- Todo o Comitê tem que ter:
Quando possível, uma experiente neurodiscordante de gênero mulher ou homem, completamente corrigida; sendo um profissional com pelo menos grau universitário em alguma área (sexological, médico, biológico, psicológico, etc..)
1.2.
- Nós propomos um novo padrão de análise a ser seguido, TANTO PARA ADULTOS,
ADOLESCENTES E CRIANÇAS, pelo comitês estabelecidos. Sempre que possível, o líder
de comitê deverá ser um sexologista, com experiência em disforias de gênero,
e principalmente em neurodiscordância de gênero.
Terceira
Parte:
Normas para a Formação de Comitês para a Identificação de portadores de
Neurodiscordância de Gênero
3.2.- O Desenvolvimento de Novos Processos de Avaliação:
Nós pretendemos ajudar todas as universidades e instituições para desenvolver
tecnologia que melhorem a qualidade dos comitês, e principalmente, para
melhorar os estudos de testes genéticos que permitam a identificação de andrógenos
e a sensibilidade de recepção de estrógenos . Esses testes são muito
importantes para desenvolver uma boa análise de crianças com neurodiscordância
de gênero. Nós permaneceremos atentos a tecnologias novas, desenvolvimentos e
descobertas ao redor do mundo, visando melhorar a qualidade dos testes que
avaliam as crianças. Também é importante melhorar os testes neuroendocrinológicos
de Doner, hoje disponível para adultos (mas não tão importante para eles), e
não disponível para crianças (e tão importante para eles).
Atualizada em 08/12/2004