ARTIGOS E TESES
MENINOS TIDOS COMO MENINAS SOB NOVA ÓTICA DE ESTUDO GENÉTICO
Por Dr John Gearhart e Dr William Rainer - Reuters, 21/01/2005.
Tradução de Maria Antonieta Rodrigues de Mattos
BOSTON - O autor de um novo estudo em machos nascidos com uma deformidade no pênis conhecida como Extrofia de Cloaca sugeriu que as crianças deveriam ser expostas como meninos, não como meninas, ao contrário do que doutores recomendaram no passado.
No passado, muitas crianças com esta condição sofreram cirurgia para ficar parecidos com meninas, e para seus pais foi dito pelos médicos para que os tratassem como meninas e nunca revelar que, geneticamente, eles eram masculinos. O Doutor John Gearhart do Johns Hopkins Medical Institute of Baltimore pediu o re-exame dessas recomendações e concluiu: "Nós sugerimos (os médicos) com firmeza que se aconselhe às famílias para criar as crianças como sendo meninos, e recomendamos a reconstrução do pênis ainda em tenra idade".
Crianças com Extrofia de Cloaca podem nascer com um pênis pequeno ou sem nenhum. A condição aparece numa proporção de 1 para 400.000 nascimentos. O estudo, publicado no Diário de Medicamentos da Nova Inglaterra, estudou 16 casos e constatou que a maioria das crianças começou a se comportar como menino, não importando como eles foram educados. Dos 14 casos onde as crianças foram tratadas como meninas, muitas resistiram a ficar vestidas como meninas depois de 4 anos de idade. Quatro das 14 se declararam homens entre as idades de 7 e 12, sem que tivessem noção de que realmente eram do sexo masculino geneticamente, tendo sofrido cirurgias de adaptação. Em três dos quatro casos, o Dr William Rainer contou para a Reuters que a troca de atitude aconteceu dentro de horas e às vezes minutos. Uma criança, cujo primeiro nome tinha derivativo masculino, começou a usar a versão masculina do seu nome, disse Rainer da Johns Hopkins e da Universidade de Oklahoma. Quatro outras crianças começaram a se considerar como sendo homens depois de lhes ter sido contado que eram geneticamente masculinos, em idades que variaram de 5 a 18 anos. "Elas disseram que quando a mãe e o pai contaram que elas eram meninos, tudo fez sentido. E logo perceberam que era verdade. Então a transição para o sexo genético se fez de forma extremamente rápida. - Seus amigos pareceram ter pequenas dificuldades para se adaptarem à troca, mas também o fizeram porque, em muitos casos, já reconheciam nele, uma criança agindo como um menino. Porém, seus pais tiveram maior dificuldade para se adaptar depois", disse Rainer - psiquiatra infantil e urologista.
Em duas das quatro crianças que espontaneamente se declararam meninos, os pais delas rejeitaram-lhes as declarações. No estudo permaneceram seis crianças que se consideraram como meninas ou, em todo caso, não quiseram discutir assuntos de gênero. O Dr Rainer disse que a decisão dos médicos em remover os testículos no nascimento e executar a cirurgia de reconstrução para fazer a criança parecer fêmea estava baseada na convicção de que as crianças são sexual e psicologicamente neutras no nascimento, e que este ou aquele gênero está baseado no que os órgão genitais se parecem e também em como elas são educadas.